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Por que o Brasil cresce menos do que poderia?


Sandro Renato Maskio

10/05/2014 | 07:05


Este é o subtítulo do recém-lançado livro do prof. Fábio Giambiagi, que tem provocado reflexões interessantes sobre a economia brasileira, em que pese algumas divergências sob a minha ótica de análise. No triênio 2011 – 2013, o crescimento econômico brasileiro foi um pouco superior a 2% ao ano. Já a indústria cresceu cerca de 0,7% ao ano. Esta não é observação referente somente aos últimos anos. O crescimento econômico brasileiro observado no período entre 1977 e 2013 é de apenas 2,80% ao ano.

Entre as décadas de 1930 e meados da década de 1970, o Brasil centrou seus esforços de política econômica na política de industrialização, o que promoveu a mudança do eixo dinâmico da economia brasileira do setor agrário para a indústria. Neste período, a atuação do Estado foi fundamental, especialmente no processo de atração e efetivação de investimentos produtivos, forçando a marcha da economia brasileira, como interpretaram Antônio Barros de Castro e Francisco Eduardo Pires de Souza no livro que se tornou uma referência.

A partir da década de 1980, com o estrangulamento orçamentário do setor púbico e a crise da dívida externa, o Estado perdeu sua capacidade de investir. Ao mesmo tempo, devido a conjunção de fatores, que inclui os problemas orçamentários, a inflação iniciou seu ciclo de elevação. A partir daí, foi mais de uma década de esforços, alguns planos econômicos e troca de moeda, para conseguirmos vencer a inflação. Mesmo após o Plano Real, que completa 20 anos em 2014, ter conseguido reduzir as taxas inflação para níveis “administráveis”, não conseguimos retomar ciclo de investimentos que propicie o crescimento da economia.

A expansão da economia é fundamental ao longo do tempo por garantir a ampliação da disponibilidade de bens e serviços à sociedade, a chamada ampliação da riqueza. A longo prazo é esta ampliação da produção que possibilita o aquecimento do mercado de trabalho, a geração sustentável da renda e das condições para diminuir a pobreza, ampliar o bem estar.

Na semana passada, durante a palestra ‘dúvida e perspectivas sobre a economia Brasileira’, promovida pelo Observatório Econômico da Universidade Metodista de São Paulo e proferida pelo professor Júlio Manuel Pires, da FEA-USP/RP (Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo – Campus Ribeirão Preto), a discussão central esteve em torno dos fatores inibem o crescimento da economia. Mas por que a economia brasileira cresce tão pouco? Se me pedissem para responder esta questão em uma única frase, diria sem dúvidas: “é porque não conseguimos estimular a atividade produtiva, a geração de riqueza”.

Levando em consideração a dinâmica econômica do mundo atual, regida pelas decisões de mercado, esta tarefa envolve atrair os agentes econômicos a disporem de capital para realizar investimentos produtivos.

Os empresários do setor privado apontam uma série de fatores que dificultam o aporte de capital no processo de produção no Brasil. Os três principais têm sido o alto custo de produção proporcionado pela carga tributária, a elevada taxa de juros e os encargos trabalhistas; a deficiência na oferta de serviços de base e o alto nível de incerteza. Todo este ambiente tem provocado outra anomalia, comparativamente, a outras economias. Essa teia de fatores é complexa e depende de alterações institucionais e estruturais para ser minimizada. 



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Por que o Brasil cresce menos do que poderia?

Sandro Renato Maskio

10/05/2014 | 07:05


Este é o subtítulo do recém-lançado livro do prof. Fábio Giambiagi, que tem provocado reflexões interessantes sobre a economia brasileira, em que pese algumas divergências sob a minha ótica de análise. No triênio 2011 – 2013, o crescimento econômico brasileiro foi um pouco superior a 2% ao ano. Já a indústria cresceu cerca de 0,7% ao ano. Esta não é observação referente somente aos últimos anos. O crescimento econômico brasileiro observado no período entre 1977 e 2013 é de apenas 2,80% ao ano.

Entre as décadas de 1930 e meados da década de 1970, o Brasil centrou seus esforços de política econômica na política de industrialização, o que promoveu a mudança do eixo dinâmico da economia brasileira do setor agrário para a indústria. Neste período, a atuação do Estado foi fundamental, especialmente no processo de atração e efetivação de investimentos produtivos, forçando a marcha da economia brasileira, como interpretaram Antônio Barros de Castro e Francisco Eduardo Pires de Souza no livro que se tornou uma referência.

A partir da década de 1980, com o estrangulamento orçamentário do setor púbico e a crise da dívida externa, o Estado perdeu sua capacidade de investir. Ao mesmo tempo, devido a conjunção de fatores, que inclui os problemas orçamentários, a inflação iniciou seu ciclo de elevação. A partir daí, foi mais de uma década de esforços, alguns planos econômicos e troca de moeda, para conseguirmos vencer a inflação. Mesmo após o Plano Real, que completa 20 anos em 2014, ter conseguido reduzir as taxas inflação para níveis “administráveis”, não conseguimos retomar ciclo de investimentos que propicie o crescimento da economia.

A expansão da economia é fundamental ao longo do tempo por garantir a ampliação da disponibilidade de bens e serviços à sociedade, a chamada ampliação da riqueza. A longo prazo é esta ampliação da produção que possibilita o aquecimento do mercado de trabalho, a geração sustentável da renda e das condições para diminuir a pobreza, ampliar o bem estar.

Na semana passada, durante a palestra ‘dúvida e perspectivas sobre a economia Brasileira’, promovida pelo Observatório Econômico da Universidade Metodista de São Paulo e proferida pelo professor Júlio Manuel Pires, da FEA-USP/RP (Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo – Campus Ribeirão Preto), a discussão central esteve em torno dos fatores inibem o crescimento da economia. Mas por que a economia brasileira cresce tão pouco? Se me pedissem para responder esta questão em uma única frase, diria sem dúvidas: “é porque não conseguimos estimular a atividade produtiva, a geração de riqueza”.

Levando em consideração a dinâmica econômica do mundo atual, regida pelas decisões de mercado, esta tarefa envolve atrair os agentes econômicos a disporem de capital para realizar investimentos produtivos.

Os empresários do setor privado apontam uma série de fatores que dificultam o aporte de capital no processo de produção no Brasil. Os três principais têm sido o alto custo de produção proporcionado pela carga tributária, a elevada taxa de juros e os encargos trabalhistas; a deficiência na oferta de serviços de base e o alto nível de incerteza. Todo este ambiente tem provocado outra anomalia, comparativamente, a outras economias. Essa teia de fatores é complexa e depende de alterações institucionais e estruturais para ser minimizada. 

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