Alteração de calendário Acordo com trabalhadores prevê quatro dias adicionais em 2026, com pagamento de horas extras e cartão com voucher de R$ 300
Adonis Guerra/SMABC

Os trabalhadores da Volkswagen de São Bernardo aprovaram, em assembleia realizada nesta quinta-feira (23) na fábrica da Anchieta, a inclusão de mais quatro dias no calendário de produção de 2026. O funcionário que aderir receberá pagamento de horas extras com adicional de 110% em três sábados e de 100% no quarto. Terá, ainda, um cartão voucher de R$ 300 para cada dia dessa jornada. A decisão foi motivada pelo aumento da demanda após o lançamento do programa federal Move Brasil, em junho. A empresa prevê produzir 530 mil veículos neste ano.
A proposta faz parte de negociação coletiva da direção da montadora com o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e outras três entidades sindicais que representam as demais fábricas da empresa no País. A alta na produção também terá reflexo no acréscimo da PLR (Participação nos Lucros e Resultados).
"O calendário de produção previsto nos acordos das quatro plantas (São Bernardo, Taubaté, São Carlos - em São Paulo - e Curitiba - no Paraná) precisou ser alterado por causa do aumento de volume. A expectativa é de crescimento das vendas em razão do Move Brasil. Para manter a participação no mercado, a montadora precisa fabricar mais. A unidade do Grande ABC tem em torno de 7.600 trabalhadores, sendo que essa proposta contempla 5.000”, explicou o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Wellington Damasceno.
Em caso de cancelamentos das jornadas por motivos operacionais, o pacto estabelece que as datas bonificadas não serão prejudicadas. “Em um momento em que o setor automotivo passa por transformações e incertezas, conseguimos construir uma negociação que amplia o volume de produção e demonstra que a empresa vive um cenário de crescimento. Ao mesmo tempo, garantimos que parte desse resultado seja compartilhada com os trabalhadores, por meio da valorização das jornadas adicionais”, afirmou Damasceno.
O Move Brasil foi lançado para facilitar o financiamento de carros e motos. O programa contempla motoristas de aplicativo com cadastro ativo há pelo menos 12 meses e que tenham realizado ao menos 100 corridas nesse período na mesma plataforma; e taxistas com licenças e registros ativos junto aos órgãos de trânsito e com regularidade fiscal, bem como motoristas cooperativos.
Ele oferece juros reduzidos para a compra de carros de até R$ 150 mil. As taxas são de até 12,6% ao ano para homens e 11,5% ao ano para mulheres, com prazo de até 72 meses e carência de seis meses.
O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) registrou R$ 1 bilhão em financiamentos aprovados pelo Move Brasil, o equivalente a 3,3% do teto previsto de R$ 30 bilhões. Um dos habilitados para as negociações, o Banco do Brasil apontou, em nota divulgada nesta quinta, que alcançou a marca de R$ 650,9 milhões em negócios no Move Brasil Táxis e Aplicativos.
‘Montadora precisa honrar acordos firmados’, diz Damasceno
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Wellington Damasceno, disse que conversou com os trabalhadores sobre o novo plano global de reestruturação da Volkswagen e ressaltou que a montadora precisa “honrar os acordos firmados” no Brasil.
“Nós temos um pacto que garante emprego e investimentos até 2028. São os aportes que vão manter as fábricas ativas depois desse período. Eles são fundamentais para pensarmos no futuro e na longevidade das fábricas no País”, destacou.
O plano da empresa, anunciado neste mês, prevê cortar em até 50% o número de modelos produzidos para reduzir custos e ampliar a competitividade com marcas chinesas. A companhia informou que as medidas não terão efeitos diretos no Brasil. No entanto, não descartou reavaliar futuramente se o País entrará na lista de afetados. Durante a assembleia dessa quinta-feira na fábrica da Anchieta, em São Bernardo, a questão também foi abordada. “O cenário europeu, principalmente o da Alemanha, ainda está muito indefinido. Não conseguimos falar dos próximos passos. Mas, no Brasil, o acordo coletivo permanece válido por mais dois anos”, afirmou Damasceno.
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