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Em dois anos, jovem morto envenenado em São Bernardo teve cinco transferências escolares

De 2011 a 2013, Lucas da Silva Santos passou por escolas em Santo André e Diadema; mudanças eram para esconder maus-tratos, denuncia pessoa próxima

Thainá Lana
Gabriel Gadelha
Especial para o Diário
24/07/2025 | 16:18
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FOTO: Reprodução Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O jovem envenenado em São Bernardo, Lucas da Silva Santos, 19 anos, que morreu no domingo (20), possui extenso histórico de transferências escolares. Documento obtido pelo Diário mostra que, de 2011 a 2013, quando o rapaz tinha apenas cinco anos, ele passou por cinco unidades de ensino em dois municípios, Santo André e Diadema. Pessoa que conviveu com a família de Lucas denuncia que mudanças eram para esconder casos de maus-tratos e negligência. 

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Em março de 2011, Lucas ficou por apenas cinco dias na Emeb (Escola Municipal de Educação Básica) José Rodrigues Pinto e foi transferido para Emeb Vinícius de Moraes, ambas em Diadema, onde cursou o segundo ano da pré-escola por 128 dias. Na sequência, o menino foi matriculado na Emeief (Escola Municipal de Ensino Fundamental e Educação Infantil) Machado de Assis e 44 dias depois foi para Emeief Silvia Orthof, sendo as duas escolas localizadas em Santo André. 

No mesmo ano, Lucas retornou para Emeb Vinícius de Moraes, onde finalizou o segundo ano do pré e a primeira série do ensino fundamental, e ficou até o fim de 2012. No início de 2013, o jovem foi transferido pela primeira vez para a rede estadual de ensino, para E.E.Professor Roberto Frade Monte, em Diadema, onde cursou do segundo até o quarto ano. 

Foi nessa escola que “Neusa”, nome fictício, teve contato pela primeira vez com a família de Lucas. A denunciante pediu para não ser identificada por medo de represálias. Mãe de aluno, ela disse que seu filho ficou próximo de João Victor da Silva Santos, 21, um dos irmãos de Lucas, em 2013 - nessa época, eles moravam na Vila Nogueira, em Diadema. 

“A família  passava dificuldades financeiras, as crianças iam com roupas bem surradas para escola, às vezes até sujos. Era de cortar o coração, então comecei a ajudar como podia, com algumas roupas, alimentos e brinquedos”, conta a mulher.  

A denunciante relata que Lucas e João Victor passaram a frequentar sua casa em algumas ocasiões, onde ela teria percebido alguns sinais de maus-tratos nas crianças. “Eles apresentavam pequenas lesões pelo corpo, comecei a achar estranho e quando passei a questionar a mãe, eles foram transferidos de escola e perdi contato. Fiquei horrorizada agora quando vi o caso na televisão, com o coração partido, por isso decidi falar sobre o assunto. Eles sofriam negligência e maus-tratos e a mãe sabia de tudo. Quando alguém começava a perguntar, ela tirava eles da escola para esconder”, denunciou “Neusa”. 

A mulher acredita que em 2015, quando teria ocorrido o possível confronto com Rosemeire da Silva, 53, mãe de Lucas e João Victor, a família tenha se mudado para Minas Gerais. “Na época, uma das funcionárias da escola disse que o padrasto deles (Admilson Ferreira Santos) teria tentado abusar de um dos enteados mais velhos. Para não espalhar, eles fugiram. Alguns vizinhos teriam acionado o Conselho Tutelar para denunciar. Foram os relatos que ouvi”, destaca a denunciante. 

No histórico escolar de Lucas, a próxima matrícula foi registrada apenas sete anos depois, em 2022, na E.E. Professor Domingos Peixoto da Silva, em São Bernardo, último município da região que a família viveu antes da tragédia. Nessa unidade, o jovem teria abandonado os estudos no primeiro ano do ensino médio. 

O Diário procurou os Conselhos Tutelares de Diadema e São Bernardo. A unidade 3 do município diademense informou que não foram encontrados registros relacionados a essa família no banco de dados, enquanto a unidade 1 disse que todo atendimento realizado pelo órgão está resguardado por sigilo legal, conforme determina o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente). Já a unidade 2 e os três órgãos de São Bernardo não responderam. 

Durante as investigações do caso, os irmãos de Lucas, Caique da Silva Santos, 26, Matheus da Silva Santos, 23, João Victor da Silva Santos, 21 e Marcos Junior, 34, falaram com a imprensa que a relação com o padrasto nunca foi boa e que ele possui histórico de agressão contra os enteados. A família era formada por sete irmãos, sendo que apenas dois ainda moravam com Admilson no bairro Alvarenga, sendo o Lucas e o caçula, Thiago da Silva Santos, 17. 


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Investigação

Rosemeire da Silva, mãe de Lucas da Silva Santos, morto no último domingo (20) por suspeita de envenenamento, passou a ser investigada pela Polícia Civil de São Bernardo por comprar o chumbinho, em uma loja de Diadema, a pedido do padrasto, que confessou ter envenenado o enteado com essa substância. Admilson foi preso temporariamente na quarta-feira (16). 

Além do crime de homicídio consumado, a polícia também investiga se Admilson teria abusado sexualmente de dois enteados e uma sobrinha. À polícia, Rosemeire afirmou em conversa com a delegada responsável pelo caso, Liliane Doretto, que sabia dos abusos, pois o acusado teria assumido para ela anos atrás. 

A autoridade policial solicitou um laudo psiquiátrico para avaliar se a mãe tinha capacidade de entender a gravidade da situação de violência sexual envolvendo os filhos. A avaliação busca apurar se ela falhou no dever legal de proteção, podendo ser responsabilizada como coautora, caso tenha se omitido de forma consciente.


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