Presença Região registra 16 mil migrantes e, entre os principais Estados de origem, estão Bahia, Pernambuco e Ceará; Dia do Nordestino é celebrado nesta quarta-feira
FOTO: Claudinei Plaza/DGABC

A presença nordestina, a partir da segunda metade do século XX, foi crucial para o desenvolvimento do Grande ABC. É o que afirma a historiadora da Fundação Pró-Memória de São Caetano, Cristina de Carvalho, ao comentar a relação dos nascidos na região com as sete cidades. Embora frequentemente apagados da história, esses brasileiros tiveram papel fundamental na formação da identidade local. Nesta quarta-feira (8), celebra-se o Dia do Nordestino.
Segundo a especialista, o principal fluxo migratório ocorreu entre as décadas de 1950 e 1960. Cristina de Carvalho, autora do livro Migrantes amparados: a atuação da Sociedade Beneficente Brasil Unido junto a nordestinos em São Caetano, explica que a vinda para o Grande ABC foi motivada principalmente pela busca por melhores condições de vida. “Vieram em busca de colocação profissional e inserção no parque fabril de São Paulo e da região. Esses deslocamentos ocorreram, sobretudo, por razões socioeconômicas.”
Ainda que os italianos sejam exaltados como heróis regionais, a historiadora explicou que o povo nordestino tem forte impacto no contexto histórico. “Foi crucial, porque serviram de mão de obra para as fábricas locais, que vinham em um processo de crescimento na época.
Além de questões profissionais, esses migrantes deixaram o tributo nas questões culturais e crenças. É fato que nem tudo é italiano, embora tenham sido muito importantes. São Caetano, por exemplo, é formada por vários grupos étnicos, não só pela presença dos europeus”, comentou.
De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o Grande ABC tem 16.927 migrantes do Nordeste. Os dados contabilizam os principais lugares de residência anteriores das pessoas que não residiam na região, no período de cinco anos antes da data de referência do Censo 2022.
Na região, os principais estados de origem nordestina são Bahia, com 5.922 pessoas; Pernambuco, com 2.785; e Ceará, com 2.712. Em seguida, aparecem Piauí (1.474), Paraíba (1.330), Alagoas (1.045), Maranhão (711), Sergipe (590) e Rio Grande do Norte (358).
O morador de São Bernardo e dono da academia Energia Total, no bairro DER, Wellington Frazão, 48 anos, nasceu em Pernambuco em 1977 e aos 12 anos chegou à cidade são-bernardense, no ano de 1989. “Nasci em Pesqueira (215 km da capital Recife) e fui criado pela minha tia e pela minha avó. Na época, elas vieram buscando uma melhoria de vida, por conta daqui ter mais emprego. A vida lá era um pouco difícil, ajudava na roça e questões rurais.”
O personal trainer comentou que a adaptação na nova terra foi complicada. “Comecei a vender DVD e trabalhei como ajudante em residências. Quando vim para São Bernardo, sofri um pouco de preconceito. Falavam ‘olha o Baiano’, colocam todos em um só lugar. Tenho muito orgulho de ser nordestino, foi o pessoal de lá que ajudou a construir São Paulo”, completou Frazão.
O garçom do Restaurante Nordestão, localizado também em São Bernardo, Francisco da Silva, 43, chegou ainda jovem à cidade, aos 13 anos, em 1995. Nascido na Paraíba, migrou depois dos seus parentes formarem um comércio no município. “Meus irmãos vieram primeiro, compraram uma casinha e buscaram meus pais e a mim. Trabalhava muito na roça, uma vida mais sofrida. Ser nordestino é maravilhoso, um povo acolhedor”, concluiu.
Para celebrar a população, a Prefeitura de Diadema promove o Festival Baião de Dois nos dias 10, 11 e 12 de outubro. Já o Paço são-bernardense esclareceu que promove a preservação da memória com a Festa dos Povos Migrantes, que também homenageia a cultura do Nordeste.
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