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FHC explica mudanças econômicas no rádio


Do Diário do Grande ABC

19/01/1999 | 12:47


O presidente Fernando Henrique Cardoso explicou as mudanças na economia brasileira em seu programa semanal de rádio, "Palavra do Presidente''. Ele afirmou que o governo foi obrigado a desvalorizar o real frente ao dólar para evitar o aumento das taxas de juros, o que ampliaria o desemprego.

Segundo FHC, a desvalorizaçao do real nao causará "impacto direto nenhum sobre o bolso do povo brasileiro", a nao ser os que viajam ao exterior ou compram produtos importados.

O presidente também informou que o governo vai permanecer atento para barrar tentativas de especulaçao e aumento de preços.

Veja a íntegra do discurso de FHC:

"Eu hoje queria falar com muita franqueza ao povo brasileiro.

Nós estamos enfrentando dificuldades. As últimas semanas foram difíceis. Tao difíceis que nós, para garantir a estabilidade do Real, fomos obrigados a deixar que houvesse a valorizaçao do dólar.

Por que nós fizemos isso? Porque para evitar isso teríamos que aumentar ainda mais a taxa de juros, teríamos que penalizar ainda mais aqueles que sao produtores do Brasil. Diminuiria a oferta de emprego e poderia haver o risco de uma recessao prolongada.

Eu sei que quando se aumenta o dólar, muita gente fica preocupada. Mas veja bem: nao haverá impacto direto nenhum sobre o bolso do povo brasileiro. Aquele que trabalha, aquele que nao está sendo obrigado a viajar ou aquele que nao compra carro importado - e a imensa maioria nao compra carro importado, nem produtos importados - nao vai sofrer nenhum efeito do aumento do valor do dólar.

E claro o governo vai continuar olhando. Olhando o quê? Para evitar que haja exploraçao, que comece de novo a carestia, que usem o pretexto de que o dólar vale mais para aumentar o preço dos produtos brasileiros, que sao feitos com o Real e que, portanto, nao precisam ter aumento algum.

E nós temos experiência. Eu lutei contra a inflaçao quando a inflaçao estava a 10, 20, 30, 40% ao mês. Ora, quem conseguiu segurar a inflaçao nesse nível, certamente, nao vai deixar que a carestia volte.

Agora, nós precisamos acertar as nossas contas públicas, porque o que desorganiza a vida brasileira, na parte econômica, e o fato de que muitos Estados, alguns municípios e a própria Uniao estao gastando demais porque tem que pagar uma folha de salários de muita gente. Sobretudo nos Estados e nos municípios, e porque tem o custo da Previdência do funcionalismo público.

Nao é o trabalhador, nao é a trabalhadora que está no INSS, aí nao vai acontecer nada. Fica tudo igual. Agora, nos vamos pedir que o Congresso aprove uma contribuiçao dos aposentados e dos pensionistas do setor publico, porém, nao de todos. Os que ganham pouco, menos de 600 reais, nao seria justo mexer com eles. Nao vamos mexer.

Agora, há muita gente que ganha muito e que nao contribui com nada para a sua aposentadoria. E você que está em casa me ouvindo que, sem saber esta pagando as aposentadorias precoces de setores e funcionalismo. E alguns deles, ganhando muito. Entao, é justo que, neste momento de afliçao, eles paguem uma contribuiçao. É isso que nós estamos fazendo.

Agora, o Congresso Nacional tem mostrado muita disposiçao de reagir. Eu sou o homem de sempre, firme, disposto a ajudar o Brasil.

Tenho certeza de que o Congresso Nacional aprovando as medidas que nós pedimos que fossem aprovadas com rapidez, e de que nos continuando a conduzir o Brasil com firmeza, com clareza, com franqueza, vamos superar essas dificuldades e, já no segundo semestre, as taxas de crescimento vao mostrar ao povo que o esforço valeu. O Brasil vai voltar a ter condiçoes de gerar mais empregos e eu vou ter condiçoes de cumprir o meu programa de governo, que apresentei ao país durante as eleiçoes. Eu conto com você. Vamos juntos que o Brasil tem muita chance e vai avançar. E avançar para melhor."



