Investigação Gestão Marcelo Lima mobiliza base; Morando afirma regularidade da obra
FOTO: Claudinei Plaza 7/4/25

A Câmara de São Bernardo instaurou ontem a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar as obras de acesso ao km 16 da Rodovia Anchieta. O empreendimento foi entregue em 2024, durante a gestão do ex-prefeito Orlando Morando (MDB), que reafirma a regularidade do projeto.
Embora o requerimento tenha sido protocolado em abril pelos vereadores João Viana (Cidadania) – definido como presidente do grupo – e Julinho Fuzari (Republicanos), líder do governo, a comissão só saiu do papel agora, após receber aval da gestão do prefeito Marcelo Lima (Podemos) para ser constituída no Legislativo.
O requerimento reuniu as assinaturas dos 28 vereadores, superando com folga as dez adesões mínimas – equivalentes a um terço da Casa – exigidas para o protocolo pela mesa diretora. Com isso, o documento foi levado à votação ainda no fim da sessão. A proposta foi aprovada por unanimidade. Os demais integrantes, indicados um por partido, serão definidos na próxima sessão ordinária. Já a relatoria será discutida na primeira reunião oficial da CPI.
A medida se torna mais uma investigação em torno da alça que liga a Avenida Lions à Anchieta, na altura do km 16 sentido São Paulo, que custou aos cofres públicos R$ 32 milhões, entre obras e desapropriações. No entanto, a via gerou reclamações de motoristas e reverberou no meio político. Segundo avaliação do governo, o acesso, em vez de facilitar o fluxo de veículos, teve efeito contrário, aumentando o risco de acidentes e gerando maior gargalo em uma região de intenso tráfego.
Desse modo, Marcelo Lima fechou a pista inaugurada seis meses antes por Morando, reabrindo o antigo acesso em junho do ano passado, ao custo de cerca de R$ 800 mil dos cofres públicos. O passo mais recente sobre a obra ocorreu com a abertura de licitação para contratação de auditoria externa, com valor estimado de R$ 486 mil, visando apurar a efetividade, a regularidade jurídica e a economicidade das intervenções executadas na alça interditada.
“Os vereadores estão em seu papel de fiscalizar. No que cabe ao Executivo, estamos, com toda transparência, contratando auditoria externa para fazer uma análise séria para apontar, tecnicamente, o que aconteceu ali. O que podemos reafirmar, neste momento, é que essa obra como estava, assim que assumimos a gestão, não só não resolveu o problema de mobilidade da via como piorou o trânsito. Adotamos medidas corretivas no local, mas ainda resta tomar as providências cabíveis, visando elucidar todas essas questões à população”, afirmou o prefeito.
Em nota, Morando reafirmou que entregou a obra no km 16 com total transparência, licitação regular e em observância às normas técnicas. “Trata-se de um projeto estruturado por etapas, com a primeira fase entregue em outubro de 2024 e a segunda regularmente contratada e deixada em execução. Caso tivesse tido a devida continuidade pela administração atual, a intervenção já estaria concluída e os problemas de trânsito na região, solucionados”, disse.
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