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Ocaso industrial


Do Diário do Grande ABC

28/10/2020 | 00:07


As informações trazidas ontem à luz em alentado estudo do Conjuscs (Observatório de Políticas Públicas, Empreendedorismo e Conjuntura da Universidade Municipal de São Caetano), intitulado A Crise no Meio da Crise: o Comportamento da Indústria no Grande ABC (2010/2020), traduzem em números a preocupação trazida aos leitores deste Diário pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na entrevista exclusiva publicada na segunda-feira. O empobrecimento e a perda de representatividade da região são frutos diretos da decadência enfrentada pelo setor produtivo. Ou as sete cidades buscam alternativa ou vão sucumbir. Não dá mais para dourar a pílula.

O estudo do observatório da USCS demonstra que a desestruturação industrial vivida pelo Grande ABC na última década afeta o pilar da economia porque a média salarial paga aos funcionários das fábricas é muito mais alta, quase o dobro, da dos demais setores. Ou seja, não adianta as vagas fechadas em empreendimentos produtivos serem compensadas, em números absolutos, por empresas de segmentos diferentes. Mesmo que o nível de empregos seja mantido, sempre haverá um deficit significativo no volume de injeção de dinheiro em circulação.

Frios, os números não mentem – e deixam entrever o tamanho da tragédia que o Grande ABC experimentou na última década. O trabalhador da indústria na região recebe, em média, salário de R$ 4.617, enquanto seu congênere empregado em empresa de ramo diferente ganha R$ 2.869 mensalmente. Imagine-se agora os efeitos deletérios desta diferença de 61% em dez anos! Não há desenvolvimento socioeconômico que resista.

A conclusão do estudo do Conjuscs vai, coincidentemente, pelo mesmo caminho indicado por Lula. É preciso que os prefeitos se sentem, com as universidades, no Consórcio Intermunicipal, para iniciar, sem mais demora, ampla discussão sobre alternativas ao modo como o Grande ABC gera riqueza. A indústria automotiva, que sustentou meio século de desenvolvimento, infelizmente se aproxima do ocaso.
 



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Ocaso industrial

Do Diário do Grande ABC

28/10/2020 | 00:07


As informações trazidas ontem à luz em alentado estudo do Conjuscs (Observatório de Políticas Públicas, Empreendedorismo e Conjuntura da Universidade Municipal de São Caetano), intitulado A Crise no Meio da Crise: o Comportamento da Indústria no Grande ABC (2010/2020), traduzem em números a preocupação trazida aos leitores deste Diário pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na entrevista exclusiva publicada na segunda-feira. O empobrecimento e a perda de representatividade da região são frutos diretos da decadência enfrentada pelo setor produtivo. Ou as sete cidades buscam alternativa ou vão sucumbir. Não dá mais para dourar a pílula.

O estudo do observatório da USCS demonstra que a desestruturação industrial vivida pelo Grande ABC na última década afeta o pilar da economia porque a média salarial paga aos funcionários das fábricas é muito mais alta, quase o dobro, da dos demais setores. Ou seja, não adianta as vagas fechadas em empreendimentos produtivos serem compensadas, em números absolutos, por empresas de segmentos diferentes. Mesmo que o nível de empregos seja mantido, sempre haverá um deficit significativo no volume de injeção de dinheiro em circulação.

Frios, os números não mentem – e deixam entrever o tamanho da tragédia que o Grande ABC experimentou na última década. O trabalhador da indústria na região recebe, em média, salário de R$ 4.617, enquanto seu congênere empregado em empresa de ramo diferente ganha R$ 2.869 mensalmente. Imagine-se agora os efeitos deletérios desta diferença de 61% em dez anos! Não há desenvolvimento socioeconômico que resista.

A conclusão do estudo do Conjuscs vai, coincidentemente, pelo mesmo caminho indicado por Lula. É preciso que os prefeitos se sentem, com as universidades, no Consórcio Intermunicipal, para iniciar, sem mais demora, ampla discussão sobre alternativas ao modo como o Grande ABC gera riqueza. A indústria automotiva, que sustentou meio século de desenvolvimento, infelizmente se aproxima do ocaso.
 

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