Bem-estar 'Novas vivênencias têm sido encaradas por mulheres maduras como ferramenta de bem-estar emocional e reconexão consigo mesmas', diz especialista
FOTO: Pexels

Durante décadas, muitas mulheres aprenderam a adiar desejos. Primeiro os filhos. Depois a carreira. Depois a casa, os compromissos, a rotina e todo mundo ao redor. Até que, em algum momento, surge uma pergunta silenciosa: e eu?
Para um número crescente de mulheres acima dos 50 anos, a resposta tem vindo em forma de passaporte. Mais do que uma tendência de turismo, especialistas observam um movimento emocional e comportamental: mulheres que, após décadas dedicadas ao cuidado com os outros, começam a escolher experiências que promovem prazer, autonomia e reconexão com a própria identidade.
Segundo Meg Getz, especialista em turismo internacional com mais de 40 anos de experiência acompanhando o comportamento de viajantes e atualmente radicada nos Estados Unidos, o que mudou não foi apenas o destino escolhido, mas a intenção por trás da viagem. “É muito comum ouvir delas: ‘agora é a minha vez’. Elas não querem mais ver tudo. Querem sentir. Querem viver a experiência sem pressa, sem culpa e sem a obrigação de cumprir um roteiro”, afirma.
O cérebro também gosta de novidades
Um artigo publicado na revista científica Nature Reviews Neuroscience aponta que a exposição a novidades, ambientes diferentes e novos aprendizados estimula a neuroplasticidade que é a capacidade do cérebro de criar novas conexões ao longo da vida. Traduzindo: experimentar o novo não alimenta apenas a alma; também desafia positivamente o cérebro.
Além disso, experiências prazerosas associadas à antecipação positiva, como planejar uma viagem, também costumam impactar o bem-estar emocional, reduzindo estresse e aumentando sensações ligadas à motivação, prazer e recompensa.
Existe ainda um contexto muito feminino nessa equação.
Depois dos 50, especialmente durante as fases de transição como climatério, menopausa, aposentadoria, filhos saindo de casa ou mudanças importantes na dinâmica familiar, muitas mulheres passam por uma revisão profunda de identidade. Quem sou agora? O que me faz bem? O que ainda quero viver?
Durante muito tempo, o autocuidado feminino foi vendido quase exclusivamente como estética: um creme, um ritual de beleza, uma pausa breve entre tarefas.
“Vejo muitas mulheres redescobrindo a leveza. Algumas viajam sozinhas pela primeira vez. Outras viajam com amigas. Outras simplesmente querem viver algo que sempre adiaram”, conta Meg.
E, curiosamente, nem sempre essa transformação está nos destinos mais óbvios, mas justamente nas experiências que permitem desacelerar e sentir.
Em Nova York, por exemplo, muitas brasileiras têm descoberto um outro ritmo. Há quem troque a intensidade de Manhattan por um dia entre vinícolas nos arredores da cidade, em Long Island, onde espumantes premiados, paisagens abertas e conversas sem pressa criam uma experiência mais contemplativa e sensorial.
Outras se permitem redescobrir o encantamento ao visitar o Belvedere Castle, escondido dentro do Central Park. Com arquitetura que remete a contos de fadas e uma vista privilegiada da cidade, o espaço oferece uma pausa inesperada, quase simbólica, em meio à correria urbana.
E há ainda quem encontre nos campos de lavanda, em plena floração durante o verão, uma experiência sensorial rara: caminhar entre tons de roxo, sentir o aroma suave no ar e se desconectar completamente do ritmo acelerado do cotidiano.
“Essas experiências se conectam muito com esse momento da vida. Não é sobre fazer mais, é sobre sentir melhor”, resume Meg.
Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.