Preocupante Foram registrados nas delegacias do Grande ABC 206 episódios no 1º trimestre, 111 deles na faixa etária de 0 a 12 anos
FOTO: Denis Maciel/DGABC (Ilustrativa)

O Grande ABC registrou 206 boletins de ocorrência com denúncias de crimes sexuais contra menores no primeiro trimestre deste ano. Em 111 deles (54%), as vítimas eram crianças de até 12 anos. Os adolescentes, entre 13 e 17 anos, representaram os 95 casos restantes (46%). No mesmo período de 2025, a região contabilizou 198 ocorrências. Os dados são da SSP (Secretaria da Segurança Pública), obtidos pelo Diário por meio da Lei de Acesso à Informação.
Grande parte das ocorrências envolvendo vítimas de até 14 anos, 99 casos (48% do total), foi registrada como estupro de vulnerável, já que o artigo 217-A do Código Penal considera que pessoas nessa faixa etária não têm capacidade para consentir com qualquer ato de natureza sexual.
Entre os adolescentes de 15 a 17 anos, faixa que somou 53 registros, houve nove casos de estupro. Os demais boletins, considerando todas as idades, envolvem crimes como aliciamento, captura, aquisição e compartilhamento de imagens, importunação sexual e assédio sexual.
A delegada Raquel Gallinati afirma que as crianças são os principais alvos de criminosos sexuais devido à maior vulnerabilidade. “A criança ainda não tem maturidade para compreender que está sendo vítima de um crime. Muitas vezes, não consegue expressar o que aconteceu e, em diversos casos, sequer entende que aquela conduta é errada”, destaca.
“Os abusadores se aproveitam justamente dessa fragilidade. Costumam manipular a vítima por meio de presentes, falsas demonstrações de carinho, ameaças ou chantagens para impedir que ela conte o que aconteceu”, explica a policial.
Segundo Raquel Gallinati, na maioria das investigações o autor do crime é alguém do convívio da criança, como um familiar, vizinho, amigo da família ou responsável pelos seus cuidados. “Essa relação de confiança facilita a aproximação do agressor e dificulta a revelação do abuso.”
A identificação da violência sexual contra menores, principalmente quando praticada contra crianças pequenas, é complexa, pois a vítima dificilmente consegue denunciar o crime sozinha.
LEIA TAMBÉM:
Apreensão de menores tem a maior queda em sete anos no Grande ABC
“Por isso, a atenção de pais, familiares, professores, profissionais da saúde e de todos que convivem com a criança é fundamental. Mudanças repentinas de comportamento, medo de determinada pessoa, isolamento, dificuldades escolares, alterações no sono, na alimentação ou comportamentos sexualizados incompatíveis com a idade podem indicar que algo está acontecendo e precisa ser levado a sério”, enfatiza a delegada.
APÓS A DENÚNCIA
Os casos de violência contra crianças têm prioridade na atuação policial, segundo Raquel. “A polícia instaura a investigação, colhe depoimentos, reúne provas e solicita exames periciais. A criança é ouvida por meio de procedimentos específicos previstos em lei, justamente para evitar que reviva o trauma ao repetir o relato diversas vezes.”
Paralelamente, podem ser adotadas medidas de proteção, como o afastamento do agressor. Além da investigação criminal, há uma atuação integrada entre a polícia, o Ministério Público, o Poder Judiciário, o Conselho Tutelar e os serviços de saúde e assistência social, com o objetivo de garantir a proteção integral da criança ou do adolescente.
Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.