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Nada aprendem, tudo esquecem


Carlos Brickmann

14/02/2016 | 07:00


A frase é de Karl Marx: a história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa. No Brasil é diferente: é sempre farsa, é sempre tragédia.

O prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), aspirante à Presidência da República, diz que o problema da zika é “um certo exagero”, porque “morre muito mais gente de gripe do que de dengue, que dirá de zika”. Claro, Sua Excelência não tem parentes que morreram de zika, nem arriscados a ter filhos com microcefalia, nem com dengue ou chikungunya. Pode ver as coisas com menos paixão, certo?

Mas poderia estudar um pouco. O governo brasileiro da época, por volta de 1918, não temia a gripe espanhola, porque o vírus não teria como cruzar o Atlântico. Pois cruzou. Entre São Paulo e Rio, matou perto de 20 mil pessoas.

Paes nada aprendeu, mas não está sozinho. Dilma vinha reduzindo desde 2013 as verbas para combater o mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, da chikunguya e da zika (e também, não esqueçamos, da febre amarela, que já foi epidêmica no Brasil). Em 2016, não há verba para isso prevista no Orçamento federal. Estados e municípios também acham que não é com eles. Em São Paulo, a prefeitura petista de Fernando Haddad ignora os alertas da população – por exemplo, prédios com piscina abandonada, com água, prontinha para operar como berçário de mosquitos (fotos já foram publicadas, sem êxito). A própria prefeitura demarcou ciclovias com postes de plástico sem tampa, do calibre de latas de cerveja. A água e as larvas não têm saída; os mosquitos têm. Tlim, tlim, Saúde!

Gringo é trouxa
A questão da zika, tão desimportante para o prefeito Paes, motiva reuniões de emergência da OMS (Organização Mundial da Saúde). Para iniciar nos Estados Unidos o trabalho de prevenção, o presidente Obama liberou imediatamente US$ 1,2 bilhão. E lá o dinheiro tem de sair de uma verba orçamentária. Pedalar nem se imagina.

O número 1
Lula e sua mulher, Marisa Letícia, têm depoimento marcado na quarta-feira, no Ministério Público paulista, que investiga se há ocultação de patrimônio no caso do apartamento triplex da Praia das Astúrias, Guarujá (que se configuraria se o imóvel, em nome da OAS, fosse mesmo de Lula). Movimentos favoráveis e contrários a Lula prometem manifestar-se em frente ao prédio do Ministério Público.

A hora do desagravo
No dia 27, em compensação, é a hora de Lula: ele será a estrela da festa de 36º aniversário do PT. Todo o comando do partido e os principais ministros petistas falarão em sua homenagem, defendendo-o dos ataques que sofre. Espera-se que a presidente Dilma Rousseff faça discurso em seu favor.

Além do oceano
A SBM Offshore, empresa holandesa que aluga navios-plataforma para exploração de petróleo em alto-mar, detentora de diversos contratos com a Petrobras e acusada de pagamento de propina a diretores e altos funcionários da estatal, anunciou que os Estados Unidos iniciaram investigações sobre denúncias de suborno no Brasil e em Angola. Este é um problema sério: caso seja comprovado o pagamento de propinas para prestar serviços superfaturados, os investidores da Petrobras na Bolsa de Nova York podem processá-la, exigindo os dividendos a que teriam direito se não tivesse ocorrido o desvio. Sempre que se toca no assunto, as cifras citadas ultrapassam de longe o bilhão de dólares.

Lá e cá
A investigação sobre Angola promete ser interessantíssima. A filha do presidente José Eduardo dos Santos acumulou a maior fortuna do país.

O jogo dos bilhões
Atenção para uma reportagem sobre a utilização dos milionários recursos do FGC (Fundo Garantidor de Crédito), criado para garantir, até certo limite, o dinheiro dos correntistas de bancos que tenham quebrado ou sofrido intervenção. O repórter é Cláudio Tognolli – que, só com Assassinato de Reputações, em que o ex-secretário nacional da Justiça Romeu Tuma Júnior conta uma série de segredos de Lula, vendeu 150 mil livros. É uma garantia de boa apuração e credibilidade. Tognolli, há duas semanas, mostrou que o BTG Pactual recebeu R$ 6 bilhões do FGC para reforçar seu caixa – bem na época em que o então sócio principal do banco, André Esteves, tinha sido preso, juntamente com Delcidio do Amaral, líder do PT no Senado. O tiroteio agora vai mais longe: José Papa Júnior, presidente emérito da Federação do Comércio de São Paulo, da família que controlava o Banco Lavra, abre fogo em entrevista explosiva a Tognolli. Diz que todos nós somos assaltados pelo FGC e que o dinheiro é desviado de suas finalidades específicas. Vale a pena ler em http://tognolli.tumblr.com/. Papa diz que tem 100 mil assinaturas num pedido de investigações a ser enviado ao Congresso.

Cuidado!
Os Emirados Árabes Unidos acabam de criar o Ministério da Felicidade, a ser ocupado pela ministra Ohood Al Roumi. O objetivo é garantir que os moradores e turistas tenham sempre boas condições de vida. Mas que ninguém dê a notícia à presidente Dilma Rousseff, ou em breve teremos mais um ministério atulhando Brasília.



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