Contra violência Presidente do sindicato afirma que botão do pânico não é eficaz, porque quando o apoio externo chega ao local, o trabalhador já foi agredido física ou psicologicamente
Leandro Altrão, presidente do Sindmed Grande ABC (FOTO: Divulgação)

O Sindmed (Sindicato dos Médicos) Grande ABC entrou com representação no MPT-SP (Ministério Público do Trabalho) em razão da recorrente ocorrência de violência física, ameaças, injúrias e agressões contra profissionais da saúde que atuam em UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) e serviços públicos de urgência e emergência da região.
Entre os episódios apontados no documento destacam-se a agressão a um enfermeiro, que sofreu fratura facial dentro de um consultório da UPA Demarchi/Batistini, em São Bernardo, ocorrida na última terça-feira (5); confusão e agressões a profissionais da saúde em uma UPA, com necessidade de intervenção da GCM (Guarda Civil Municipal); agressão física contra uma médica após negativa de emissão de atestado médico na UPA Alvarenga, em São Bernardo, em meados de 2025; destruição da recepção hospitalar e agressão a uma médica em unidade de saúde de São Caetano, no ano passado; além de agressão com injúria racial e ameaças contra uma enfermeira na UPA Bangu, em Santo André, em setembro de 2025.
“O que estamos vendo hoje nas unidades de saúde do Grande ABC é um processo crescente de desumanização dos próprios profissionais que sustentam o sistema de saúde. Muito se fala sobre humanização no atendimento, e ela é fundamental. Porém, é impossível falar em assistência humanizada quando médicos, enfermeiros e demais trabalhadores da saúde atuam diariamente sob medo, ameaça, agressões físicas, sobrecarga extrema e completa sensação de abandono institucional. Os episódios recentes de violência dentro de UPAs e hospitais não são casos isolados. Eles revelam um cenário estrutural grave, onde profissionais estão sendo expostos a risco constante sem proteção adequada. Hoje, muitos trabalhadores entram em plantão sem saber se voltarão para casa apenas cansados ou vítimas de agressão”, afirmou Leandro Altrão, presidente do Sindmed Grande ABC.
De acordo com o médico, durante a pandemia os profissionais da saúde foram chamados de heróis, mas hoje muitos estão adoecendo física e emocionalmente, sendo agredidos dentro do ambiente de trabalho e atuando sem condições mínimas de segurança. Altrão destacou ainda que, embora algumas unidades contem com “botão de pânico” para acionamento da GCM, não há segurança presencial permanente capaz de prevenir ou interromper imediatamente as agressões.
“Na prática, quando o apoio externo chega ao local, o profissional já foi agredido física ou psicologicamente. O mais preocupante é que esses episódios ocorrem em um contexto de profunda desvalorização da categoria. Diversos profissionais sequer recebem recomposição salarial digna. Em muitos locais não há reajustes adequados, há precarização das relações de trabalho e, em determinados vínculos, médicos afastados após agressões acabam sofrendo inclusive prejuízo financeiro, ficando sem remuneração justamente após serem vítimas de violência no exercício da profissão”, ressaltou.
O presidente da entidade afirmou que defender a segurança do profissional da saúde não é defender privilégio, mas sim a continuidade da assistência, a dignidade do trabalho médico e o próprio funcionamento do sistema público de saúde.
“O Sindicato dos Médicos não ficará inerte diante desse cenário. Estamos adotando medidas institucionais concretas, incluindo representação ao Ministério Público do Trabalho, envio de ofícios às prefeituras cobrando providências imediatas, levantamento regional dos episódios de violência e discussão de medidas estruturais permanentes de proteção aos trabalhadores da saúde”, garantiu Leandro Altrão.
LEIA MAIS
Enfermeiro tem fraturas na face após agressão em UPA de São Bernardo
Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.