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Expansão de lojas on-line desafia comércio de rua no Grande ABC

Donos indicam queda no movimento pós-pandemia; especialista diz que integração de canais é caminho para varejo

João Vittor Espindula
Especial para o Diário
12/07/2026 | 08:34
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Denis Maciel/DGABC 26/6/26
Denis Maciel/DGABC 26/6/26 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O comércio eletrônico brasileiro deve movimentar R$ 259,8 bilhões em 2026, segundo projeção da Abiacom (Associação Brasileira de Inteligência Artificial e E-commerce). A estimativa sucede um 2025 de crescimento acelerado, quando o setor faturou R$ 235,5 bilhões, avanço de 15,3% em comparação ao ano anterior, e alcançou 94,2 milhões de compradores. Na semana em que é celebrado o dia do comerciante, na quinta-feira (16), empresários do Grande ABC afirmam que a expansão do ambiente digital reduziu o fluxo de clientes em lojas físicas e ampliou os desafios para o varejo tradicional.

Segundo eles, esse avanço é acompanhado por mudanças no comportamento dos frequentadores. A percepção é compartilhada por empresários que atuam há décadas no varejo e afirmam que a pandemia acelerou uma transformação que já estava em curso.

Há mais de 40 anos no Centro de São Bernardo, Maria Miranda, 65, proprietária do Magazine Baby Mônica, afirma que a internet trouxe praticidade e, diante desse cenário, ela teve que se adaptar. “As plataformas são ótimas, mas diminuíram muito as vendas na unidade. As pessoas têm muita comodidade. Inclusive, comecei a vender pela internet agora”, reforça.

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A avaliação é semelhante à de Simon Su, 29, proprietário da loja Angel Modas, no Centro de São Bernardo. Para ele, o período pós-pandemia consolidou hábitos de consumo que favoreceram o comércio eletrônico. “A crise causada pela Covid-19 promoveu o comércio on-line e a comodidade. As pessoas não querem mais sair tanto para comprar porque conseguem olhar os produtos pelo celular e receber em casa.”

Simon Su aponta o aumento dos custos operacionais como outro desafio para os comerciantes. “O maior problema é que o povo não está mais na rua para comprar. Enquanto isso, o aluguel dos comércios aumentou muito.”

Mesmo com presença digital, o lojista considera difícil competir com grandes plataformas e marketplaces, que já possuem marcas consolidadas junto ao público.

Para Maurício Salvador, presidente do conselho da Abiacom, a relação entre comércio eletrônico e lojas físicas não deve ser vista apenas sob a ótica da concorrência, porque cada canal possui vantagens próprias. Enquanto a internet consegue operar com custos menores e oferecer maior variedade de produtos, as lojas físicas agregam atendimento presencial, confiança e proximidade com o cliente. “O e-commerce tem a vantagem de não depender de um espaço físico e dos custos associados a ele. Já a loja física oferece uma experiência diferenciada e funciona como ponto de retirada, trocas e relacionamento com o cliente.”

Salvador avalia que pequenos comerciantes não devem tentar competir com grandes varejistas apenas por preço. “Essa é a regra número um. O caminho é buscar aquilo que a outra unidade não consegue oferecer com a mesma eficiência, como produtos voltados para nichos específicos.”

O especialista destaca que a presença digital deixou de ser opcional para boa parte dos negócios. Entretanto, ele alerta que os marketplaces devem servir como porta de entrada para novos clientes, sem que a empresa dependa exclusivamente dessas plataformas. “É fundamental ter um site próprio, canais próprios de atendimento e uma base de clientes. Deve ser uma vitrine para atrair pessoas, mas a empresa precisa construir sua própria identidade”, explica.

Se para parte dos comerciantes o crescimento do e-commerce representa uma perda de clientes, há quem enxergue os dois canais como complementares. A proprietária do comércio Andreia David Loja, no bairro Matriz, em Mauá, Andreia David, 41, conta que iniciou as vendas pela internet durante a pandemia e, posteriormente, abriu um ponto físico para transmitir mais confiança aos clientes.

Segundo a empresária, as redes sociais são a principal porta de entrada, mas a maior parte do faturamento ainda vem do atendimento presencial. “Para a visibilidade, o on-line representa cerca de 80%. As pessoas nos conhecem pelo digital e depois vêm nos visitar. As compras são majoritariamente da loja física, cerca de 60%.”

Ela explica que, durante a visita, o consumidor costuma comprar mais do que havia planejado inicialmente. “No on-line, a pessoa normalmente compra aquela peça específica que viu. Já na loja física, ela tem acesso a centenas de produtos, experimenta, recebe atendimento e acaba levando mais itens.”

Apesar de considerar os dois formatos essenciais para o negócio, Andreia afirma que cada canal enfrenta desafios diferentes. “Quem compra em uma plataforma dificilmente tem um atendimento humanizado. É isso que a gente procura oferecer para fidelizar o cliente.”

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