Acordo coletivo Município tem 6.700 trabalhadores ligados à Fundação do ABC; mais de 460 funcionários compareceram em dois dias de votação na entidade
FOTO: Divulgação

Os trabalhadores da área da saúde em São Bernardo, ligados à FUABC (Fundação do ABC), aprovaram proposta de reajuste salarial de 5% após dois dias de votação realizados na sede do SindSaúde ABC, sindicato que representa auxiliares e técnicos de enfermagem, além de outros funcionários de estabelecimentos privados e filantrópicos da saúde na região.
De acordo com o presidente da entidade, Almir Rogério, conhecido como Mizito, foi contratada uma empresa terceirizada, com mesários e votação em cédulas, para garantir transparência ao processo.
No início do mês, o SindSaúde já havia firmado acordo com a FUABC referente aos dissídios de 2025 e 2026 para os municípios de Santo André e São Caetano, com o mesmo percentual de reajuste.
“Durante esses dois dias (terça e quarta-feira), os trabalhadores compareceram ao sindicato e aprovaram o acordo por ampla maioria: 89,51%. Participaram 467 pessoas. Esse modelo deu oportunidade para todos se manifestarem. Se não vieram mais trabalhadores, é porque não quiseram. Fizemos 12 horas de votação a cada dia. As pessoas puderam ir no horário em que tivessem disponibilidade”, afirmou, complementando que São Bernardo tem cerca de 6.700 servidores da saúde..
Conforme o acordo coletivo, o aumento será aplicado de forma escalonada: 2% a partir de 1º de maio de 2025, com pagamento previsto na folha de março deste ano, e outros 3% a partir de 1º de maio de 2026, calculados sobre os salários já corrigidos, com pagamento na folha de maio de 2026.
O valor retroativo referente ao período de maio de 2025 a janeiro de 2026 será pago na forma de abono, dividido em quatro parcelas mensais, a partir da competência de março de 2026. O reajuste será aplicado integralmente aos salários de até R$ 8.157,41. Para valores superiores, o percentual será definido por meio de livre negociação entre empregado e empregador.
Mizito também destacou o reajuste de benefícios, que chegou a até 9%. “O vale-refeição, por exemplo, teve aumento superior a 8%, passando para R$ 30,50 por dia. A cesta básica passou para R$ 256,95, a contar a partir de 1º de maio de 2025. O auxílio-creche também teve um aumento significativo”, pontuou. Ressaltou ainda que as diferenças dos benefícios decorrentes do acordo deverão ser pagas até o quinto dia útil de abril.
Segundo o texto aprovado, as empresas que não possuírem creche própria ou convênio deverão conceder auxílio, a título de reembolso, equivalente a 20% sobre R$ 1.804 – cerca de R$ 360 mensais – às mães com filhos de até 6 anos de idade.
Em relação aos dissídios anteriores ainda não pagos à categoria, Mizito afirmou que será mantida uma mesa permanente de negociação em São Bernardo. “É importante destacar que Marcelo Lima (Podemos) é o único prefeito que tem se proposto a dialogar sobre as questões do passado. Por isso, vamos manter uma mesa de negociação permanente, com a participação de uma comissão de trabalhadores, que terá papel fundamental nas discussões com a FUABC, levando as reivindicações do dia a dia, auxiliando no debate de temas importantes, como a mudança da escala 6x1 para 12x36.”
Mizito afirmou ainda que as negociações seguem travadas em Mauá, onde equipamentos de saúde estão sob gestão da FUABC, e em Diadema, com a SPDM (Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina). “Avaliamos como muito ruim a posição da Prefeitura de Mauá diante dessa situação. Já temos uma audiência agendada no Tribunal Regional do Trabalho para o dia 16 de março, ocasião em que a gestão de Mauá também será notificada para participar. Em Diadema, é a primeira vez na história que a Prefeitura não repassa os valores necessários para garantir o reajuste salarial dos trabalhadores. Houve apenas a atualização do vale-refeição e do vale-alimentação, e ainda assim sem o pagamento integral do retroativo”, destacou.
Questionadas, as Prefeituras de Diadema e Mauá não retornaram até o fechamento da edição.
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