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Aumento do petróleo eleva inflação


Luciele Velluto
Do Diário do Grande ABC

06/07/2008 | 07:06


Os seguidos recordes de alta petróleo no mercado internacional parecem um assunto distante, ainda mais porque a cotação é em dólar - na última quinta-feira, o barril fechou a US$ 145,29 o barril no exterior, Mas esse valor quer dizer muito para o consumidor brasileiro, e não se trata de um possível aumento da gasolina. Seu custo está ligado a todo tipo de elevação de preços. Do petróleo são extraídos produtos vitais para inúmeros segmentos da indústria, e vão muito além da gasolina e do diesel (esses são apenas os mais conhecidos do consumidor).

A partir do óleo bruto - chamado de ‘ouro negro' - também são extraídos o GLP (gás liquefeito de petróleo ou gás de cozinha, como é mais conhecido), óleo combustível (fonte de energia industrial), querosene (usado na aviação), insumos para a agricultura (fertilizantes e agrotóxicos) e produtos de plástico. Quase todos os produtos industrializados - e mesmo os agrícolas - acabam sofrendo algum tipo de influência quando o preço do petróleo está em alta.

"Mesmo quando não há petróleo na composição do produto, não podemos esquecer que a mercadoria precisa ser transportada. E é aí que ele vai pesar, pois a logística no Brasil usa caminhões, que necessitam de diesel", explica o coordenador do programa de Pós-Graduação em Energia da UFABC (Universidade Federal do ABC), João Manoel Losada Moreira. Segundo o coordenador, a cadeia do petróleo se divide da seguinte maneira no País: 16% se transforma em gasolina; 34% vira diesel; 7,6%, GLP; 5%, em querosene; 16,6%, óleo combustível; 11% em nafta (insumo do setor petroquímico), entre outros.

O especialista e diretor do CBIE (Centro Brasileiro de Infra-Estrutura), Adriano Pires, conta que a inflação acontece de forma indireta. "Os seguidos aumentos nos preços do barril já causaram encarecimento dos produtos plásticos, em fertilizantes e nas passagens aéreas, por exemplo, que devem continuar subindo."

Para Pires, a inflação só não é maior porque os combustíveis no País são subsidiados (parcela que o governo paga para cobrir os custos e não repassar aos preços). "Isso esconde a inflação, pois o governo abre mão de impostos para segurar o preço da gasolina, do diesel e do gás de cozinha. Em outros países, onde não há essa política, a alta do petróleo está causando recessão. Com a inflação crescente, o governo sobe juros e o crescimento do País diminui de ritmo. E isso também vai afetar o Brasil como exportador", comenta.

O especialista critica a decisão do governo de elevar os subsídios da gasolina em detrimento do diesel, que subiu mais de 10%, o que afeta toda a população, principalmente as camadas menos privilegiadas. "Quem usa gasolina é a classe média e rica", diz.

Para especialista, óleo encarece alimentos

O especialista em infra-estrutura Adriano Pires descorda das críticas internacionais de que o aumento do preço dos alimentos são influenciados pela produção dos biocombustíveis. "O petróleo tem um impacto muito maior do que o etanol no Brasil", afirma.

Para Pires, a cadeia da cana-de-açúcar tem um efeito muito menor que a do petróleo, justificada pela sua presença em quase todo o setor produtivo. "É difícil encontrar um produto que não sofra impacto com a alta no preço do barril."

O coordenador de Pós-Graduação em Energia da UFABC, João Manoel Losada Moreira, concorda com Pires. "Nos Estados Unidos e na Europ,até pode haver reflexos negativos, pois o biocombustível é extraído do milho, que antes era usado na cadeia alimentícia. Já no Brasil, além de açúcar, não há outros produtos influenciados pela cana", comenta.

Para Moreira, o País também não enfrenta pressões na produção de cana, porque há espaço disponível para a plantação, diferente da Europa, que substituiu o cultivo de alimentos para plantar milho destinado ao etanol.

Auto-suficiência não garante preços mais baixos ao Brasil

O Brasil é auto-suficiente em petróleo desde o ano passado, segundo o governo federal. Mas isso, sozinho, não garante que o preço do óleo no mercado internacional deixe de afetar o País.

O petróleo é uma commodity (mercadoria) negociada em todas as grandes bolsas mundiais e, por isso, seu preço é cotado em dólar. E a Petrobras, como única empresa do País a explorar petróleo e por ser uma companhia de capital aberto, é obrigada a utilizar a moeda norte-americana para se tornar mais atrativa para os investidores internacionais e oferecer base de comparação para os preços que pratica. E é exatamente essa equiparação que provoca inflação.

Segundo o coordenador da Pós-Graduação em Energia da UFABC, João Manoel Losada Moreira, o petróleo encontrado no território nacional é do tipo mais pesado em sua composição química, o que faz render menos combustível em seu refino. "Com o álcool, passou a sobrar gasolina, mas ainda somos importadores de diesel. Por isso, é necessário fazer esse acerto de mercado. Vender o que sobra e comprar o que falta", conta.

PRESSÕES - Segundo o especialista Adriano Pires, o aumento do preço petróleo é influenciado, primeiramente, por uma questão de oferta e procura. "Enquanto a oferta cresceu 1,2% de 2000 a 2007, a demanda subiu 1,6% no período. O mundo consome mais do que produz atualmente."

Os subsídios de países como China e Índia (que elevam o consumo interno) e a especulação de mercado frente às notícia de produtores também acabam pesando no preço.



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