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Os sinais silenciosos do abuso infantil; saiba como identificar

Psicóloga alerta para mudanças de comportamento, riscos no ambiente digital e situações do cotidiano que podem facilitar casos de abuso infantil

18/05/2026 | 17:20
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FOTO: Reprodução (imagem ilustrativa) Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O abuso sexual infantil nem sempre deixa marcas visíveis. Em muitos casos, os sinais aparecem de forma silenciosa, em mudanças de comportamento que passam despercebidas dentro de casa. O Dia Nacional de Enfrentamento ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, lembrado nesta segunda-feira (18), reforça a importância de observar atitudes, falas e alterações emocionais que podem indicar que algo não vai bem.

Segundo a psicóloga Priscila Oyama, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental, é comum que crianças e adolescentes não consigam relatar diretamente a violência sofrida. “A criança raramente vai chegar e contar o que está acontecendo. O sofrimento dela aparece de outro jeito no corpo, no comportamento, nas atitudes do dia a dia”, afirma.

Entre os sinais que merecem atenção estão regressões comportamentais, isolamento, medo excessivo de determinadas pessoas, alterações bruscas de humor e até dores físicas frequentes sem explicação médica. “A criança que já não molhava a cama volta a fazer isso, ou que já não chupava o dedo volta a chupar, são sinais que devem ser observados”, explica a psicóloga. Ela também alerta para comportamentos incompatíveis com a faixa etária. “Outro sinal importante é quando a criança começa a demonstrar, nas brincadeiras, nos desenhos ou na fala, um conhecimento sobre sexo que não é adequado para a idade dela.”

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Para a especialista, algumas situações ainda tratadas como normais por muitas famílias podem contribuir para a vulnerabilidade infantil. Um exemplo é obrigar crianças a cumprimentar adultos com beijos e abraços mesmo quando demonstram desconforto. “Parece algo pequeno, mas na prática estamos ensinando à criança que o desejo do adulto vale mais do que o desconforto dela. E isso é exatamente o que um abusador vai explorar”, alerta.

A psicóloga também destaca a importância de ensinar desde cedo noções de privacidade e autonomia sobre o próprio corpo. “A criança precisa entender que o corpo dela é dela”, diz.

Os impactos psicológicos do abuso podem acompanhar a vítima por muitos anos. Ansiedade, depressão, estresse pós-traumático, automutilação e dificuldades nos relacionamentos são algumas das consequências mais comuns. “Quando esse trauma não é tratado, ele vai junto para a vida adulta. Vejo muitos adultos hoje que sofrem muito com esses impactos”, relata Priscila.

REDES SOCIAIS

Com o aumento do uso de celulares, jogos online e redes sociais, os riscos também migraram para o ambiente virtual. De acordo com a psicóloga, o principal instrumento de proteção continua sendo a construção de diálogo dentro de casa. “A melhor ferramenta de proteção não é nenhum aplicativo ou proibição e sim o diálogo”, afirma.

Ela orienta que pais e responsáveis demonstrem interesse genuíno pela vida digital dos filhos, observando mudanças de comportamento sem recorrer imediatamente à invasão de privacidade. “O adolescente que esconde a tela do celular quando alguém se aproxima, que começa a usar o celular de madrugada, ou que fica visivelmente ansioso e irritado depois de usar as redes” pode estar apresentando sinais de alerta, explica.

Caso a criança ou adolescente revele uma situação de violência, o acolhimento deve vir antes de qualquer questionamento. “O mais importante é validar. Estar presente, olhar nos olhos e dizer com simplicidade: ‘eu acredito em você’, ‘você não tem culpa de nada’, ‘eu estou aqui’”, orienta.

COMO DENUNCIAR?

Casos suspeitos de abuso e exploração sexual infantil podem ser denunciados anonimamente pelo Disque 100, diretamente ao Conselho Tutelar ou às autoridades policiais pelo 190.

Vale ressaltar que, todas as cidades possuem conselhos tutelares. Nestes casos, os conselheiros vão até a casa denunciada e verificam o caso, podendo até já chegar ao local com o apoio policial para a abertura de inquérito. Clique AQUI para consultar os contatos dos conselhos em São Paulo.

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