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Estado tem maior acidente da história


Do Diário do Grande ABC

16/09/2011 | 07:30


"Nunca vi nada parecido." A mesma frase foi dita ontem, centenas de vezes, na altura do km 41 da Rodovia dos Imigrantes, em São Bernardo, sentido Capital. O espanto, partilhado por motoristas, passageiros, policiais, bombeiros, médicos e socorristas, se justificava: estavam diante da maior ocorrência da história das rodovias paulistas, segundo a Polícia Rodoviária Estadual. Por volta das 12h45, um mega-acidente envolveu cerca de 300 veículos e o engarrafamento se estendeu por dois quilômetros. Uma pessoa morreu e 29 ficaram feridas.

A causa do acidente foi a forte neblina que tomou conta da Imigrantes no início da tarde de ontem. A visibilidade era inferior a 20 metros, informou o comandante do 1º Batalhão da Polícia Rodoviária, Nilton Michelazzo. "As condições estavam péssimas. Não me lembro de ter visto nevoeiro tão intenso assim", afirmou. Apesar da situação crítica, a Ecovias, que administra o Sistema Anchieta-Imigrantes, realizava a Operação Comboio apenas para os veículos que trafegavam no sentido Litoral.

Segundo o comandante da Polícia Militar no Grande ABC, Roberval França, o efeito cascata teria começado depois que um ônibus de turismo bateu na traseira de um caminhão. "Mas, diante das proporções do acidente, fica muito difícil precisar como tudo se iniciou", disse. Com o asfalto molhado e o horizonte tomado pela neblina, os veículos que vinham atrás não conseguiram frear a tempo de evitar a batida.

A situação se agravou depois que um caminhão-tanque colidiu com mais dois caminhões - um deles carregava engradados de bebidas - e dois carros de passeio. Os cinco veículos foram tomados pelo fogo. "Houve pânico porque muita gente pensou que o caminhão-tanque fosse explodir, Mas ele não transportava combustível. Mesmo assim, a batida provocou o incêndio", contou Roberval França.

Em outro ponto do engarrafamento, mais um incêndio foi registrado. Dessa vez, um automóvel ficou preso entre dois caminhões e também pegou fogo. Pai e filho que estavam no carro conseguiram escapar. Um terceiro caminhão se envolveu no acidente; a cabine ficou totalmente destruída após a colisão. O motorista morreu. Até o fechamento desta edição, a vítima ainda não havia sido identificada e continuava presa às ferragens. Depois de resgatado, o corpo seria transferido ao Instituto Médico-Legal de São Bernardo.

Apesar do cenário catastrófico, a maioria dos veículos sofreu danos leves, segundo Roberval.

A Rodovia dos Imigrantes permaneceu bloqueada nos dois sentidos durante quatro horas. Por volta das 17h, a pista Sul, utilizada para descida ao Litoral, teve o sentido invertido para facilitar a chegada à Capital. A Anchieta ficou sobrecarregada e o trajeto percorrido normalmente em uma hora chegou a demorar três.

Até as 18h de ontem, cerca de 80 veículos já haviam sido removidos. Os trabalhos continuariam durante a madrugada e a previsão da Polícia Militar era de que a retirada fosse concluída apenas na manhã de hoje.

O mega-acidente mobilizou 20 equipes do Corpo de Bombeiros, 38 da Polícia Rodoviária Estadual, 60 da Polícia Militar e 60 da Ecovias. A estimativa é que cerca de 200 pessoas tenham participado do resgate às vítimas e auxílio aos motoristas.

 

Não dava para enxergar cinco metros à frente' 

Quando se virou para o banco do passageiro e viu a filha de 12 anos com corte profundo na cabeça, o técnico de laboratório José Nildo da Silva, 29 anos, não conseguiu evitar pensar no pior e achou que a garota havia morrido.

Ela bateu com a cabeça no vidro e desmaiou. Um médico, também vítima do acidente, me orientou a estancar o sangramento, então minha filha recobrou a consciência e começou a reclamar da dor."

A queixa da pequena Jenifer Neri da Silva aliviou o coração do pai, que viajava com a mulher, Jaqueline Neri Ribeiro, 28, e o outro filho de 4 anos, quando se envolveu no quilométrico engavetamento. "Não dava para enxergar cinco metros à frente."

Jenifer e Jaqueline foram levadas para o Hospital Municipal de Diadema, com outras três vítimas. Todas com o quadro de saúde estável e previsão de serem liberadas.

Com três pontos na cabeça e escoriações, o motorista Alexander Mania, 34, recebeu alta por volta das 18h45. "Bati em um veículo e outro colidiu na traseira do meu caminhão. Não deu tempo para nada, só para sair e correr para não ser atropelado."

As demais vítimas, 29 no total, foram encaminhadas para o Pronto-Socorro Central de Diadema e para unidades de Saúde de Santo André, Mauá, Cubatão e Santos.

 

Caminhoneiros acumulam prejuízos e pedem comboio 

Dos 300 veículos envolvidos no megaengarrafamento, 70 eram caminhões, segundo números preliminares da Ecovias. A maioria dos motoristas não conseguiu retirar as carretas da pista, e teria de passar a noite na Rodovia dos Imigrantes, sobretudo para vigiar a carga transportada.

Antes da chegada dos bombeiros, foram os motoristas e caminhoneiros os primeiros a prestar socorro às vítimas. A cooperação ajudou a salvar vidas.

