Logística Câmara aprovou MP que abre crédito de R$ 10 bilhões para subsidiar combustível no País e mitigar os efeitos de conflitos globais
Denis Maciel/DGABC

O preço médio de revenda do óleo diesel no Grande ABC subiu de R$ 6,06 na primeira semana de janeiro, entre os dias 4 e 10, para R$ 6,86 no balanço mais recente, de 28 de junho a 4 de julho – alta de 13,2%. Atualmente, os maiores valores são registrados em São Bernardo, onde o litro custa, em média, R$ 7,42, o que representa alta de 16,8% em seis meses, e em Santo André, com R$ 7,14 (alta de 15,7%). As informações são da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), que na região não monitora estabelecimentos de Rio Grande da Serra.
Impulsionado por tensões no Oriente Médio, o cenário pressiona as margens das empresas e interfere na base financeira das operações, com reflexos sobre os fretes e os preços nos supermercados. Com isso, a Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (8) a medida provisória 1344/26, que abre crédito extraordinário no Orçamento deste ano em R$ 10 bilhões para subsidiar parte do preço do diesel. O texto será enviado ao Senado.
Os preços do petróleo subiram mais de 8% nesta quarta, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarar que o acordo provisório com o Irã “acabou”, embora ele permita que as negociações sigam. O barril Brent, referência mundial, chegou a US$ 80,59 (R$ 414,73) por volta das 12h45 (de Brasília) – maior índice desde 22 de junho.
O professor de Economia da Universidade Anhembi Morumbi, Denis Medina, pontua que o diesel é o principal insumo de uma transportadora e pode representar de 35% a 45% de todos os custos operacionais. “Se as empresas não compensarem o aumentos de custo, elas quebram. Aliás, estão quebrando. Temos enfrentado mais recuperações judiciais do que na profunda crise de 2016 e na pandemia mundial.”
Segundo ele, guerras e incertezas logísticas que fizeram o preço do petróleo aumentar foram acompanhadas por um cenário interno de juros elevados (Selic em 14,5% ao ano), dependência de importação, que torna o País refém da variação cambial, e inflação, que gerou alta dos demais insumos e peças de manutenção.
O empresário Edvaldo Rodrigues, 42 anos, proprietário do Ed Carretos Mudanças e Fretes, na Vila Santa Luzia, São Bernardo, afirma que não consegue repassar todos os aumentos. “A concorrência é grande nessa área. Se eu aumentar muito o valor, o cliente vai achar caro e não vai me chamar. Os custos com diesel representam um terço do meu faturamento. De um mês para cá, os preços se estabilizaram, mas é complicado.”
O mesmo acontece com o empresário Marcelo Savo, 62, dono da Transportadora Savo, no bairro Fundação, em São Caetano. “Gastamos cerca de R$ 700 mil por mês com combustível. Isso é 40% do que ganhamos. Não temos muito o que fazer quando as oscilações ocorrem, porque não queremos perder a clientela.”
Os custos com alimentação também ficam mais pesados. “Os grupos mais afetados são frutas, verduras e legumes por serem consumidos frescos. O preço do combustível já reflete imediatamente porque esses alimentos circulam diariamente da área produtiva para os grandes centros comerciais. Para as comidas secas ou armazenadas, como feijão, arroz e carnes, o repasse não é instantâneo”, explica o engenheiro agrônomo da Craisa (Companhia Regional de Abastecimento Integrado de Santo André), Fábio Vezza.
(Colaborou João Vittor Espindula)
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