Atenção Número de eleitores que deixam de votar em senador supera o de outros cargos, mas polarização pode resultar em aumento de participação
Antonio Augusto/Ascom/TSE

Cada vez mais presentes nas urnas, os moradores das sete cidades do Grande ABC somaram 5.253.672 votos inválidos – brancos e nulos – nas últimas três eleições gerais (2014 a 2022), desconsiderando os pleitos municipais. Em levantamento do Diário com base nos dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), a disputa pelo Senado desponta como o principal “ponto cego” do eleitor: foram 1.949.236 sufrágios sem destino a nenhum candidato, liderando o ranking de rejeição ou indiferença com 37,1% do total de votos sem destinação no período.
Justamente em outubro, os mais de 2 milhões de eleitores da região vão às urnas para escolher dois senadores da República pelo Estado de São Paulo, ambos com assentos em Brasília pelos próximos oito anos, mediante a remunerações brutas atualmente calculadas em R$ 46.366,19 mensais. A soma de votos nulos e brancos para tais funções, no Grande ABC, supera os números de inválidos para deputados estaduais (1.014.398 eleitores), deputados federais (881.552), governador (949.713) e presidente (458.773).
Enquanto a corrida pelo Senado parece não tirar sono do eleitorado regional, a disputa presidencial concentra a maior adesão de votos válidos. Em 2022, por exemplo, 1.353.711 eleitores demonstraram preferência a um postulante a senador, porém, esse dado seguiu abaixo das contagens de outros cargos. Por sua vez, a briga pelo Palácio do Planalto foi mais acirrada, com 1.625.265 pessoas dispostas a ter lado, principalmente em uma queda de braço entre o então presidente Jair Bolsonaro (PL) e o vencedor, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Para a doutoranda em Políticas Públicas da UFABC (Universidade Federal do ABC), Paula Keiko, tal cenário não é um fenômeno isolado, visto que se repetiu em 2014 e 2018. “Há algumas explicações dentro da Ciência Política. A primeira delas é a teoria da comunicação: os eleitores votam quando têm informações suficientes e conseguem avaliar candidaturas. Aí há maior conhecimento entre nomes para presidente e governador do que para senador e deputados. Há também a teoria da complexidade do voto. Se pensarmos no Senado, há muitos candidatos pouco conhecidos com baixa cobertura midiática”, frisou.
Segundo a especialista, a pessoa do senador também pode se configurar como uma figura distante do cotidiano do cidadão no dia a dia. “O resultado disso é o menor engajamento de eleitores e maior concentração de votos brancos e nulos”, explicou. Essa análise se casa com o episódio envolvendo o prefeito de São Caetano, Tite Campanella (sem partido), expulso do PL por criticar a atuação da bancada paulista na chamada Câmara Alta, afirmando também que os representantes – entre eles, o Astronauta Marcos Pontes (PL) – eram desconhecidos perante a população.
Entretanto, para Tunico Vieira, professor de Direito da Universidade Metodista de São Paulo e ex-vereador de São Bernardo, as eleições de 2026 podem ser uma virada de chave: “O Brasil está cada vez mais polarizado e isso é inegável. Um dos discursos dessa eleição será a votação ao Senado, pela crescente necessidade do debate sobre o STF (Supremo Tribunal Federal), que nunca esteve tão exposto. Então muitas pessoas vão estimular votos para senador a fim de ter uma linha de mandato voltada ao Judiciário”.
Neste contexto, as movimentações para renovação de dois terços da Casa – 54 das 81 cadeiras – nos 26 Estados e no Distrito Federal já ganham holofotes. Conforme números do Instituto Paraná Pesquisa em São Paulo, divulgados na quinta-feira, as ex-ministras Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB), apoiadas por Lula, lideram em dois cenários, ambas com 37% e 32%. O deputado federal Guilherme Derrite (Progressistas), aposta do bolsonarismo e do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), surge com cerca de 27%.
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