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Centro universitário acompanha 280 pacientes com Parkinson

FMABC recebe enfermos encaminhados pelo SUS; perfil é de pessoas com mais de 60 anos, explica neurologista e coordenadora do ambulatório

12/04/2026 | 07:30
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FOTO: Celso Luiz/DGABC
FOTO: Celso Luiz/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O Centro Universitário FMABC (Faculdade de Medicina do ABC), referência no atendimento a pacientes com doença de Parkinson no Grande ABC, acompanha atualmente 280 pacientes. O número representa crescimento em relação aos anos anteriores, quando o ambulatório especializado atendeu 250 pessoas, em 2024, e 262, em 2025, considerando o mesmo período.

A doença de Parkinson é uma condição neurológica que afeta os movimentos. Entre os principais sintomas estão tremores, lentidão, rigidez muscular e dificuldades de equilíbrio, além de alterações na fala e na escrita.

Abril é o mês da Conscientização de Parkinson, campanha que busca reduzir o estigma e promover o diagnóstico precoce. 

DGABC

A doença ocorre devido à degeneração de células na chamada substância negra, região do cérebro responsável pela produção de dopamina, neurotransmissor essencial para o controle dos movimentos. A redução dessa substância é o que provoca os sintomas. 

No Ambulatório de Distúrbios do Movimento da FMABC, o atendimento é voltado exclusivamente a pacientes do SUS (Sistema Único de Saúde) encaminhados pelas UBSs (Unidades Básicas de Saúde) da região. 

Segundo a neurologista e coordenadora do serviço, Margarete de Jesus Carvalho, o perfil predominante é de pessoas com mais de 60 anos, que moram em Santo André e em São Bernardo – muitas delas ainda sem diagnóstico fechado ao chegar ao serviço.

O acompanhamento envolve não apenas consultas médicas, mas uma abordagem multidisciplinar. Além do neurologista com subespecialidade em distúrbios do movimento, os pacientes recebem orientações de profissionais de fisioterapia, nutrição, terapia ocupacional, enfermagem e farmácia.

“O tratamento da doença de Parkinson é medicamentoso, multidisciplinar e, em alguns casos, cirúrgico. As orientações fornecidas no ambulatório ao paciente fazem diferença direta na evolução da doença”, explica a coordenadora.

Ainda de acordo com Margarete, o objetivo do tratamento é o controle dos sintomas e a melhora da qualidade de vida. A importância desse acompanhamento pode ser percebida na rotina do controlador de materiais Delmi Nunes Pacheco, 46 anos, morador do Parque Novo Oratório, em Santo André. Ele começou a notar os primeiros sinais da doença no início de 2020, durante a pandemia da Covid-19.

“Os primeiros sintomas ocorreram em março. A primeira coisa estranha foi na hora de escovar os dentes. Senti que a coordenação estava errada. Também toco violão e percebi que o ritmo não era mais o mesmo, às vezes a mão até parava”, recorda ele.

Por causa das restrições na época da crise sanitária, o diagnóstico levou alguns meses. Inicialmente, Pacheco procurou um ortopedista, mas, após exames descartarem problemas nessa especialidade, foi encaminhado a um neurologista. “Em julho de 2020, passei com o especialista, fiz exames e comecei a tomar remédio. Tive melhora e recebi o diagnóstico de Parkinsonismo, depois confirmado como Parkinson precoce”, conta.

ROTINA

Desde o fim de 2021, Pacheco é acompanhado pelo ambulatório da FMABC. Atualmente, mesmo com as limitações, ele mantém uma rotina ativa. “Acordo cedo, tomo o medicamento, faço alongamento, levo minha filha à escola e vou trabalhar. Minha vida é bem próxima do normal. Tenho lentidão e rigidez do lado direito, mas consigo fazer meu trabalho com qualidade”, relata.

Além do tratamento, Pacheco encontrou nas redes sociais uma forma de trocar experiências e ampliar o acesso à informação sobre a condição. Ele é um dos administradores do perfil no Instagram Aprendendo a Viver com Parkinson.

“Compartilhamos rotina, vivências, os desafios e também informações importantes. É para ajudar principalmente quem está no começo, como eu estive, sem entender direito a doença.”

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