MP do frete Agesbec, complexo logístico e porto seco da cidade, aponta que todo fluxo de cargas está parado e estima prejuízo milionário
Reprodução/Sindicam

A greve dos caminhoneiros já provoca reflexos na logística do Grande ABC. A Agesbec (Armazéns Gerais Entrepostos São Bernardo), entreposto responsável pelo atendimento diário de 100 empresas, cancelou todas as operações desta terça-feira (14) por falta de condições para o transporte de cargas. Com pontos de protesto nas rodovias Anchieta e Imigrantes, os motoristas autonômos buscam pressionar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para colocar em votação a MP (Medida Provisória) que estabelece piso mínimo do frete.
Já aprovado pela Câmara dos Deputados, o texto perde validade na quinta-feira (16) se não for apreciado. Governo e oposição tentam um acordo para cumprir o prazo.
O diretor-presidente da entidade, Ricardo Drago, afirma que entre 300 e 400 entregas deixaram de ser realizadas nesta terça. Como a maior parte das cargas passa pelo porto de Santos, não há rotas alternativas capazes de evitar os impactos da paralisação. “O nosso dia está paralisado. Todos os fluxos (de veículos) foram sendo cancelados pela falta de condições de transporte e pelo risco de vandalismo.”
Na avaliação dele, os efeitos vão além das empresas de transporte e podem atingir toda a cadeia logística do País. “Os impactos são significativos com a paralisação imediata do fluxo de recebimento e expedição. Em curto prazo, portos e aeroportos ficam obstruídos, o que compromete cadeias de produção e distribuição. É um cenário de caos, sem um plano que não seja a negociação e o encerramento dagreve.”
O empresário afirmou ainda que, neste momento, a recomendação para as emrpesas é não tentar manter as operações enquanto não houver garantia de segurança. “Não adianta tentar furar o bloqueio para não colocar em risco a carga nem o transportador. A solução deve ser a negociação.”
Em nota, o Sindicam (Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens da Baixada Santista) afirma que não há previsão para encerrar as mobilizações. “Ela é legítima, pacífica e tem como finalidade a defesa dos direitos da categoria, que há muito tempo vêm sendo reivindicados e, infelizmente, não têm sido plenamente atendidos.”
Também reafirma que têm compromisso com o diálogo e esperam que as tratativas avancem.
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