Política Titulo Combate à criminalidade

Prefeituras mais que dobram despesas com segurança urbana de 2015 a 2025

Sete cidades da região passam de R$ 201,2 milhões para R$ 412,9 milhões previstos para este ano, aumento de 105,17%

Bruno Coelho
27/07/2025 | 21:54
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FOTO: André Henriques/DGABC
FOTO: André Henriques/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Cada vez mais a violência urbana se faz presente entre as maiores preocupações do brasileiro, enquanto os municípios se veem obrigados a não ficar de braços cruzados, mesmo com o artigo 144 da Constituição Federal estabelecendo que a ordem pública é dever do Estado. No Grande ABC, as sete cidades ampliaram as projeções de despesas a secretarias e departamentos de segurança de R$ 201,2 milhões para R$ 412,9 milhões, entre 2015 e 2025, conforme levantamentos orçamentários, aumento de 105,17% de recursos ao setor.

Em Santo André, o Orçamento 2015 previu R$ 47,7 milhões para a então Secretaria de Segurança Urbana e Comunitária, quantia que representava 1,5% do orçamento de R$ 3,1 bilhões. Neste ano, o governo prevê R$ 88,2 milhões para a atual Pasta de Segurança Cidadã, fatia de 1,69% de uma receita estimada de R$ 5,2 bilhões. Embora o percentual pareça pequeno, a cidade registrou crescimento orçamentário entre os períodos, de 64,06%, enquanto que o investimento em segurança subiu em 83,36%.

“Os municípios têm atuado de forma cada vez mais complementar, porque essa é uma das maiores demandas da população. Em Santo André temos investido em tecnologia, inteligência e integração entre as forças de segurança. Estamos implementando um novo e moderno COI (Centro de Operações Integradas) e mantemos diálogo permanente com o Estado para reforçar o policiamento”, avaliou o prefeito Gilvan Ferreira (PSDB).

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Primeira cidade da região a receber a tecnologia de reconhecimento facial, com o Smart Sanca, São Caetano previa R$ 25 milhões para o segmento diante de uma receita de R$ 1,1 bilhão em 2015, percentual de 2,13%. Neste exercício, a Secretaria de Segurança tem aporte estimado em R$ 60,9 milhões perante uma planilha financeira de R$ 2,6 bilhões, ampliando para 2,34% a despesa total no Palácio da Cerâmica. Se o orçamento estimado saltou 122,20% em uma década, o investimento na Pasta subiu 143,60%.

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“Se São Caetano estivesse em uma situação financeira mais saudável, poderia fazer muito mais. Poderia entregar mais câmeras de monitoramento, mais equipes, viaturas, equipamentos e armamentos. Quem mora na cidade, não fica esperando os governos do Estado e federal fazerem, e sim demanda que a Prefeitura tome essa frente”, avaliou o prefeito Tite Campanella (PL).

Raciocínio similar vem do prefeito de Diadema, Taka Yamauchi (MDB), que aponta o avanço da sofisticação das ações criminosas e a demanda crescente da população por proteção, exigindo mais das prefeituras. “Temos feito esse esforço com responsabilidade, ampliando o orçamento, modernizando equipamentos e buscando integrar tecnologia e inteligência. Essa cooperação entre os entes federativos é essencial para oferecer mais segurança à população”, disse.

Nesse sentido, Diadema registrou, de 2015 a 2025, aumento de R$ 39,5 milhões para R$ 70,8 milhões em investimentos estimados na área da segurança, majoração de 79,4%. Na vizinha São Bernardo, as despesas na área subiram de R$ 65,6 milhões para R$ 114,4 milhões, variação de 74,17%, mais que o dobro do crescimento percentual de 34,51% do orçamento, entre quase R$ 5 bilhões para R$ 6,7 bilhões nos dois exercícios.

Em Mauá, o gasto para segurança ascendeu de R$ 17,9 milhões em 2015 para R$ 50,9 milhões neste ano, variação de 184,73%, enquanto que Ribeirão Pires pulou de R$ 5,3 milhões para R$ 24 milhões. Já em Rio Grande da Serra, o salto foi de R$ 11 mil, visando à implementação da GCM (Guarda Civil Municipal) para R$ 3,4 milhões destinados ao Departamento de Segurança.

Região gastou R$ 138,31 contra criminalidade por habitante em 2024

Com população estimada em quase 2,8 milhões de habitantes em 2024, conforme projeções mais recentes do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), as cidades do Grande ABC gastaram R$ 138,31 em segurança pública por morador ao longo do ano. As prefeituras destinaram ao segmento R$ 385,7 milhões, segundo os orçamentos daquele exercício, salto de 91,69% aos R$ 201,2 milhões em 2015, quando a despesa foi de R$ 73,99 por pessoa.

Com população de 172 mil pessoas, São Caetano lidera o levantamento de investimento em segurança, com R$ 361,51 por morador em 2024, enquanto que dez anos antes, tal quantia foi de R$ 158,20 para cada um dos 158 mil habitantes projetados pelo IBGE na ocasião. Um crescimento notável ocorreu em Ribeirão Pires, que no ano passado, despendeu R$ 192,30 em vigilância por habitante, segundo projeções populacionais, quantia que foi de R$ 44,57 em 2015.

Em 2024, Diadema investiu, no combate à criminalidade por habitante, o valor de R$ 158,17, seguida de Santo André (R$ 120,82), São Bernardo (R$ 113,81), Mauá (R$ 102,40) e Rio Grande da Serra (R$ 67,12).




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