De olho nas urnas Marcelo Lima deve indicar três nomes em São Bernardo; Morando deixa Pasta na Capital e Marcos Michels se desliga em Diadema
André Henriques/DGABC

O Grande ABC deve contabilizar ao menos seis lideranças políticas locais que deixarão os cargos de secretários municipais por razões eleitorais. Em São Bernardo, o prefeito Marcelo Lima (Podemos) estuda lançar até três nomes do primeiro escalão, enquanto seu antecessor, Orlando Morando (MDB), se despede nesta terça-feira (31) da Secretaria de Segurança Urbana da Capital. Em Ribeirão Pires, Clóvis Volpi (PSD) se desligou da Pasta da Saúde há um mês, e em Diadema Marcos Michels (PL) confirmou saída da Secretaria de Governo.
A maior movimentação política vem do Paço de São Bernardo, com expectativa de Marcelo Lima comunicar oficialmente, nesta semana, as saídas de pelo menos dois secretários: Ivan Silva (PRTB), de Governo, e Fran Silva (Avante), de Esportes e Lazer, que anunciarão as pré-candidaturas a deputado estadual pelo Podemos, em acordo costurado pelo prefeito. Ambos são vereadores licenciados e, por essa razão, regressarão ao Legislativo, assumindo as cadeiras hoje ocupadas pelos suplentes Ary de Oliveira (PRTB) e Palhinha (Avante).
A expectativa, por ora, é sobre o futuro do secretário de Desenvolvimento Econômico, Rafael Demarchi (Podemos), cotado pelo prefeito para ser postulante a deputado federal apoiado pelo governo. Conforme noticiado pelo Diário no último sábado, o responsável pela Pasta tem preferência em permanecer no Paço, mas pode ser a cartada do chefe do Executivo para ser um nome caseiro a fim de tirar força de Morando na corrida pela Câmara Federal entre os eleitores são-bernardenses.
Conforme a legislação federal 64/1990, conhecida como “Lei das Inelegibilidade”, fica estabelecido que os secretários devem se afastar de suas funções para não incorrerem em inelegibilidade. A medida ocorre para garantir que o uso da máquina pública não desequilibre a disputa nas urnas. Desse modo, como o primeiro turno das eleições de 2026 ocorrerá em 4 de outubro, o cálculo retroativo de seis meses define a data de 4 de abril como a limite para exoneração, a qual precisa constar no Diário Oficial no mesmo prazo.
Diante disso, Morando, homem de confiança do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), despede-se do governo, com o seu desligamento previsto nas publicações oficiais até quarta-feira. O ex-prefeito de São Bernardo se filiou, no sábado passado, ao novo partido, com objetivo de concorrer a uma das 70 cadeiras da bancada paulista na Câmara Federal. Ao longo de quase 15 meses no comando da Pasta, o emedebista teve o Smart Sampa, sistema de monitoramento e reconhecimento facial, como sua maior vitrine.
Morando terá como uma de suas dobradas o ex-prefeito de Ribeirão Pires Clóvis Volpi, pré-candidato a deputado estadual, que por sua vez se antecipou para se desligar da Secretaria de Saúde e Higiene do município, com anúncio de saída em 28 de fevereiro. O pessedista estava alocado na gestão do filho, Guto Volpi (PL). O liberal terá como grande foco garantir o palanque do governo ao pai, cenário que também será um termômetro de popularidade da própria administração perante a população ribeirão-pirense.
Outro nome certo está em Diadema, onde o prefeito Taka Yamauchi (MDB) pretende lançar Marcos Michels para o pleito de outubro, com objetivo de neutralizar o próprio primo, Lauro Michels (PSD), chefe do Executivo da cidade entre 2013 a 2020. Caso o pessedista se lance como candidato, com possibilidade maior de sair a deputado estadual, lá estará Marcos Michels concorrendo a mesma vaga, evidenciando o racha em uma das famílias mais tradicionais da política diademense.
Em Santo André, São Caetano, Mauá e Rio Grande da Serra não há movimentações anunciadas para o lançamento de algum secretário às eleições de outubro.
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