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Um terço da frota da região tem mais de 20 anos

Nario Barbosa/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Conforme especialistas, automóveis antigos poluem mais e prejudicam a fluidez do trânsito


Daniel Macário
Do Diário do Grande ABC

18/10/2017 | 22:54


 Veículos com idade superior a 20 anos já representam 36% da frota do Grande ABC. Segundo levantamento feito pelo Detran-SP (Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo) a pedido do Diário, do total de 1,8 milhão de automóveis que circulam pelas sete cidades diariamente, 662 mil foram fabricados antes de 1997, ou seja, já apresentam condições de risco para o sistema viário ao contribuir com o agravamento da poluição atmosférica e com congestionamentos diários, tendo em vista as quebras.

Na comparação com 2016, houve acréscimo de 61 mil veículos com idade superior a 20 anos à frota de automóveis da região (alta de 10%). O cenário de veículos antigos da região já supera o da Capital, onde 35% dos automóveis foram fabricados há duas décadas. Segundo especialistas, a crise econômica do País impacta diretamente o poder de compra de moradores do Grande ABC, considerado o berço da indústria automotiva.

“Com a economia do País ainda instável, dificilmente as pessoas devem trocar de carro. A alta nas venda é restrita a um pequeno público. A tendência é que a frota de veículos antigos aumente ainda mais nos próximos anos”, avalia Luiz Vicente Figueira de Mello, professor de engenharia de tráfego da Universidade Presbiteriana Mackenzie Campinas.

Embora o segmento de automóveis e comerciais leves tenha apresentado, no acumulado do ano, alta de 7,36% contra 2016 – passou de 1,61 milhão para 1,5 milhão de emplacamentos –, na análise do especialista o cenário atual dificilmente será revertido a curto prazo. A afirmação de Mello leva em conta mecanismos criados pelo próprio governo para que a população mantenha veículos antigos, como é o caso da isenção no pagamento de IPVA (Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores) concedida a proprietários de automóveis com mais de 20 anos de fabricação. “Sabemos que tirar esse benefício é medida impopular, mas se isso não for feito, assim como ocorreu em outros países, essa situação só tende a piorar.”

A preocupação do especialista tem como base o fato de, com frota cada vez mais antiga, o sistema viário da região estar à beira de “colapso”. “Mesmo que o proprietário faça manutenção regularmente, esse veículo, com o passar do tempo, não terá mais condições adequadas para circular na rua”, ressalta.
Para ilustrar a situação, Mello destaca que a pane de um automóvel em avenida que recebe por hora cerca de 1.800 veículos pode gerar transtornos aos demais condutores que trafegam pelo sistema viário. “Se esse motorista esperar 30 minutos pelo guincho, teremos como resultado cinco quilômetros de congestionamento”, enfatiza.

O docente ainda cita indicadores de poluição dos municípios, que são agravadas com a frota cada vez mais antiga, como problema. “Esses veículos fabricados em 1997 não possuem dispositivos adequados para emitir menos poluentes”, lembra.

No levantamento feito pelo Detran-SP, Rio Grande da Serra lidera o índice de veículos produzidos há 20 anos. No município, 40% dos automóveis foram fabricados em 1997. Na sequência aparecem Santo André (39%), Ribeirão Pires (38%), Mauá (37%), São Bernardo (35%), São Caetano (35%) e Diadema (31%).

Sto.André tem sete chamados de socorro por dia

O aumento de veículos antigos nas ruas do Grande ABC tem dado dor de cabeça para prefeituras da região. Somente em Santo André, média de sete veículos são socorridos por dia pelas equipes de trânsito.

De acordo com balanço divulgado pela Prefeitura, neste ano foram atendidos 1.909 chamados na cidade para remoção de veículos por guincho, em sua maioria, para atender problemas de pane mecânica, elétrica e seca. Demais municípios afirmaram também atender demandas do tipo, mas não detalharam número de ocorrências.

Mesmo com dificuldades recorrentes, motoristas da região que possuem veículos antigos são enfáticos ao declarar seu amor pelos carros. É o caso do aposentado Manuel Figueiredo dos Anjos, 71 anos, que até hoje fala com orgulho do seu Fusca 1993 de cor verde. “É um filho para mim. Foi com ele que levei minha filha (ao hospital) para ter meu primeiro neto”, se recorda.

Embora familiares peçam para que ele troque o veículo, seu Manuel, como é conhecido na Vila Helena, em Santo André, faz questão de negar. “Esse daqui vai comigo para muitos lugares ainda.”

O mesmo carinho é destacado pelo mecânico Adalberto Damião dos Santos, 61. Em sua garagem, ele fala com paixão do Chevette 1989. “Para que vou ter carro novo? Se dá uma batida já quebra todo. É cheio de ‘firula’ essas coisas”, destaca.

Ainda de acordo com o levantamento do Detran-SP (Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo), hoje, 52.305 veículos emplacados no Grande ABC têm idade superior a 50 anos.