Foi o caso do caminhoneiro Donizetti José da Silva, 56 anos. Ele dirigia a carreta que transportava engradados de bebida para Jundiaí, cidade a 60 quilômetros da Capital. Ao colidir com o caminhão-tamque, o sistema elétrico da cabine travou. "O fogo começou a se alastrar e não conseguia sair, as portas não abriam, foi um desespero só. O motorista do caminhão-tanque me ajudou a arrombar. Foi por um triz", contou. Silva criticou a ausência de comboio na subida do Litoral. "A Imigrantes, com neblina, é a rodovia da morte."

Márcio Diniz Barbosa, 37 anos, o motorista do caminhão-tanque, disse que por pouco a tragédia não foi maior. "Fui de Ourinhos a Santos transportando combustível. Lá, descarreguei e iniciei o retorno. Foi o diesel que vazou do reservatório comum que causou o incêndio", relatou.

O veículo de Barbosa não tinha seguro. O prejuízo foi estimado por ele em R$ 170 mil.

 

Motoristas devem ter atenção redobrada nas estradas hoje 

O motorista que for usar o Sistema Anchieta-Imigrantes hoje precisa tomar cuidado. A previsão dos meteorologistas é que o nevoeiro intenso continue até o início da tarde, quando o tempo começa a abrir e a frente fria chega ao Sul da Bahia.

O que provocou o nevoeiro foi a umidade do ar sobre a faixa Leste do Estado. "Mesmo com a frente fria já no Rio de Janeiro, a umidade do oceano está sendo deslocada para o continente por conta do vento. Por ser uma região de serra, a nebulosidade é mais intensa e segue em direção à Região Metropolitana", afirma a meteorologista Olívia Nunes, da Somar Meteorologia. Ela ressalta sobre a importância da atenção do motorista, já que a visibilidade é prejudicada.

A umidade vinda do oceano começa a diminuir amanhã, com a abertura do tempo e o nevoeiro enfraquece durante a tarde. As temperaturas devem ser de mínima de 15ºC e máxima de 20ºC. Para o fim de semana a previsão é de tempo mais seco, com temperaturas variando de 16ºC a 24ºC. 

TRECHO
A Ecovias, concessionária que administra o sistema, observa que a maior incidência de neblina ocorre na região do topo de serra, altura do km 40 das rodovias Anchieta e Imigrantes, e em parte do trecho de planalto, próximo à Represa Billings. O início da Operação Comboio, que já foi adotada pelo menos 33 vezes neste ano, se torna obrigatória a cada vez que a visibilidade no trecho de serra, por conta da neblina, é inferior a 100 metros.

São utilizadas informações fornecidas por equipamentos eletrônicos posicionados nos pontos mais críticos de formação de neblina, que calculam a densidade do ar e a visibilidade no trecho.

 

Medo de explosão gera pânico entre passageiros de ônibus 

Foram pelo menos três fortes pancadas até que os passageiros da linha de ônibus Santos-Jabaquara, operada pela empresa Ultra, começassem a entender o que estava acontecendo. O veículo, com aproximadamente 40 pessoas a bordo, bateu em um caminhão à frente e em seguida foi atingido por mais dois carros de passeio.

O casal Leandro Cesar Felisbino, 32 anos, e Adriana Caires Felisbino, 33, conta que, após os impactos, o clima era de pânico no coletivo. "Ninguém sabia o que estava acontecendo. Só nos demos conta da gravidade quando vimos um caminhão pegando fogo logo na nossa frente. Nesse momento, começamos a abrir as janelas de emergência para deixar o veículo", narra Leandro.

Adriana revela que foram os próprios passageiros que ajudaram a socorrer o motorista, que estava preso na cabine. "Ele ficou desesperado ao ver o fogo, gritando que ia explodir, mas não conseguia sair do ônibus porque estava preso." Apesar do susto, ninguém se feriu dentro do veículo. 

DEFESA CIVIL
Por volta das 20h, equipes da Defesa Civil estadual foram ao local do acidente distribuir cobertores para as vítimas que teriam de permanecer na via durante a madrugada. As equipes de São Bernardo também estiveram no local para prestar auxílio.

 

Motorista de Goiás achou que País estava em guerra 

Motoristas a serviço de uma empresa de Anápolis (GO) ficaram presos no engarrafamento e teriam de passar a noite no local. Pela televisão, as famílias souberam do acidente e passaram a telefonar de meia em meia hora para obter notícias. "Sou casado e tenho três filhos. Estão todos desesperados lá em casa. As imagens impressionam mesmo", disse o caminhoneiro Geraldo Araújo, 42 anos.

Por conta da forte neblina, ele e os colegas formaram um comboio próprio. Após os acidentes, os veículos permaneceram próximos, sem grandes avariações. "Tivemos sorte. Foram tantas batidas que pensei que estávamos em guerra, sendo atacados", lembrou. "Achei que tudo iria pelos ares", disse outro motorista goiano, Tadeu Alexandro da Silva, 34.

 

Quatro carretas colidem na Via Anchieta 

Horas antes do acidente que travou a Rodovia dos Imigrantes na parte da tarde, quatro carretas colidiram na altura do Km 38 da Via Anchieta, sentido Litoral, na divisa entre São Bernardo e Cubatão, na Baixada Santista. O acidente aconteceu por volta das 10h30 e não houve vítimas.

A Ecovias, concessionária que administra o Sistema Anchieta-Imigrantes, não soube precisar as causas do acidente. A suspeita é que a mesma neblina possa ter interferido na visibilidade dos motoristas. A segunda possibilidade seria falha nos freios dos caminhões.

A pista da direita foi interditada por cerca de 30 minutos para remoção dos veículos.

 

(Reportagens de André Vieira, Bruna Gonçalves, Elaine Granconato, Fábio Munhoz, Illenia Negrin e Maíra Sanches)



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