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Loba e cordeiro em jogo de ideias

A peça Usufruto, escrita e encenada por Lúcia
Veríssimo, abre temporada quarta, no Teatro Faap


Thiago Mariano
Do Diário do Grande ABC

18/01/2010 | 07:00


Esqueça a polemizada exibição de Usufruto na Festa Internacional de Teatro de Angra dos Reis (RJ) no ano passado. A peça, escrita e encenada por Lúcia Veríssimo, abre temporada quarta, no Teatro Faap, em São Paulo, para mostrar que, longe de ser assunto pela cena de sexo ou pelo flerte de uma cinquentona com um rapaz de 30 e poucos anos, traz colagem discutiva sobre o posicionamento de gerações diferentes e suas atuações na sociedade.

"A idade não é o fator determinante no espetáculo, apenas quando se trata de provar como a minha geração é menos careta que a geração mais nova. As cenas ousadas são dentro do contexto do espetáculo e relevantes apenas para provar um ponto de vista, mas decididamente não é o mais extraordinário", comenta Lúcia, acrescentando que sabe da força do espetáculo, mas que também acredita que muita gente se interessará pela relação sexual que ocorre em cena.

O texto foi escrito por Lúcia nos intervalos das gravações da novela América, em 2005. Ele ficou guardado até José Possi Neto, que assina a direção do espetáculo, ter lido e encorajado Lúcia a encená-lo.

No palco, um homem e uma mulher se encontram em apartamento de frente para o mar, que está à venda. Sozinhos, disputam a compra do imóvel e ela propõe um jogo, onde o perdedor será obrigado a desistir.

"O personagem masculino está no auge da juventude, é bem-sucedido e acredita piamente que o mundo está em suas mãos e, portanto, tem certeza absoluta sobre todos os assuntos". A mulher, aos 50 anos, esbanja juventude e beleza, com seu comportamento debochado e atrevido. "Ela ama o exercício da perversão, mas perversão na melhor forma, apenas com o efeito de alterar a visão hermética e retrógrada das pessoas sobre suas escolhas", entrega Lúcia.

O jogo de ideias entre os personagens de Lúcia e Raphael Viana, que interpreta o rapaz, encontra diferentes posições culturais, sociais e sexuais. "Imagine algo muito duro tentando ser dobrado e algo mais maleável. Imaginou o que pode acontecer numa situação como essa?"

A fugaz relação ainda coloca em xeque a debochada e irreverente mulher. "Ela tem fragilidades como qualquer pessoa, mas camufla bastante, o que a faz, em alguns momentos, parecer muito forte. Mas esconde um segredo até o final da peça. Esse segredo dá um peso à ela que não é compreendido nem sacado durante o espetáculo. Somente no final", revela a atriz.

O encerramento, inesperado e minuciosamente arquitetado, é que lança luz ao objetivo da peça. "Assim como o personagem do homem, o público também deixará o teatro cheio de dúvidas e reflexões. O jogo já havia sido programado ou aconteceu durante o encontro? Esta mulher é mesmo inescrupulosa ou agiu levada pela situação? Os fins justificam os meios? Quem de fato perdeu o jogo?", questiona Lúcia.

Usufruto Teatro Faap - Rua Alagoas, 903, São Paulo. Tel.: 3662-7233. 4ª e 5ª, às 21h. Ingr.: R$ 40. Até 1 de abril.



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