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Cantar para o bebê ajuda no desenvolvimento, explica especialista

Mesmo sem cantar bem, pais podem usar a própria voz para acalmar, interagir e estimular a comunicação do bebê

15/07/2026 | 14:14
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FOTO: Freepik Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Muitos pais deixam de cantar para o bebê porque acham que desafinam, não têm ritmo ou não sabem escolher a música certa. Mas, na primeira infância, a performance não é o mais importante.
 

Segundo Cintya Soares, musicista e fonoaudióloga, a voz dos pais pode ser um estímulo importante para o bebê porque envolve presença, afeto e interação.

“A criança não está preocupada se você canta afinado. Ela quer carinho, afeto e que você olhe para ela”, avalia.

Na prática, cantar, conversar e brincar com sons ajuda o bebê a perceber a presença do adulto e participar de uma troca. Isso pode acontecer durante o banho, na troca de roupa, antes de dormir ou em uma brincadeira no colo.

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A voz dos pais acalma?

A voz dos pais é uma das primeiras referências do bebê. Por isso, pode ajudar a transmitir segurança e acolhimento em momentos de choro, cansaço ou irritação.
 

Cintya lembra que, muitas vezes, os adultos tentam acalmar a criança com chupeta, brinquedo, aplicativo ou algum objeto sonoro. Em alguns casos, no entanto, a resposta pode estar em algo mais simples: olhar, cantar e conversar.

“É só a gente interagir, cantar, conversar. Muitas vezes, a criança está chorando, você conversa com ela, ela para, fica te olhando e depois sorri”, diz.

Como usar a voz na rotina do bebê?

Não é preciso montar uma atividade especial. A música pode entrar em momentos comuns do dia. Veja algumas formas simples:

1-Cantar na troca de roupa: uma canção curta pode ajudar o bebê a associar aquele momento a uma interação afetiva.

2-Usar músicas no banho: repetir a mesma música durante o banho pode ajudar o bebê a reconhecer aquele momento da rotina.

3-Brincar com sons e palmas: palmas, estalos leves, sílabas repetidas e pequenas melodias ajudam o bebê a perceber ritmo e entonação.

4-Conversar durante as tarefas: narrar o que está acontecendo também estimula a escuta. Frases simples, ditas com calma, já criam troca.

5-Repetir músicas conhecidas: a repetição ajuda o bebê a reconhecer sons, esperar trechos e reagir com o corpo, o olhar ou o sorriso.

Precisa usar brinquedos musicais?

Brinquedos sonoros podem fazer parte da rotina, mas não substituem a interação com os pais. Para Cintya, o estímulo mais importante é o contato pessoal.

Um brinquedo que toca música, vibra ou emite sons pode chamar atenção por alguns minutos. Mas ele não oferece a mesma troca de um adulto que olha, responde, canta e observa a reação da criança.

A especialista também chama atenção para o excesso de recursos prontos. Aplicativos, vídeos e brinquedos podem até ajudar em alguns momentos, mas não devem ocupar o lugar da presença dos pais.

O que observar no bebê?

Os pais podem prestar atenção nas reações da criança. O bebê olha quando ouve a voz? Sorri? Para de chorar? Tenta imitar sons? Balança o corpo? Reage quando a música se repete?

Esses sinais mostram que a criança está participando da interação, mesmo antes de falar. Para a fonoaudióloga, a comunicação começa antes das palavras e também passa pelo olhar, pelo gesto, pela escuta e pela resposta ao outro.

Cantar para o bebê, portanto, não precisa ser uma apresentação. Pode ser apenas uma forma de estar perto. Mesmo sem voz afinada, os pais podem usar a música para criar contato, acalmar e estimular a comunicação nos primeiros anos de vida.




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