Bichinho de estimação Viagem de carro com animal de estimação também exige cuidados especiais; impactos a apenas 50 km/h podem arremessar o pet para fora do veículo
FOTO: Divulgação

Maio é um mês dedicado à conscientização para a redução de acidentes de trânsito. De olho no papel do Maio Amarelo, o Diário resolveu pontuar algumas dicas para quem quer viajar com pets. Afinal, muitos motoristas brasileiros transportam animais de estimação soltos dentro do carro. E esse comportamento deve ser revisto.
Levantamento da AAA Foundation for Traffic Safety indica que cerca de 65% dos tutores admitem já ter dirigido com seus pets sem qualquer tipo de contenção. Isso porque, no Brasil, transportar animais de forma inadequada pode gerar penalidades.
De acordo com o artigo 252 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), animais não devem ser levados à esquerda do motorista, no colo ou entre braços e pernas. Quem infringir a lei, leva multa de R$ 130,16. É infração média e rende quatro pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
Ademais, "Conduzir pessoas, animais ou carga nas partes externas do veículo (como caçamba e teto, por exemplo), salvo nos casos devidamente autorizados", também rende multa, conforme determina o artigo 235 do CTB. Trata-se de infração grave, com multa de R$ 195,23 e cinco pontos no prontuário.
Perigo
Em colisão a 50 km/h, um animal solto no banco de trás pode ser arremessado com uma força até 40 vezes maior que o seu peso real. Na prática, um cão de médio porte, com cerca de 25 kg, por exemplo, pode atingir o equivalente a uma tonelada. É o mesmo que um projétil de alto potencial letal.
Estudos da AAA Foundation for Traffic Safety também mostram que a interação com pets durante a condução aumenta significativamente o risco de distração ao volante, um dos principais fatores de acidentes de trânsito. Desse modo, testes realizados pelo Center for Pet Safety comprovam que, em colisões, pets sem contenção adequada não apenas sofrem ferimentos graves, como também ampliam o impacto sobre os demais ocupantes do veículo.
"O transporte correto não é apenas uma questão de conforto, É uma medida de segurança e de medicina preventiva. Recebemos casos de hemorragias internas, traumas torácicos e fraturas complexas que poderiam ser evitados com o uso de equipamentos simples, como cinto de segurança específico ou caixa de transporte", explica Carollina Marques, médica veterinária no grupo de saúde veterinária WeVets.
Dicas
Cães devem ser transportados com peitorais apropriados, acoplados ao cinto de segurança do veículo. Por outro lado, coleiras no pescoço nunca devem ser utilizadas, pois podem causar lesões graves em caso de impacto.
As caixas de transporte são indicadas para gatos e cães de pequeno porte. Devem, no entanto, ser fixadas com o cinto de segurança ou posicionadas no assoalho do carro. Ademais, para felinos, sugere-se que a caixinha ainda seja coberta por um pano com feromônio ou odor conhecido do pet. Isso, a princípio, gera mais conforto e menos estímulos que possam gerar estresse ao animal.
Grades divisórias são recomendadas para veículos com porta-malas integrado, como SUVs, por exemplo. Isso impede que o pet acesse os bancos da frente e distraia o motorista. E nada de cabeça para fora da janela, pois, além do risco de quedas e impactos, o vento pode causar problemas como otites, irritações oculares e entrada de corpos estranhos nas vias respiratórias e oculares.
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