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Tarcísio garante estudos para ampliar monotrilho da Linha 17 até Diadema

Governador afirmou ao ‘Diário’ que quer maior integração do ramal e expandi-lo ao Grande ABC

Bruno Coelho
18/11/2025 | 03:15
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FOTO: André Henriques 29/8/25
FOTO: André Henriques 29/8/25 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


 A Linha 17-Ouro de monotrilho, prometida para a Copa do Mundo de 2014, na reta final de conclusão, está em vias de ser entregue à população em março de 2026. Entretanto, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) garantiu, em entrevista exclusiva ao Diário, que após essa etapa colocará em estudos a extensão do traçado, contemplando possivelmente Diadema em uma das pontas. Caso esse cenário se concretize, o Grande ABC receberá o terceiro projeto de transporte sobre trilhos para um futuro próximo.

Atualmente, as obras da Linha 17-Ouro atingiram mais de 90% de conclusão e já é possível motoristas e pedestres, principalmente da Avenida Jornalista Roberto Marinho, na Zona Sul de São Paulo, observarem algumas composições realizando testes nas vias elevadas, além de estações já estruturadas com placas instaladas e escadas rolantes. O futuro trajeto possibilitará ligação entre a Estação Morumbi, da Linha 9-Esmeralda, a outras duas pontas: os terminais Aeroporto de Congonhas e Washington Luís. 

DGABC

“Pegamos esse esqueleto da Linha 17(-Ouro) e estamos terminando a obra para o ano que vem. Porém, ainda teremos um problema de concepção: uma linha de metrô será mais eficiente quanto mais integrada for (com a malha metroferroviária). Ligar Pinheiros a Congonhas é legal, mas não dá potência. Por isso, preciso ligar esse serviço às linhas 4 (-Amarela) e 1 (-Azul), (este) no Jabaquara. Então por que, do Jabaquara, não levar essa linha para Diadema? Então esse é o estudo que faremos”, assegurou o governador.

O projeto original da Linha 17-Ouro previa um traçado de cerca de 18 quilômetros, incluindo a chegada do serviço à Estação Jabaquara, onde haveria a conexão com a Linha 1-Azul do Metrô e o corredor ABD, operado pela Next Mobilidade. Do outro lado, o monotrilho prosseguiria para a Zona Oeste de São Paulo, até a Estação São Paulo-Morumbi, com transferência à Linha 4-Amarela, operada pela ViaQuatro. No meio do caminho, porém, houve paralisações das obras, troca de gestões e mais de dez anos de atraso.

Tarcísio entende que o trajeto a ser entregue, após retomar as obras da Linha 17-Ouro, ainda terá uma integração tímida com o restante da malha metroferroviária. Além da Linha 9-Esmeralda, o percurso a ser entregue no ano que vem prevê mais uma ligação, com a Linha 5-Lilás do metrô, na Estação Campo Limpo, uma proposta aquém para um serviço visto como essencial para transportar passageiros ao Aeroporto de Congonhas, um dos mais movimentados do Brasil. 

Outra movimentação abordada e descartada pelo governador ao Diário é a possibilidade de a Linha 1-Azul, que conecta hoje as zonas Norte e Sul de São Paulo, chegar a Diadema. “Eu queria levar a Linha 1(-Azul) do Jabaquara para Diadema, e pedi para estudar. Mas sabe qual é a dificuldade? Pátio de manobras. Então, talvez não seja possível fazer a extensão da Linha 1(-Azul), mas posso conseguir da Linha 17(-Ouro) para Diadema e já pedi para o Metrô fazer esse estudo”, afirmou Tarcísio.

Hoje, o Grande ABC tem a Linha 10-Turquesa da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) e mais dois projetos sobre trilhos: a Linha 14-Ônix de VLT (Veículo Leve Sobre Trilhos) e a Linha 20-Rosa de Metrô, ambas previstas para a próxima década.

SONHO ANTIGO

Não é de hoje que a população de Diadema espera pela chegada de um ramal metroviário. Em 2013, a então deputada estadual Regina Gonçalves (à época no PV) chegou a comemorar o possível desembarque do Metrô na cidade, ao ouvir do Estado a promessa de analisar o caso. Até cavaletes com o anúncio de tal promessa foram espalhados pelas ruas. Entretanto, o que seria um sonho não saiu do papel e tampouco garantiu a reeleição da parlamentar na Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo).  

