União Fundada em 2024 em São Bernardo, equipe valoriza união, disciplina e oferece oportunidades aos que sonham em praticar a modalidade
FOTO: André Henriques/DGABC

Fundado em 19 de janeiro de 2024, no bairro Demarchi, em São Bernardo, o Corvus se tornou um dos projetos mais inspiradores da região. Com treinos de vôlei realizados durante as semanas, a equipe reúne atletas de muitas idades em cinco diferentes categorias: sub-17 feminino, sub-19 masculino, adulto feminino, adulto masculino e adulto misto.
Apesar dos triunfos em quadra, o time nasceu com a missão de acolher, oferecer oportunidades e transformar vidas por meio do esporte.
A iniciativa surgiu a partir das experiências de Victor Guilherme Marianno Dias, 29 anos, fundador da equipe. Ele, que cresceu enxergando diversas pessoas enfrentando a falta de chances na modalidade, enxergou a necessidade de criar um espaço inclusivo. “O principal motivo foi dar oportunidade para quem tem vontade. No vôlei, existe muita exclusão de quem não é alto ou não tem tanta técnica, mas aqui todos têm espaço para jogar e crescer”, afirma o idealizador.
O nome do time também traz um significado especial. Inspirado no símbolo do corvo, Victor explica que o animal sozinho pode parecer frágil, mas em grupo se transforma em algo extremamente forte. Essa ideia foi adaptada para o latim “Corvus” e deu origem à identidade do projeto. As cores preto e branco são dominantes do uniforme dos esportistas.
Desde sua formação, o Corvus enfrentou diversos desafios. A falta de estrutura foi o primeiro deles, com o time hoje treinando em ginásios disponibilizados pelo município são-bernardense. Com poucos materiais, a equipe precisou encontrar alternativas criativas para se manter. Sem cobrança de mensalidade, o time sobrevive de rifas e apoio de empresas locais.
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A dedicação do grupo ultrapassa as quatro linhas. Em menos de dois anos de existência, o Corvus já conquistou seu espaço nas redes sociais, atraindo seguidores de várias partes do Brasil. Um vídeo publicado no Instagram chegou à marca de 27 milhões de visualizações.
Para os atletas e colaboradores, o sentimento é compartilhado de diferentes formas. Caroline Bazoni Teixeira, 24 anos, que é responsável pelo marketing e noiva de Victor, vê o time como sinônimo de resistência e superação. “Para mim, o Corvus é resiliência. A gente se adapta, aprende com as derrotas e abraça quem chega sem experiência. Aqui, qualquer pessoa que entra é bem acolhida”, define.
O jovem Vinicius Marcelo Ferreira Silva, 17 anos, que atua como oposto no sub-19, também se identifica com esse acolhimento. Para ele, estar no time significa muito mais do que jogar vôlei. “O Corvus sempre me recebeu como família. Não precisei mudar quem eu era, fui aceito do jeito que sou”, relembra.
Já Arthur Shiguemi Nakaoka Falcão, 17 anos, que joga como ponta, destaca a importância da união. “Claro que existe uma competitividade, porém, o espírito coletivo e o apoio entre todos foi algo que me marcou bastante”, explica o rapaz, que encontrou no grupo um excelente espaço para amadurecer.
Entre os mais experientes, Gabriel Henrique de Souza Couto, 19 anos, levantador do time sub-21, vê a equipe como uma escola, onde tem aprendido mais sobre respeito e crescimento pessoal. “Aqui eu compreendi mais sobre disciplina e foco, não só no vôlei , mas na vida. É uma oportunidade de crescer como atleta e ser humano”, destaca o atleta.
Julia Cassen dos Santos, 16 anos, reforça a conexão entre os atletas. “O que diferencia o Corvus de outros times é que, não importa se você erra ou acerta, sempre tem alguém do seu lado para te apoiar. É um por todos e todos por um”, afirma a garota, que integra o sub-17 feminino.
Em pouco mais de um ano, o Corvus já acumula resultados importantes. O time chegou a disputar um torneio no Clube Mesc (Movimento de Expansão Social Católica), em São Bernardo, além de seu primeiro triunfo, no Ginásio do Primeiro de Maio, em Santo André.
No entanto, os feitos mais marcantes para os atletas não estão apenas nos troféus e medalhas, e sim nas confraternizações, amizades criadas, mudanças de hábitos e o fortalecimento do espírito familiar que traz sentido ao projeto.
PLANOS PARA O FUTURO
O futuro reserva voos ainda maiores para o Corvus, A principal meta é transformar o time em centro esportivo multidisciplinar, abrangendo outras modalidades, como o basquete, futebol, categorias máster e até paralímpicas. A ideia é continuar sendo referência no acolhimento e na criação de oportunidades.
“Mais do que títulos, queremos mudar vidas. Já vimos atletas deixarem vícios, criarem novas rotinas e acreditarem mais ainda em si mesmos. Esse é o maior troféu que o Corvus pode conquistar”, projeta Dias.
Com disciplina, dedicação e paixão, o Corvus é a prova viva de que o vôlei é muito mais do que um esporte: é um instrumento de transformação, capaz de inspirar jovens, adultos e toda comunidade local a acreditarem no poder da união.
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