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FHC explica mudanças econômicas no rádio

Do Diário do Grande ABC

19/01/1999 | 12:47


O presidente Fernando Henrique Cardoso explicou as mudanças na economia brasileira em seu programa semanal de rádio, "Palavra do Presidente''. Ele afirmou que o governo foi obrigado a desvalorizar o real frente ao dólar para evitar o aumento das taxas de juros, o que ampliaria o desemprego.

Segundo FHC, a desvalorizaçao do real nao causará "impacto direto nenhum sobre o bolso do povo brasileiro", a nao ser os que viajam ao exterior ou compram produtos importados.

O presidente também informou que o governo vai permanecer atento para barrar tentativas de especulaçao e aumento de preços.

Veja a íntegra do discurso de FHC:

"Eu hoje queria falar com muita franqueza ao povo brasileiro.

Nós estamos enfrentando dificuldades. As últimas semanas foram difíceis. Tao difíceis que nós, para garantir a estabilidade do Real, fomos obrigados a deixar que houvesse a valorizaçao do dólar.

Por que nós fizemos isso? Porque para evitar isso teríamos que aumentar ainda mais a taxa de juros, teríamos que penalizar ainda mais aqueles que sao produtores do Brasil. Diminuiria a oferta de emprego e poderia haver o risco de uma recessao prolongada.

Eu sei que quando se aumenta o dólar, muita gente fica preocupada. Mas veja bem: nao haverá impacto direto nenhum sobre o bolso do povo brasileiro. Aquele que trabalha, aquele que nao está sendo obrigado a viajar ou aquele que nao compra carro importado - e a imensa maioria nao compra carro importado, nem produtos importados - nao vai sofrer nenhum efeito do aumento do valor do dólar.

E claro o governo vai continuar olhando. Olhando o quê? Para evitar que haja exploraçao, que comece de novo a carestia, que usem o pretexto de que o dólar vale mais para aumentar o preço dos produtos brasileiros, que sao feitos com o Real e que, portanto, nao precisam ter aumento algum.

E nós temos experiência. Eu lutei contra a inflaçao quando a inflaçao estava a 10, 20, 30, 40% ao mês. Ora, quem conseguiu segurar a inflaçao nesse nível, certamente, nao vai deixar que a carestia volte.

Agora, nós precisamos acertar as nossas contas públicas, porque o que desorganiza a vida brasileira, na parte econômica, e o fato de que muitos Estados, alguns municípios e a própria Uniao estao gastando demais porque tem que pagar uma folha de salários de muita gente. Sobretudo nos Estados e nos municípios, e porque tem o custo da Previdência do funcionalismo público.

Nao é o trabalhador, nao é a trabalhadora que está no INSS, aí nao vai acontecer nada. Fica tudo igual. Agora, nos vamos pedir que o Congresso aprove uma contribuiçao dos aposentados e dos pensionistas do setor publico, porém, nao de todos. Os que ganham pouco, menos de 600 reais, nao seria justo mexer com eles. Nao vamos mexer.

Agora, há muita gente que ganha muito e que nao contribui com nada para a sua aposentadoria. E você que está em casa me ouvindo que, sem saber esta pagando as aposentadorias precoces de setores e funcionalismo. E alguns deles, ganhando muito. Entao, é justo que, neste momento de afliçao, eles paguem uma contribuiçao. É isso que nós estamos fazendo.

Agora, o Congresso Nacional tem mostrado muita disposiçao de reagir. Eu sou o homem de sempre, firme, disposto a ajudar o Brasil.

Tenho certeza de que o Congresso Nacional aprovando as medidas que nós pedimos que fossem aprovadas com rapidez, e de que nos continuando a conduzir o Brasil com firmeza, com clareza, com franqueza, vamos superar essas dificuldades e, já no segundo semestre, as taxas de crescimento vao mostrar ao povo que o esforço valeu. O Brasil vai voltar a ter condiçoes de gerar mais empregos e eu vou ter condiçoes de cumprir o meu programa de governo, que apresentei ao país durante as eleiçoes. Eu conto com você. Vamos juntos que o Brasil tem muita chance e vai avançar. E avançar para melhor."

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