Requerimento Pressionados, vereadores da base do prefeito afastado Marcelo Lima assinam requerimento após operação da PF
FOTO: André Henriques | DGABC

Entre todos os 231 dias riscados no calendário de 2025, a Câmara de São Bernardo viveu ontem a sessão mais agitada do ano, depois da Polícia Federal deflagrar, na semana passada, uma possível organização criminosa dentro da Prefeitura. Pressionados pela tempestade política e repercussão nacional, os vereadores da base aliada do prefeito, neste momento afastado, Marcelo Lima (Podemos), concordaram em assinar o requerimento a fim de instaurar uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito), em paralelo às investigações da Justiça.
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Antes do início da sessão, munícipes formavam filas em direção ao auditório, em meio à turbulência que virou a cidade de cabeça para baixo. Segundo o MP-SP (Ministério Público de São Paulo) e a Polícia Federal, agentes públicos, entre eles, Marcelo Lima, seu primo e então presidente do Parlamento, Danilo Lima (Podemos), e o vereador Ary de Oliveira (PRTB), são suspeitos de envolvimento em captação de recursos ilícitos junto a empresas com contratos ligados ao Paço de São Bernardo. Todos estão afastados de suas funções por ordem judicial.
Desgarrado do governo, o vereador João Viana (Cidadania), próximo do deputado federal Alex Manente (Cidadania), tomou a iniciativa pela instauração de uma CPI no Legislativo. De acordo com o parlamentar, a Câmara não poderia ficar alheia aos apontamentos do MP-SP sobre o possível escândalo de lavagem de dinheiro e organização criminosa. “O objetivo é trazer transparência para todas as investigações e queremos descobrir todos os contratos citados na Polícia Federal, e auditá-los em conjunto aqui na Casa”, enfatizou.
O cenário foi tão incomum no Parlamento que João Viana, vereador de centro, ganhou apoio de manifestantes, entre eles, ligados ao Psol, presentes no auditório, que protocolaram um pedido de instauração de comissão processante pelo impeachment de Marcelo Lima, horas após ação da Polícia Federal. Enquanto isso, a bancada do PT optou pela discrição, tendo como único destaque a vereadora Ana Nice por ser a nova presidente da Casa, devido ao afastamento de Danilo Lima.
Por outro lado, em uma jogada de minutos, os vereadores da base de Marcelo Lima apresentaram outro requerimento propondo uma CPI similar, desta vez de autoria do líder de governo, Julinho Fuzari (Cidadania), com intuito de ter maior controle da situação. Em comum acordo, todos os 26 vereadores assinaram o documento. Agora cabe à mesa diretora dar celeridade na instauração da comissão. “Queremos apurar aquilo que foi mencionado na operação da Polícia Federal, com foco de investigar os contratos”, disse.
No entanto, quem esperava o anúncio da instauração da CPI, ficou no aguardo, visto que os vereadores estrategicamente se retiraram do plenário, e, por falta de quórum, a sessão foi encerrada exatamente às 13h. “Na verdade, a CPI já foi protocolada. Então agora, a partir da admissão, vai tramitar internamente para indicação dos integrantes e iniciar os trabalhos”, justificou Ana Nice, sinalizando que os futuros desdobramentos do requerimento ficarão para os próximos dias.
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