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Ociosidade na GM é exceção à regra


Eric Fujita
Do Diário do Grande ABC

19/02/2006 | 08:02


A ociosidade na ferramentaria da General Motors de São Caetano está na direção contrária à dos concorrentes. Enquanto a GM enfrenta dificuldades de manter ou fechar novos negócios para fornecer ferramentas usadas na produção de veículos, seja devido à forte concorrência, seja pelo dólar baixo, outras três fabricantes com o mesmo tipo de serviço no Grande ABC – Volkswagen, DaimlerChrysler (dona da Mercedes-Benz) e Karmann-Ghia – permanecem imunes a essa influência negativa. Pelo contrário, trabalham com capacidade máxima.

Diferentemente da GM, que tem 243 funcionários excedentes num universo de 506 trabalhadores na ferramentaria, as três montadoras – ambas em São Bernardo – fazem horas extras e contrataram profissionais com o objetivo de atender pedidos e contratos. As outras empresas do ramo (Ford e Scania) não têm esse tipo de serviço na região.

A GM é a única montadora do Grande ABC que ameaça demitir funcionários neste setor. Para atenuar a situação, a abriu um PDV (Programa de Demissões Voluntárias) que se estende até terça-feira, após duas prorrogações de prazo, devido à baixa adesão.

A empresa também estendeu o plano para toda a produção, numa tentativa de fazer possíveis remanejamentos a fim de evitar um corte em massa.

Contratos – O Diário apurou que a ferramentaria da GM deixou de fornecer ferramentas para a Fiat porque oferecia um valor bem superior em relação a outro concorrente. Em virtude do câmbio desfavorável, também não produz mais componentes para a Opel (subsidiária da GM na Alemanha), no Japão e para a NSB, ligada à GMC nos EUA.

Para o secretário nacional da CNM (Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT), Marcelo Toledo, esse cenário tem explicação: outras fábricas especializadas só em ferramentaria oferecem preços menores porque a média salarial é bem inferior ao da GM. Essas empresas pagam entre R$ 2 mil e R$ 3 mil para seus funcionários. Já os ferramenteiros da GM recebem de R$ 4 mil a R$ 5 mil.

“Aí não tem como competir mesmo. Tanto que perdeu vários contratos”, lamenta Toledo, que também é funcionário da ferramentaria da GM. Segundo ele, a companhia conta apenas com um contrato, destinado a GM no México.

O Diário constatou ainda que, com esse contrato, a ferramentaria da GM produz seis conjuntos de ferramentas por mês. Nos tempos de produção em alta, esse volume chegava a 60 conjuntos mensais. “Isso desanima todos nós. Acredito que as demissões serão mesmo inevitáveis”, prevê um funcionário do setor que pediu para não ser identificado.

Cenário – Se na GM a situação é ruim, outras montadoras enfrentam uma realidade diferente. Os cerca de 450 funcionários da ferramentaria da Volkswagen fazem horas extras aos sábados para cumprir os contratos firmados. Entre os seus principais consumidores, estão as operações da Volks na Argentina, México, China e Irã.

Um ferramenteiro da Volks destaca que o bom desempenho ocorre porque esses acordos foram firmados quando o dólar estava num patamar superior ao de hoje. “Assim, a empresa continua cumprindo à risca os contratos.”

Já a Daimler precisou contratar mais profissionais especializados nesse segmento nos últimos anos porque ganhou uma concorrência para o fornecimento de ferramentas para fabricante de caminhões na Alemanha. “A empresa precisou até buscar pessoas em outras montadoras ou chamar alguns aposentados”, relembra Moisés Selerges Júnior, diretor do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (vinculado à CUT) na montadora.

Na Karmann-Ghia, os 130 funcionários da ferramentaria trabalham na produção de ferramentas usadas pela Renault e Fiat. O setor também vem construindo oito ferramentas de menor porte para a Toyota.



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