Evite acidentes No primeiro quadrimestre, Grande ABC contabiliza 341 atendimentos relacionados a acidentes com fogo, líquidos quentes ou fontes de calor
FOTO: Reprodução/Youtube

Com a queda das temperaturas, cresce também a necessidade de cuidados na hora de se aquecer, a fim de evitar acidentes provocados por fontes de calor. No primeiro quadrimestre do ano, a região registrou, em média, um atendimento por queimadura a cada oito horas – o equivalente a cerca de três casos por dia. Ao todo, foram 341 ocorrências entre janeiro e abril, de acordo com dados da Secretaria de Estado da Saúde.
Com a chegada do inverno e o decorrer das festividades juninas (que se estendem até julho), a Pasta alertou para o possível aumento de casos em razão da produção de formas de aquecimento improvisadas, como fogueiras e lareiras, ou até mesmo o manuseio de aquecedores, líquidos quentes e matérias inflamáveis.
No ano passado, o Grande ABC registrou 1.436 entradas médicas, sendo 34% (487) delas no período mais frio do ano (junho a setembro). Além disso, a quantidade de 2025 é 7% maior do que a registrada em 2024, quando foram contabilizados 1.339 casos na região.
O professor e coordenador de habilidades cirúrgicas da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), Gerson Vilhena, comentou que de fato esse período do ano se mostra mais suscetível aos acidentes. “As fogueiras improvisadas são sempre um risco maior para queimaduras. Além disso, as festas juninas com utilização de bombinhas e rojões também aumentam as queimaduras, principalmente nas mãos”, relatou o especialista.
Vilhena ainda alertou para a prática de correr atrás de balões, o que pode provocar acidentes com fios elétricos e possivelmente uma queimadura.
Já a presidente da Sociedade Brasileira de Queimaduras e cirurgiã plástica, Kelly Araújo, esclareceu que 70% dos casos acontecem em ambiente doméstico, portanto os moradores devem redobrar a atenção. “As pessoas tendem a permanecer mais tempo em casa durante o inverno, aumentando a exposição aos riscos domésticos. Além do uso mais frequente de aquecedores, lareiras e fogueiras, também cresce o número de escaldaduras causadas por bebidas e alimentos muito quentes, banhos aquecidos e bolsas de água quente”, disse.
Segundo a especialista, existem classificações dos acidentes. “As de primeiro grau atingem apenas a camada superficial da pele, causando vermelhidão, dor e ardor. As de segundo grau comprometem camadas mais profundas e costumam provocar bolhas, dor intensa e maior risco de infecção. Já as de terceiro grau destroem toda a espessura da pele e podem atingir músculos, tendões e até ossos”, pontuou a cirurgiã plástica.
Em relação aos casos mais graves, que tiveram maior intervenção médica, a Secretaria de Saúde do Estado apontou que no primeiro quadrimestre do ano foram 34 internações relacionadas a queimaduras na região. Em 2025, foram 121 casos, sendo 35% (42) em meses de inverno.
A médica explicou que as internações representam apenas os casos mais graves, mas a maioria das queimaduras é tratada em serviços de urgência ou em UBSs (Unidades Básicas de Saúde). “O ponto mais importante é que grande parte desses acidentes pode ser evitada com medidas simples de prevenção, informação e o uso seguro de equipamentos domésticos”, concluiu Kelly.
Estado alerta para cuidados sobre formas de aquecer durante o inverno
Para prevenir acidentes, a Secretaria de Estado da Saúde orienta a adoção de medidas simples no dia a dia. Entre elas estão evitar transportar recipientes com líquidos quentes em áreas de grande circulação, manter panelas e travessas afastadas das bordas de fogões e mesas, montar fogueiras apenas em locais abertos e sem o uso de álcool, não dormir com bolsas térmicas sobre o corpo e instalar grades de proteção em lareiras.
Segundo a Pasta, após uma queimadura, a recomendação é resfriar imediatamente a área afetada com água corrente por pelo menos 20 minutos. “Não devem ser aplicados gelo, pomadas, cremes, manteiga, pasta de dente ou qualquer outro produto caseiro sobre a lesão”, comunicou.
Além disso, a secretaria relatou que é importante retirar acessórios e roupas apertadas da região afetada, desde que não estejam aderidas à pele, e cobrir o local com um pano limpo.
Para atendimento, o Estado aconselha atendimento médico imediato. Em situações de emergência, a orientação é acionar o SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) pelo 192 ou o Corpo de Bombeiros pelo 193.
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