Entre linhas da história Adamo Bazani coleciona miniaturas de ônibus desde a década de 1980, entre elas um vasto acervo dos coletivos de Santo André; paixão influencia carreira no jornalismo
FOTO: André Henriques/DGABC

Entre linhas de ônibus, de textos e até mesmo temporal, o jornalista Adamo Bazani, 47 anos, construiu uma extensa coleção de miniaturas dos coletivos de Santo André. O colecionador conseguiu 40 réplicas, desde modelos históricos da década de 1960 até mesmo o recente Circular da Saúde, lançado em 2025, que liga a população a unidades de saúde do município.
Criador do site Diário do Transporte em 2015, Bazani se interessou pelo universo da mobilidade ainda na infância. Natural de Santo André, costumava acompanhar os pais em passeios de ônibus e se encantava com as carrocerias dos veículos da antiga Viação Padroeira.
“Morava no bairro Paraíso e perto tinha o ponto final da viação Padroeira e toda vez que ia passear com meus pais ficava admirando os veículos”, comentou.
Além disso, sempre gostava de ouvir as histórias de seus amigos motoristas. “Nos anos 1980, era muito comum os motoristas morarem próximo do bairro onde conduziam. Com 5 anos, um deles comentou comigo que o ônibus era diferente do trem, visto que o motorista tinha o controle da máquina. Outra coisa, enxergava muita responsabilidade na profissão, estávamos dependendo do zelo e cuidado que ele tinha, então o que gostava, virou paixão”, relembrou Bazani.
A partir desse interesse, a família do jornalista incentivou sua paixão e lhe presenteou com uma miniatura de ônibus ainda no início da infância. Com o tempo, o colecionador adquiriu diversas peças, entre modelos rodoviários e municipais, e reuniu cerca de 600 réplicas, além de arquivos relacionados ao transporte de Santo André.
Segundo sua estimativa, toda coleção custou aproximadamente R$ 180 mil, somente as unidades de Santo André foram R$ 12 mil do seu bolso. Algumas peças, Bazani ganhou das empresas de mobilidade, já outras, como as miniaturas regionais, são produzidas por encomenda.
“O artista pega chapas de alumínio e faz um trabalho todo artesanal. Ele realiza as dobraduras na chapa, detalha a lataria e faz um polimento. Depois, coloca os adesivos (design de cada ônibus). Esse trabalho custa, em média, R$ 300”, comentou o jornalista. A fabricação também exige uma pesquisa minuciosa, já que os antigos coletivos não possuem muitos registros precisos da época.
Atualmente, seus favoritos são os modelos da Padroeira de 1960 e o Circular da Saúde. Para ele, o recente lançamento em Santo André demonstra que seu trabalho como jornalista especializado em mobilidade urbana gerou impacto positivo na vida da população.
“Quando inaugurou o serviço, uma senhora veio conversar comigo para agradecer, porque a linha iria mudar a vida dela e melhorar o tempo de deslocamento para seu atendimento médico, já que ela perdia duas horas só em trajeto”, relatou.
COMUNICAÇÃO
Além dos veículos viários, outro veículo de sua paixão é o de imprensa. Em 2006, o profissional trabalhou na rádio CBN, na qual executou alguns projetos envolvendo mobilidade urbana. Posteriormente, sua paixão pelo transporte virou um site próprio de notícias sobre esse universo.
“O transporte coletivo dá acesso ao ser humano, acesso à saúde, educação e direitos”, concluiu Adamo Bazani.
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