Alerta Em 2015, a região registrou 1.860 ocorrências, alta de 837% em relação a 2025; hoje é dia de luta contra a doença
FOTO: Celso Luiz/DGABC

O número de diagnósticos de câncer no Grande ABC saltou de 1.860 em 2015 para 17.441 em 2025, um aumento de 837% em uma década. Ao todo, foram 93.655 casos registrados no período nas sete cidades, segundo dados do DataSUS, do Ministério da Saúde.
Entre os tipos de câncer mais incidentes no Brasil estão os de próstata, cólon e reto, pulmão, mama, colo do útero, tireoide e estômago. Nesta quarta-feira (8) é celebrado o Dia Mundial de Luta Contra o Câncer, data que busca conscientizar sobre prevenção, diagnóstico precoce e tratamento da doença, uma das principais causas de morte no mundo.
Para o médico de família e comunidade Murilo Moura Sarno, professor do departamento de Saúde da Coletividade do Centro Universitário FMABC (Faculdade de Medicina do ABC), o aumento não pode ser atribuído a um único fator.
“Parte do crescimento nos registros pode ser explicada pela expansão e qualificação da rede de saúde, incluindo atenção básica, análises laboratoriais e ambulatórios hospitalares de atenção secundária. No entanto, é necessário avaliar os tipos de câncer que apresentaram maior aumento para compreender melhor as possíveis causas, já que diferentes tipos exigem exames distintos e possuem origens variadas.”
Além disso, ele explica que fatores como envelhecimento populacional e mudanças no estilo de vida podem influenciar, mas de forma desigual entre os tipos da doença. “Dependerá do tipo de câncer analisado, especialmente aqueles ligados ao envelhecimento, como os de próstata e mama.”
Outro ponto levantado é o impacto da pandemia da Covid-19. Segundo o médico, houve queda na realização de exames de rastreamento durante esse período, o que pode ter gerado uma demanda reprimida.
DUAS BATALHAS
A aposentada Cleide Santos da Silva, 63 anos, moradora do Jardim Ipanema, em Santo André, está entre os milhares de pacientes diagnosticados na região e enfrentou a doença por duas vezes. O primeiro diagnóstico foi de câncer de mama, descoberto em 2021 durante exames de rotina. Com histórico familiar, a idosa já realizava acompanhamento médico frequente. “Fazia os exames por causa da minha irmã que teve câncer de mama há 23 anos. Quando vi, já estava com câncer e precisei fazer a cirurgia.”
Cleide passou pelo procedimento no Hospital da Mulher de Santo André, seguido de oito sessões de quimioterapia e 15 de radioterapia. Segundo ela, tudo aconteceu sem intercorrências e com apoio da família.
Anos depois, em 2025, Cleide foi diagnosticada com câncer de intestino. A doença foi identificada sem sintomas, durante uma colonoscopia realizada em consulta médica. Ela passou por cirurgia em agosto do ano passado no Centro Hospitalar, também em Santo André. Diferente do primeiro tratamento, a idosa não precisou de quimioterapia nem radioterapia.
A aposentada atribui a postura calma à experiência acumulada em grupos de apoio da ONG andreense Viva Melhor, que ajuda mulheres a enfrentar o câncer. “Lá tem muitos casos e histórias. Ver outras pessoas enfrentando a doença ajudou. Sempre fiz os exames também, e isso faz toda a diferença.”
Em Santo André, o AME (Ambulatório Médico de Especialidades) passou a integrar o programa de oncologia do Estado em 2022.
O diretor-geral do AME Santo André, Victor Chiavegato, explica que o atendimento oncológico na unidade é voltado a pacientes com quadro mais estável, encaminhados pelo Hospital Estadual Mário Covas. “Hoje o AME tem dez poltronas de infusão ativas e funciona de segunda a sexta-feira. A gente atende pacientes que conseguem manter suas atividades diárias, com um perfil mais estável.”, afirma.
Segundo ele, a unidade é responsável principalmente pela realização de sessões de quimioterapia, além de atuar na investigação de casos suspeitos em especialidades como mastologia e ginecologia. O diretor destaca ainda que o cuidado é multidisciplinar, envolvendo médicos, enfermagem, nutricionista, psicóloga e assistência social, além de monitoramento dos pacientes após as sessões.
Em São Bernardo, Hospital de Câncer Padre Anchieta se destaca por ser o primeiro serviço público da região a oferecer radioterapia. Já em São Caetano, o tratamento é realizado no Centro de Oncologia localizado no bairro Oswaldo Cruz.
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