'Mê dá um dinheiro aí' Com aumento do IPCA, foliões precisam tirar escorpião do bolso desde a hora da preparação até a compra da cerveja
Rovena Rosa/Agência Brasil

O morador do Grande ABC precisará tirar o escorpião do bolso na hora de cair na folia. Seja aquele que já fez o itinerário de bloquinhos de rua que vai curtir até a Quarta-Feira de Cinzas ou quem decidiu viajar, ambos terão de realizar escolhas conscientes se não quiserem ficar no vermelho. Isso porque curtir o Carnaval ficou 80% mais caro em uma década.
De acordo com uma pesquisa da Rico, plataforma de investimentos e serviços financeiros do Grupo XP Inc., a “cesta carnavalesca”, composta por produtos e serviços mais consumidos nessa época, teve aumento de 79,07% em dez anos, acima da variação de 64,7% do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) no mesmo período.
“Esse dado aponta que os principais itens subiram 14% a mais do que a inflação média de bens e serviços do País nos últimos dez anos”, afirma a analista de pesquisa da Rico e responsável pelo levantamento, Maria Giulia Figueiredo.
A pesquisa analisou o comportamento de gastos com bebidas, maquiagem, bijuterias, beleza e transporte. Nos últimos dez anos, a cerveja acumulou alta de 58,2%, enquanto outras bebidas alcoólicas (destilados e coquetéis prontos) subiram ainda mais, com inflação de 80,7% no período.
As bijuterias acumularam 61,76% em 10 anos e de 57,84% em seis anos. Já os artigos de maquiagem tiveram alta de 35,16% em dez anos e de 29,09% em seis anos, com encarecimento de pigmentos importados e embalagens.
A estudante de jornalismo Maria Cecília Dallal, 20 anos, moradora da Vila Lucinda, em Santo André, investiu em roupas coloridas e glitter para aproveitar a primeira vez em blocos de rua da Capital. “Durante as compras, priorizo lojas on-line, porque elas têm mais opção. Vejo que as coisas estão mais caras mesmo, mas isso não é só no Carnaval. Vou improvisar com o que tenho em casa para gastar até R$ 100 na preparação.”
Aos turistas, as passagens aéreas tiveram alta de 74,2% na década e de 48,6% em seis anos, enquanto as de ônibus interestaduais subiram 54,91%. Fatores como preço dos combustíveis, câmbio, demanda e ajustes na oferta explicam as variações.
A assistente social Talita Lourenço, 41, da Vila Gilda, em Santo André, decidiu programar uma viagem com a família para o Interior de São Paulo. Entre os gastos, ela se propôs a pagar, no máximo, R$ 90 em uma fantasia para a filha de 4 anos. “Comprei pela internet porque estava R$ 30 mais barato. Com esse valor que economizei, peguei uma tinta de cabelo para ela. Vou viajar para a casa de parentes. Pretendo gastar o mínimo possível.”
Consciência financeira precisa estar na ala principal do cortejo
Em um cenário em que os itens consumidos no Carnaval estão 80% mais caros, os cuidados com as finanças precisam ser levados em consideração para que a curtição não faça estragos no planejamento e nos boletos dos próximos meses. Por isso, vale adotar métodos simples com o dinheiro para não ter prejuízos e não cair em golpes.
Caso esteja com o celular no bloquinho de rua, é essencial desinstalar o aplicativo do banco após ajustar o limite do cartão de crédito, apagar informações sobre senhas e guardá-lo na doleira.
“Desativar pagamento por aproximação dos cartões, evitar Wi-Fi público, usar doleira e, se possível, levar um celular secundário. Em caso de furto, o contato imediato com o banco reduz prejuízos”, orienta a educadora financeira da Rico, plataforma de investimentos e serviços financeiros do Grupo XP Inc., Thaisa Durso.
A Febraban (Federação Brasileira de Bancos) indica que, ao comprar algo na rua, o folião nunca deve entregar o cartão para alguém inserir na maquininha e realizar o pagamento. “Sempre faça este processo e não pague se o visor da maquininha estiver danificado. Peça o recibo impresso da transação ou verifique se o valor está correto nas mensagens SMS e notificações do app do banco recebidas após a operação. Caso opte por levar dinheiro, prefira notas baixas e sempre confira o troco”, diz o diretor de Serviços e Segurança da Febraban, Raphael Mielle.
No pós-Carnaval, a recomendação é colocar os gastos em uma planilha para evitar que a ressaca financeira se estenda pelos meses seguintes. “Visualizar despesas fixas, variáveis e sazonais traz mais controle e facilita decisões ao longo do ano”, pontua Thaísa.
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