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Um terço da frota da região tem mais de 20 anos

Conforme especialistas, automóveis antigos poluem mais e prejudicam a fluidez do trânsito

Daniel Macário
Do Diário do Grande ABC

18/10/2017 | 22:54


 Veículos com idade superior a 20 anos já representam 36% da frota do Grande ABC. Segundo levantamento feito pelo Detran-SP (Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo) a pedido do Diário, do total de 1,8 milhão de automóveis que circulam pelas sete cidades diariamente, 662 mil foram fabricados antes de 1997, ou seja, já apresentam condições de risco para o sistema viário ao contribuir com o agravamento da poluição atmosférica e com congestionamentos diários, tendo em vista as quebras.

Na comparação com 2016, houve acréscimo de 61 mil veículos com idade superior a 20 anos à frota de automóveis da região (alta de 10%). O cenário de veículos antigos da região já supera o da Capital, onde 35% dos automóveis foram fabricados há duas décadas. Segundo especialistas, a crise econômica do País impacta diretamente o poder de compra de moradores do Grande ABC, considerado o berço da indústria automotiva.

“Com a economia do País ainda instável, dificilmente as pessoas devem trocar de carro. A alta nas venda é restrita a um pequeno público. A tendência é que a frota de veículos antigos aumente ainda mais nos próximos anos”, avalia Luiz Vicente Figueira de Mello, professor de engenharia de tráfego da Universidade Presbiteriana Mackenzie Campinas.

Embora o segmento de automóveis e comerciais leves tenha apresentado, no acumulado do ano, alta de 7,36% contra 2016 – passou de 1,61 milhão para 1,5 milhão de emplacamentos –, na análise do especialista o cenário atual dificilmente será revertido a curto prazo. A afirmação de Mello leva em conta mecanismos criados pelo próprio governo para que a população mantenha veículos antigos, como é o caso da isenção no pagamento de IPVA (Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores) concedida a proprietários de automóveis com mais de 20 anos de fabricação. “Sabemos que tirar esse benefício é medida impopular, mas se isso não for feito, assim como ocorreu em outros países, essa situação só tende a piorar.”

A preocupação do especialista tem como base o fato de, com frota cada vez mais antiga, o sistema viário da região estar à beira de “colapso”. “Mesmo que o proprietário faça manutenção regularmente, esse veículo, com o passar do tempo, não terá mais condições adequadas para circular na rua”, ressalta.
Para ilustrar a situação, Mello destaca que a pane de um automóvel em avenida que recebe por hora cerca de 1.800 veículos pode gerar transtornos aos demais condutores que trafegam pelo sistema viário. “Se esse motorista esperar 30 minutos pelo guincho, teremos como resultado cinco quilômetros de congestionamento”, enfatiza.

O docente ainda cita indicadores de poluição dos municípios, que são agravadas com a frota cada vez mais antiga, como problema. “Esses veículos fabricados em 1997 não possuem dispositivos adequados para emitir menos poluentes”, lembra.

No levantamento feito pelo Detran-SP, Rio Grande da Serra lidera o índice de veículos produzidos há 20 anos. No município, 40% dos automóveis foram fabricados em 1997. Na sequência aparecem Santo André (39%), Ribeirão Pires (38%), Mauá (37%), São Bernardo (35%), São Caetano (35%) e Diadema (31%).

Sto.André tem sete chamados de socorro por dia

O aumento de veículos antigos nas ruas do Grande ABC tem dado dor de cabeça para prefeituras da região. Somente em Santo André, média de sete veículos são socorridos por dia pelas equipes de trânsito.

De acordo com balanço divulgado pela Prefeitura, neste ano foram atendidos 1.909 chamados na cidade para remoção de veículos por guincho, em sua maioria, para atender problemas de pane mecânica, elétrica e seca. Demais municípios afirmaram também atender demandas do tipo, mas não detalharam número de ocorrências.

Mesmo com dificuldades recorrentes, motoristas da região que possuem veículos antigos são enfáticos ao declarar seu amor pelos carros. É o caso do aposentado Manuel Figueiredo dos Anjos, 71 anos, que até hoje fala com orgulho do seu Fusca 1993 de cor verde. “É um filho para mim. Foi com ele que levei minha filha (ao hospital) para ter meu primeiro neto”, se recorda.

Embora familiares peçam para que ele troque o veículo, seu Manuel, como é conhecido na Vila Helena, em Santo André, faz questão de negar. “Esse daqui vai comigo para muitos lugares ainda.”

O mesmo carinho é destacado pelo mecânico Adalberto Damião dos Santos, 61. Em sua garagem, ele fala com paixão do Chevette 1989. “Para que vou ter carro novo? Se dá uma batida já quebra todo. É cheio de ‘firula’ essas coisas”, destaca.

Ainda de acordo com o levantamento do Detran-SP (Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo), hoje, 52.305 veículos emplacados no Grande ABC têm idade superior a 50 anos.

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