Governador descarta ligação direta a Suzano

Outro tema abordado pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), exclusivamente ao Diário, foi a possibilidade de uma ligação de trem de passageiros entre Rio Grande da Serra e Suzano, por meio de uma via de trilhos, na maior parte do percurso, hoje utilizada apenas por composições de carga. A especulação voltou a ganhar vida com recentes declarações de deputados estaduais com redutos na região do Alto Tietê, mas o republicano não enxerga viabilidade técnica para tirar do papel tal projeto. 

Segundo o Diário de Suzano, o presidente da Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo), André do Prado, e o deputado e ex-vereador de Mogi das Cruzes, Marcos Damasio (ambos do PL), defendem a proposta de conectar passageiros de Suzano a Rio Grande da Serra, passando também por Ribeirão Pires. Segundo o periódico, os parlamentares prometeram levar a demanda ao governador, sob a bandeira de promover o desenvolvimento na região e a integração entre as duas malhas ferroviárias. 

Em 2005, porém, a CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) realizou estudo sobre a possibilidade de transportar passageiros no traçado que tem início alguns metros antes da Estação Rio Grande da Serra, da Linha 10-Turquesa, e desemboca na Estação Suzano, da Linha 11-Coral. A conclusão foi que o ramal, apesar de beneficiar alguns moradores, principalmente de Ribeirão Pires, na região do Ouro Fino, e de bairros de Suzano, teria demanda baixa perante o alto custo operacional.

A exemplo da análise realizada anos antes pela CPTM, Tarcísio também não vê uma forma de a iniciativa prosperar: “Não está no radar ainda. O que está no radar é a ligação do Grande ABC e Guarulhos, que é a Linha 14-Ônix. Já temos projeto pronto, ligando a parada Pirelli (futura Estação ABC) à Zona Leste de São Paulo, chegando a Guarulhos. Nem faria sentido (esse projeto) neste momento, pois Rio Grande da Serra e Suzano já estão conectados com a rede (metroferroviária), e o trajeto mais comum é dessas cidades para o Centro de São Paulo”. 

A Linha 14-Ônix, citada pelo governador, já assumiria essa missão de encurtar o trajeto do passageiro do Grande ABC ao Alto Tietê, sem necessidade de se deslocar até a região central da Capital. O futuro ramal partiria de Santo André, pela Estação ABC, e possibilitaria transferência às linhas 11-Coral por Corinthians-Itaquera, e 12-Safira, em São Miguel Paulista, ambas com destino à região de Suzano. 

Linha 14 não será BRT ou VLP, garante secretário

Integrada ao pacote de concessão da Linha 10-Turquesa da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), com leilão previsto para 2026, a futura Linha 14-Ônix não sairá da proposta de circular sobre trilhos. Quem garante é o secretário estadual de Parcerias em Investimentos, Rafael Benini, afastando um destino semelhante à Linha 18-Bronze de monotrilho, modal entre São Bernardo e São Paulo, substituído pelo sistema de BRT (Bus Rapid Transit), em julho de 2019, ainda em obras.

Segundo documentos disponibilizados pela própria Secretaria de Parcerias em Investimentos, a futura concessionária assumirá a operação da Linha 10-Turquesa e ficará responsável pela construção da Linha 14-Ônix, com proposta inicial de ser um VLT (veículo leve sobre trilhos), entre Santo André e a Zona Leste de São Paulo, com extensão posterior a Guarulhos. A proposta abre brecha para a empresa definir o modelo de modal a ser implementado no novo sistema. 

Benini assegurou que está descartada a possibilidade da Linha 14-Ônix virar um BRT ou um VLP (veículo leve sobre pneus). “Faremos uma PPP (Parceria Público-Privada) pensando na tecnologia que a empresa privada vai implementar. Se tiver uma tecnologia que movimente mais gente, não há motivos para não aproveitar. Mas está fechado no contrato que o serviço será em trilhos”, garantiu o secretário ao site Metrô-CPTM. 

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