Crime Investigação aponta para práticas de rituais religiosos; pelo menos 50 bichos, entre cachorros e galinhas, foram encontrados
FOTO: Google Maps

A Polícia Civil de Diadema investiga a identidade de uma mulher flagrada por câmeras de segurança descartando sacos com animais mortos em uma praça na Rua dos Miosótis, no bairro Piraporinha. Os casos foram registrados nos dias 8 e 25 de novembro e são investigados pela Dicma (Delegacia do Meio Ambiente) do município.
De acordo com informações da polícia, nas duas datas, a mesma mulher, descrita por uma testemunha como tendo aproximadamente entre 40 e 50 anos, desceu de um veículo Jeep Renegade e descartou sacos de lixo com partes de bichos no local. As imagens registram o veículo, mas não mostram a placa, dificultando a identificação.
Segundo o boletim de ocorrência, no primeiro episódio, os resíduos foram recolhidos antes da chegada das equipes policiais, mas se tratava de parte de pelo menos 30 cachorros e gatos. Já na segunda data, a estimativa é de que o saco tinha entre 10 e 15 animais, entre galos e galinhas.
Na ocorrência do dia 8 de novembro, moradores do bairro relataram forte odor e acionaram o Centro de Controle de Zoonoses e o Departamento de Limpeza Urbana, que acabaram incinerando o conteúdo sem abrir a embalagem.
No segundo episódio, ocorrido quase duas semanas depois, equipes da Dicma e da perícia foram acionadas antes da retirada do material. Desta vez, os sacos continham restos de aves, peixes e partes de um bode.
INVESTIGAÇÃO
A polícia trabalha com duas linhas principais de investigação, sendo a de restos de animais usados em rituais religiosos ou descarte irregular de animais sacrificados.
“Pelo contexto do segundo caso, há indícios de que os restos mortais podem ter sido utilizados em rituais religiosos”, afirmou o delegado João Claudio Pereira Paes, responsável pelo caso. Segundo ele, a equipe segue em diligências e realiza rondas periódicas no local, mas ainda não identificou a suspeita.
“As câmeras de segurança registraram o veículo envolvido, mas não foi possível identificar a placa devido ao ângulo. No entanto, todas as características do carro foram obtidas”, relatou a autoridade policial.
Moradores relataram à polícia que a área já teria sido usada outras vezes para descarte irregular de animais. Em duas situações anteriores, restos de galinhas e dois cães já haviam sido recolhidos pelo Departamento de Limpeza Urbana.
Após os registros, os funcionários foram orientados a acionar imediatamente a polícia em caso de novas ocorrências.
Os casos foram registrados com base no artigo 32 da Lei Federal de número 9.605/98, que trata de maus-tratos contra animais. A norma prevê pena de dois a cinco anos de reclusão quando houver cães ou gatos envolvidos, além de multa e proibição de guarda. Se houver morte, a pena pode ser aumentada.
A Polícia Civil informou que mantém monitoramento no bairro e busca possíveis novos locais utilizados para o descarte.
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