Em São Caetano Presidente da Câmara sofreu ameaça de morte após postagem de vídeos
FOTO: Denis Maciel/DGABC e Reprodução

A vereadora de São Caetano Bruna Biondi (Psol) e o influenciador Guilherme Torrigo Pallesi, o Guipa, foram denunciados criminalmente pelo presidente da Câmara são-caetanense, Carlos Humberto Seraphim, o Dr. Seraphim (PL). O liberal protocolou no último dia 12, na Delegacia Sede, pedido de abertura de inquérito policial para apurar supostos crimes de calúnia, difamação, injúria e ameaça. A investigação está em curso e ainda não chegou ao MP-SP (Ministério Público de São Paulo), que poderá seguir com a denúncia ou pedir o arquivamento.
Toda a celeuma teve início em 31 de março. Na ocasião, a vereadora utilizava a tribuna para tratar de um pacote de projetos voltados ao combate ao feminicídio e a outras formas de violência contra a mulher quando excedeu o tempo regimental de fala e teve o microfone cortado. Bruna protestou contra a interrupção, enquanto Dr. Seraphim afirmou que o tempo havia se esgotado e que a regra vinha sendo aplicada igualmente aos demais oradores, mas permitiu que a parlamentar concluísse seu raciocínio.
A situação em plenário gerou postagem nas redes sociais da parlamentar, que afirmou considerar o episódio uma forma de violência. O vídeo foi compartilhado também na página do Guipa, morador da Capital. Na época, somente no Instagram, mais de um milhão de pessoas seguiam o influenciador digital.
Guipa usou a postagem de Bruna e atacou Dr. Seraphim, afirmando que o presidente da Câmara agia com autoritarismo e que odiava mulheres. Ainda declarou que no Legislativo de São Caetano só tem “Zé Ruela”, “frouxo” e que “não tem homem de verdade”. Por fim, disse que o liberal é “uma vergonha”.
O vídeo viralizou e, segundo a denúncia, uma ‘milícia digital’ passou a atacar a honra do presidente e até ameaçá-lo de morte. No inquérito criminal, os advogados do Dr. Seraphim destacaram algumas frases: “vamos cortar é sua garganta”, “tinha que levar uma coça” e “tomara que seja estuprado (e) morto”.
“A publicação distorcida da vereadora omite o fato de que o ato se deu em estrita observância ao Regimento Interno da Câmara e não por perseguição política ou liberalidade do presidente (...) A publicação mentirosa desencadeou uma série de comentários nas redes sociais que configuram incitação à violência digital, com ataques semelhantes as atividades de milícias digitais”, traz trecho do inquérito.
Bruna, que chegou a agradecer nas redes sociais o apoio recebido, já prestou esclarecimentos à polícia. A psolista afirmou ao Diário que não fez as postagens para ter engajamento ou mobilizar milícia digital. Disse que o recorte da sessão foi uma forma de mostrar indignação pelo corte do microfone após 20 segundos do tempo regimental em uma “nova regra” não comunicada aos vereadores. Bruna sustentou que no mesmo dia diversos colegas ultrapassaram o limite regimental entre 40 segundos e mais de 3 minutos.
Bruna disse ainda que responderá ao processo e deseja “que a violência política de gênero passe a ser encarada como um assunto sério dentro da Câmara”. Guipa não foi localizado pela reportagem. Ontem, o perfil do influenciador estava indisponível no Instagram.
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