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Número de estudantes estrangeiros na região cresce 30% em dois anos

Venezuela, Cuba, Colômbia, Haiti e Bolívia são as nacionalidades mais presentes

20/09/2025 | 20:23
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FOTO: Denis Maciel/DGABC
FOTO: Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Os irmãos haitianos Wilsley, 13 anos, e Wilbens Smith, 18, deixaram para trás os conflitos da guerra civil que seu país de origem enfrenta e chegaram a Diadema há três anos em busca de uma nova vida. Aqui esbarraram, principalmente, no desafio da aprendizagem escolar em uma língua – a nativa, de base francesa, é a crioula – bastante diferente, mas encontram nos colegas de escola acolhimento suficiente para superar as dificulades.

“Não conseguia conversar nada quando cheguei na escola, falava e ninguém me entendia, e não entendia ninguém, mas fiz amizade e meus amigos de sala ajudavam bastante, se comunicando por meio de sinais. Eles apontavam objetos e iam dizendo os nomes deles para eu ir aprendendo. Falavam devagar e com palavras simples”, conta Wilsley, que estuda na sétima série do ensino fundamental na EE (Escola Estadual) Nicéia Albarello Ferrari, no município diademense. 

O número de alunos estrangeiros no Grande ABC cresceu 30% nos últimos dois anos. Em 2025, somente a rede pública estadual soma 700 estudantes, de um total de 204 mil. Em 2023, eram 537 em um universo de 217 mil matriculados. São registradas 36 nacionalidades do total de 700 imigrantes, sendo Venezuela, Cuba, Colômbia, Haiti e Bolívia as cinco nacionalidades mais comuns. 

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Na rede de educação municipal, em 2025, há ao menos mais 387 alunos estrangeiros. Em Santo André são 177, São Caetano tem 54, Diadema, 130, Mauá, 21, e Ribeirão Pires, cinco. São Bernardo não informou e, em Rio Grande da Serra, não há registros. 

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O diretor da Escola Estadual Nicéia Albarello Ferrari, Wallan Gomes de Araujo, afirma que uma das maiores preocupações quando um aluno estrangeiro ingressa na instituição é a adaptação do currículo escolar. 

“Fazemos uma análise do histórico, seguindo a documentação que eles trazem e as diretrizes da Seduc (Secretaria da Educação do Estado São Paulo), para avaliarmos, de acordo com a idade e nível de desenvolvimento, a série mais adequada, porque a do Haiti, por exemplo, é dividida de uma forma diferente. Há uma diferença também nas disciplinas e seus conteúdos”, explica o gestor.

Wilbens, aluno da mesma escola, conta que os colegas de turma o ajudavam a compreender a lição quando ele tinha dificuldades. “O mais difícil para mim era a língua. Quando o professor falava, eu não entendia nada. Mas, quando ele dava um exemplo na lousa, aí eu conseguia entender”, relata o haitiano, que nunca repetiu uma série. Ele destaca que gosta de estudar, especialmente matemática, e tem o sonho de cursar Ciência da Computação.

Já Wilsley adora as aulas de Educação Física, e assim como seu amigo, o venezuelano Osbeth Santiago Zacarias Acevedo, 13, quer ser jogador de futebol. O jovem veio da Venezuela em 2021 com sua família para acompanhar a irmã, de 25 anos, que se mudou em 2019 em busca de uma vida e um futuro melhor. 

“Desde que tinha seis anos apostava com um primo que ia morar aqui. A língua é parecida, então foi mais fácil. Fiz amigos rápido e quero, apesar da saudade de lá, continuar no Brasil”, finaliza o estudante venezuelano.

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