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David Uip descarta disputar presidência da Fundação do ABC

Reitor da Faculdade de Medicina é contra a permanência de Luiz Mário à frente da instituição; Conselho Universitário da FMABC convocou ato para amanhã

Nilton Valentim
Angelica Richter
17/11/2025 | 21:51
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FOTO: Reprodução Redes Sociais/Celso Luiz - Banco de Dados
FOTO: Reprodução Redes Sociais/Celso Luiz - Banco de Dados Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


 O médico infectologista e atual reitor do Centro Universitário FMABC (Faculdade de Medicina do ABC), David Uip, descarta a candidatura à presidência da FUABC (Fundação do ABC) e garante apoio ao nome que for indicado pelos prefeitos das três cidades mantenedoras – Santo André, São Bernardo e São Caetano – desde que não seja Luiz Mário Pereira de Souza Gomes, que está à frente da instituição há oito anos e cujo mandato se encerra na primeira quinzena de 2026.

“Eu não quero. Não há a menor possibilidade (de ser presidente da FUABC). Eu tenho uma longa história. Fui secretário de Estado três vezes, presidi a Fundação Zerbini e agora, como reitor (da FMABC), cumpri minha missão”, afirma Uip.

DGABC

A declaração do reitor ocorre no mesmo dia em que o Conselho Universitário da FMABC divulgou um manifesto pela renovação na gestão da FUABC. O documento aponta risco de “estrangulamento financeiro” do centro universitário em caso da continuidade da atual gestão e convoca a comunidade acadêmica a paralisar as atividades amanhã, como forma de e “assegurar o atendimento das demandas apresentadas no manifesto e em defesa da autonomia universitária” (leia mais abaixo).

David Uip destaca que manter o atual presidente no cargo é um desrespeito ao artigo 12 do estatuto da FUABC, que determina mandato de dois anos, com apenas uma reeleição, respeitando o rodízio entre as prefeituras na indicação do mandatário.

“Isso não tem negociação. E nós temos alguns preceitos que são inabaláveis. Um deles é a autonomia universitária. Não podemos ser considerados como uma gerenciada de OSS (Organização Social de Saúde)”, afirma Uip, lembrando que a FUABC foi criada para ser mantenedora da faculdade, e que veio a se tornar OSS para administrar o Hospital Mário Covas, em Santo André, e hoje atua em várias cidades e tem faturamento projetado de R$ 4,5 bilhões para 2026. “Como mantida, (a FMABC) tem de ser cuidada de forma diferente. E desde 2018 a FUABC não repassa recursos. Nós vivemos com a mensalidade, alguns poucos contratos com municípios e doação”, destaca.

Uip afirma não ter ressalvas ao atual presidente, mas enfatiza a necessidade de mudanças. “Nós vamos apoiar a decisão dos prefeitos. É direito deles fazer a escolha e nós respeitamos muito. Exceto a continuidade ilegal do atual presidente. Pessoalmente, eu não tenho nada contra o Luiz Mário. Mas do ponto de vista de relação com o centro universitário, basta. Não dá mais!”. 

COTADOS

Um novo nome entrou na disputa pela presidência da FUABC, Ricardo Carajeleascow, diretor do Departamento de Saúde de São Caetano. Além dele estão cotados para o cargo o diretor-geral do Hospital Mário Covas, Eduardo Grecco, e Almir Cicote, secretário de Mobilidade Urbana de Santo André.

Conselho da FMABC realizará ato  amanhã por sucessão na FUABC

O Conselho Universitário do Centro Universitário FMABC (Faculdade de Medicina do ABC) aprovou ontem a realização de manifestações institucionais, com a participação de toda a comunidade acadêmica, para pressionar pela escolha do novo presidente da FUABC (Fundação do ABC). Segundo o Manifesto pela Renovação da Gestão da FUABC, divulgado ontem, o objetivo das mobilizações é assegurar a defesa da missão acadêmica do Centro Universitário FMABC. Os atos ocorrerão amanhã (19), das 11h às 14h e das 18h30 às 20h, na FMABC. 

Na última semana, a primeira reunião das cidades mantenedoras da FUABC para definir o nome a ser indicado à presidência da instituição terminou sem consenso. Gilvan Ferreira (PSDB), prefeito de Santo André, Marcelo Lima (Podemos), de São Bernardo, e Tite Campanella (PL), de São Caetano, decidiram manter o diálogo antes de selar a escolha sobre quem comandará a Fundação a partir de 2026. A expectativa é que o nome indicado seja definido nesta semana.

“A recente reunião dos prefeitos encerrou-se sem consenso e voltou a cogitar a permanência do atual presidente (Luiz Mário Pereira de Souza Gomes), que já ocupa cargos de direção há oito anos e manifesta a intenção de permanecer por mais um mandato. O Estatuto da FUABC, em seu artigo 12, é inequívoco: o mandato é de dois anos, com apenas uma reeleição, e deve obedecer ao rodízio entre as Prefeituras”, traz trecho do Manifesto pela Renovação. 

De acordo com o Conselho Universitário, a continuidade sucessiva de um mesmo nome, proveniente de um único município, viola o espírito estatutário, compromete a al-ternância de poder e desequilibra a governança tripartite que sustenta a Fundação do ABC desde sua origem.

O grupo afirma que a continuidade da atual presidência da FUABC tende a aprofundar o estrangulamento financeiro e político, colocando em risco a sustentabilidade do FMABC. “A Fundação, criada para sustentar a formação em saúde na região, tem privilegiado sua atuação como OSS (Organização Social de Saúde), expandindo contratos e estruturas administrativas, enquanto negligência sua missão originária e suas obrigações para com a instituição universitária que lhe deu fundamento”, destaca o grupo no documento. 

O conselho ressalta no manifesto a preocupação com práticas recorrentes da atual gestão, marcada por uma expansão desordenada da FUABC, que hoje administra cerca de 35 mil funcionários e projeta faturamento de R$ 4,5 bilhões para 2026. Afirma que o crescimento vem acompanhado de “denúncias públicas e investigações sobre má gestão e irregularidades em contratos com prefeituras, conforme amplamente divulgado pela imprensa regional e nacional”.

O grupo denuncia ainda a asfixia financeira imposta pela FUABC à Faculdade de Medicina do ABC desde 2018, “com retenção de repasses que já ultrapassa dezenas de milhões de reais, afetando o custeio das atividades acadêmicas, administrativas e assistenciais”. “Todos os documentos que comprovam a veracidade dos fatos descritos foram encaminhados ao MP (Ministério Público) e aos três prefeitos das cidades consorciadas”, afirma. 

O Conselho Universitário, em face dos argumentos apresentados, pede a indicação imediata, pelos prefeitos de um novo presidente para a FUABC, rompendo com o ciclo de reeleições sucessivas; a instauração de auditoria independente, com o objetivo de apurar a real situação econômico-financeira da Fundação ABC e eventuais inconformidades administrativas, assegurando transparência e responsabilidade na gestão dos recursos públicos; e que a escolha do novo presidente “recaia sobre uma liderança comprometida com a missão histórica, regimental e estatutária da FUABC”.

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