Palavra do Leitor

Trump e a Fifa
‘Infantino conversa com Trump mas diz que órgão da Fifa é independente’ (www.dgabc.com.br). O presidente Donald Trump, cujas controversas iniciativas frequentemente geram instabilidade global e dividem a opinião pública americana, acumula também um histórico de reveses políticos. No episódio mais recente, Trump interveio junto à Fifa para tentar anular a suspensão do jogador norte-americano Folarin Balogun, expulso na partida contra a Bósnia. O pedido acabou, infelizmente, sendo acatado pelo presidente da entidade, Gianni Infantino, permitindo que Balogun entrasse em campo contra a Bélgica na última segunda-feira, dia 6. O desfecho, contudo, não foi o esperado: a seleção dos EUA sofreu uma goleada por 4 a 1 e foi eliminada da competição, transformando a interferência política em mais um desgaste para a imagem da Casa Branca. Esse cenário de insucessos se estende às esferas internacional e doméstica. Ao tensionar os conflitos e promover uma retórica de guerra contra o Irã, o governo norte-americano colhe mais tensões do que vitórias estratégicas. Como reflexo, as pesquisas de opinião mostram um derretimento na avaliação popular de Trump, o que começa a prejudicar seriamente a imagem do Partido Republicano perante o eleitorado. Diante de tantas crises na política e na diplomacia, a única vitória recente que Donald Trump parece celebrar é de ordem estritamente pessoal: sua declaração de que faturou mais de US$ 1,4 bilhão (cerca de R$ 7,2 bilhões) com negócios e ativos de criptomoedas. Um dado que, para muitos, define as verdadeiras prioridades de seu perfil.
Paulo Panossian
São Carlos (SP)
Liberais e ‘esquerdistas’
O saudoso e genial Roberto Campos, que, ao lado de Rui Barbosa, foi o mais inteligente e culto político brasileiro de todos os tempos, disse a seguinte frase: “No meu dicionário, socialista é o cara que alardeia intenções e dispensa resultados, adora ser generoso com o dinheiro dos outros e prega igualdade social, mas se considera mais igual que os outros”. Eu acrescentaria outra frase dele, simples, e objetiva: “No Brasil, a burrice tem passado glorioso e futuro promissor”. Não à toa, Roberto Campos e Rui Barbosa eram liberais. Os defensores do verdadeiro liberalismo se tornaram ilhas em meio a um oceano de mediocridade, corrupção, incompetência e, por isso, estamos fracos e quase indefesos. Tomara que um dia nos livremos das amarras dos “esquerdistas” que vêm enganando as almas ingênuas, com os seus argumentos distorcidos, populistas e demagógicos há quase 18 anos, que só atrapalham o nosso desenvolvimento. Até quando vamos conviver com essa inércia?
Francisco Emídio Carneiro
São Bernardo
Escravidão em 2026
O resgate da doméstica mantida por 55 anos sem salário, em condomínio no Ceará, não é um caso isolado. De toda forma causa indignação e merece punição exemplar, pois ninguém pode ser submetido a uma condição tão degradante. Entretanto, o País convive com outra distorção bem menos discutida: trabalhadores que recusam o registro em carteira para não perder benefícios sociais. Diante da dificuldade de contratar quem aceite a formalização, muitos empregadores acabam cedendo, alimentando uma ilegalidade até que a relação termine e o conflito chegue à Justiça. Se todos conhecem esse problema, por que não criar regras de transição que permitam a formalização sem a perda imediata do benefício? Do jeito que está, cria-se um paradoxo: a lei combate a informalidade, mas as próprias regras acabam alimentando-a. Enquanto alguns casos ganham enorme repercussão, outras ilegalidades permanecem à sombra. Como escreveu Orwell em A Revolução dos Bichos, “todos são iguais, mas alguns são mais iguais que os outros”. Talvez fosse mais honesto reformular um sistema que empurra trabalhadores e empregadores para a clandestinidade do que fingir que o problema não existe. Afinal, escândalos legalizados o Brasil já coleciona aos montes.
Izabel Avallone
Capital
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