Frente fria Primeira semana da nova estação provocou aumento da procura por casacos e jaquetas; varejo nacional deve movimentar R$ 63,3 bilhões
Denis Maciel/DGABC

A primeira semana de inverno, marcada por frente fria e tempestades, foi suficiente para aquecer as projeções de vendas do varejo de moda no Grande ABC. As estimativas divergem, enquanto alguns lojistas estão mais cautelosos e apontam alta de 20% em comparação ao mesmo período do ano passado, outros se mostram otimistas, com expectativa de dobrar o faturamento até o fim da estação.
O cenário positivo acompanha a avaliação da Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção), que vê condições mais favoráveis para o setor em 2026, após anos marcados por ondas de calor fora de época. O inverno deve movimentar cerca de R$ 63,34 bilhões no varejo de vestuário, o que indica aumento de 4,2% no ganho em relação ao ano anterior. Em volume, a projeção é de comercializar 1,85 bilhão de peças, principalmente até agosto.
O presidente da SOL (Sociedade Oliveira Lima), em Santo André, Djalma Lima, observa que os preços registraram reajustes em relação a 2025, mas avalia que o mercado permanece favorável para o consumidor. “Devido aos impostos, houve aumento de 5% a 10% de 2025 para cá. Mesmo assim, as mercadorias na região estão com valores legais. Abriu muita loja boa. O preço no Centro está bom.”
A percepção também é positiva entre os lojistas. Na Valentina, localizada na Marechal Deodoro, em São Bernardo, a expectativa é de crescimento entre 10% e 15% nas vendas frente ao desempenho das demais unidades da rede no ano passado.
A gerente da loja, Giovana Carvalho, afirma que a procura por roupas de inverno intensificou nos últimos dias. “As peças que mais vendemos são casacos, muita jaqueta, conjunto de moletom e peças de lã batida. O fluxo de vendas está muito bom. Temos novidades toda semana e a clientela está bem flexível com as opções de peças de inverno.”
Segundo ela, a estação tem peso importante no faturamento da empresa porque reúne produtos com maior valor agregado. “São peças mais caras porque usam tecidos mais grossos, de maior qualidade e mais trabalhados. Então, traz retorno maior para a loja”, comenta.
Na Indy Jeans, no Centro de São Bernardo, a avaliação é a mesma, embora a empresa ainda não tenha fechado uma projeção para o período. A responsável pela unidade, Gabriela Oliveira, ressalta que a preparação para essa época começou antes do inverno de fato iniciar. “Quando as temperaturas caíram, em maio, a gente já passou a investir mais em roupa de frio. As mercadorias chegaram meses atrás porque sabíamos que a procura iria subir bastante.”
O auxiliar administrativo Carlos Henriques Pacheco, 34 anos, de Nova Petrópolis, em São Bernardo, aproveitou a queda das temperaturas para renovar o guarda-roupa. Ele estima gastar cerca de R$ 500 em roupas para o inverno. “No ano passado, eu aproveitei as peças que já tinha, mas o frio chegou mais forte dessa vez e precisei comprar casaco, moletons e algumas blusas de manga comprida.”
Apesar de definir um orçamento médio, Pacheco tem pesquisado antes de definir os itens que vai levar. “Os preços aumentaram um pouco. Olhei em várias lojas até encontrar o melhor custo-benefício. Como são peças que vou usar por bastante tempo, prefiro investir em qualidade.” Para ele, o inverno exige gastos maiores do que em outras estações. “No calor, a gente resolve com uma camiseta, mas, agora, a conta fica mais alta.”
Nesse cenário, há empresários da região ainda mais otimistas em relação ao desempenho da estação. Na loja Linda Menina, no Centro de Santo André, a gerente Priscila Alves projeta crescimento de 100% nas vendas e no faturamento em comparação com o inverno de 2025.
“Tivemos semanas geladas ainda no outono e já houve muita saída de produtos desde o mês passado. Nesse inverno, as nossas perspectiva de aumento e de faturamento é de 100% em relação ao ano passado.” Priscila relata, ainda, aumento nos custos das mercadorias. “Todas as peças sofreram reajuste. Eu diria que algo em torno de 40%.”
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