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Ficção e realidade


Dojival Filho
Do Diário do Grande ABC

01/02/2009 | 07:00


O resgate histórico proposto pelo filme "Lula - O Filho do Brasil", que retrata os conturbados anos 1970, período de intensa mobilização contra a ditadura militar, provocou reações bem diferentes nos figurantes. O discurso contundente do personagem, interpretado com competência por Rui Ricardo Diaz, fez o metalúrgico aposentado Sidnei Pironato lembrar-se do vigor da juventude.

 "Pô, o ator tá igualzinho ao Lula. Eu era moleque, tinha 22 anos na época, mas acompanhava tudo. Voltei no tempo, meu", comentou.

 Sidnei discordou da versão apresentada no filme sobre a assembleia que decidiu a respeito da manutenção da greve de 1979. No roteiro, baseado no livro de Denise Paraná, com título homônimo ao do longa-metragem, os grevistas não esperavam que milhares de pessoas se reunissem no Estádio 1º de Maio, na Vila Euclides, em São Bernardo.

 Por isso, não tinham providenciado um sistema de som que amplificasse os discursos de Lula, o que obrigou o líder sindical a apelar para um curioso expediente. Ele pediu que os metalúrgicos próximos ao palanque improvisado repassassem suas mensagens para os que estavam atrás, até que todos escutassem.

 "Não foi bem assim. No dia, teve um pessoal que até contratou um equipamento, mas não entregaram a aparelhagem", diz Pironato.

 Também ex-metalúrgico, Tomás Aquino de Souza, não alimenta qualquer nostalgia em relação à época das históricas paralisações dos trabalhadores. "Não tenho saudade nenhuma. Foi uma época muito ruim. Tinha um filho pequeno e lembro que, em uma das greves, pensei: ‘Meu Deus, o que vou fazer da minha vida se perder o emprego'. Fiquei desempregado, mas não furei a greve".

 Ele relembra que, apesar das adesões de seus companheiros de categoria, havia muitos pelegos (aqueles que não aderiam às paralisações) e agentes dos órgãos de segurança infiltrados no sindicato.

 "A gente via se o cara era metalúrgico pelas unhas dele. Se não tivessem graxa, nós já sabíamos que devia ser gente de fora", explicou Souza.

 SOLDADO SINDICALISTA - Não foram todos os figurantes que apresentaram uma visão política de esquerda ou simpatia pelo presidente Lula. O eletricista aposentado Isaac de Paula falou com orgulho da época em que foi cabo do Exército, nos anos 1960. "Sinceramente, nunca bati em ninguém, mas já derrubei muita porta de faculdade. Eu gosto mesmo é de disciplina", revelou.

 Perguntado sobre a cena que tinha acabado de filmar, em que policiais prendiam e batiam nos manifestantes à saída do estádio, foi taxativo. "A polícia tem de botar ordem nas coisas. É preciso fazer isso. Tenho saudade da minha época do Exército, quando não era essa bagunça que acontece hoje em dia".



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Dojival Filho
Do Diário do Grande ABC

01/02/2009 | 07:00


O resgate histórico proposto pelo filme "Lula - O Filho do Brasil", que retrata os conturbados anos 1970, período de intensa mobilização contra a ditadura militar, provocou reações bem diferentes nos figurantes. O discurso contundente do personagem, interpretado com competência por Rui Ricardo Diaz, fez o metalúrgico aposentado Sidnei Pironato lembrar-se do vigor da juventude.

 "Pô, o ator tá igualzinho ao Lula. Eu era moleque, tinha 22 anos na época, mas acompanhava tudo. Voltei no tempo, meu", comentou.

 Sidnei discordou da versão apresentada no filme sobre a assembleia que decidiu a respeito da manutenção da greve de 1979. No roteiro, baseado no livro de Denise Paraná, com título homônimo ao do longa-metragem, os grevistas não esperavam que milhares de pessoas se reunissem no Estádio 1º de Maio, na Vila Euclides, em São Bernardo.

 Por isso, não tinham providenciado um sistema de som que amplificasse os discursos de Lula, o que obrigou o líder sindical a apelar para um curioso expediente. Ele pediu que os metalúrgicos próximos ao palanque improvisado repassassem suas mensagens para os que estavam atrás, até que todos escutassem.

 "Não foi bem assim. No dia, teve um pessoal que até contratou um equipamento, mas não entregaram a aparelhagem", diz Pironato.

 Também ex-metalúrgico, Tomás Aquino de Souza, não alimenta qualquer nostalgia em relação à época das históricas paralisações dos trabalhadores. "Não tenho saudade nenhuma. Foi uma época muito ruim. Tinha um filho pequeno e lembro que, em uma das greves, pensei: ‘Meu Deus, o que vou fazer da minha vida se perder o emprego'. Fiquei desempregado, mas não furei a greve".

 Ele relembra que, apesar das adesões de seus companheiros de categoria, havia muitos pelegos (aqueles que não aderiam às paralisações) e agentes dos órgãos de segurança infiltrados no sindicato.

 "A gente via se o cara era metalúrgico pelas unhas dele. Se não tivessem graxa, nós já sabíamos que devia ser gente de fora", explicou Souza.

 SOLDADO SINDICALISTA - Não foram todos os figurantes que apresentaram uma visão política de esquerda ou simpatia pelo presidente Lula. O eletricista aposentado Isaac de Paula falou com orgulho da época em que foi cabo do Exército, nos anos 1960. "Sinceramente, nunca bati em ninguém, mas já derrubei muita porta de faculdade. Eu gosto mesmo é de disciplina", revelou.

 Perguntado sobre a cena que tinha acabado de filmar, em que policiais prendiam e batiam nos manifestantes à saída do estádio, foi taxativo. "A polícia tem de botar ordem nas coisas. É preciso fazer isso. Tenho saudade da minha época do Exército, quando não era essa bagunça que acontece hoje em dia".

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