Caso Lucas Religioso relata histórico de controle, ameaças e tentativas de afastar o rapaz da igreja
FOTO: Denis Maciel/DGABC

O pastor Cleone Campos, 58 anos, líder da Igreja Assembleia de Deus em São Bernardo, acompanhou de perto os últimos anos da vida de Lucas da Silva Santos, 19, morto por envenenamento no último domingo (20). O religioso afirma que o jovem era vítima de opressão constante por parte do padrasto, Admilson Ferreira dos Santos, 52, que está preso temporariamente por suspeita de cometer o crime.
Dias antes da morte, o pastor afirma que soube por vizinhos que Lucas havia sido espancado. “Se eu tivesse recebido essa informação antes, teria ido com a viatura e com os irmãos da igreja para tirar ele lá.” O religioso conta que também recebeu, no fim de junho, uma mensagem ameaçadora de Admilson. “Ele escreveu: ‘Eu pensei até em matar ele, mas Deus não deixou’.”
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O histórico de agressão, segundo Campos, era silencioso: Lucas nunca contou diretamente sobre os abusos. “Mas o olhar dele dizia tudo. Era um menino calado, educado, com medo.” De acordo com o líder religioso, Admilson demonstrava ciúmes da aproximação de Lucas com a igreja e chegou a proibir visitas do pastor à casa da família. “Toda vez que eu ia lá, ele perdia força. A gente corrigia, orientava. E isso o incomodava”, disse.
A relação de controle era tamanha que o padrasto teria se mudado no início desse ano com a família para Minas Gerais, em uma possível tentativa de afastar Lucas da congregação, denunciou o pastor. “O Lucas ligou chorando. Disse que queria sair de casa, morar perto da igreja e se batizar. Esse era o sonho dele.”
De volta a São Bernardo, Admilson tentou isolar o rapaz novamente. Lucas havia conseguido um trabalho e a igreja já o ajudava a montar uma casa próxima ao templo. “Estava tudo certo. Iriamos acolher ele. Mas o padrasto premeditou tudo. Sabia que o Lucas ia sair de casa.”
A mãe do jovem, afirma o pastor, mantinha-se em silêncio. “Ela ficava quieta. A casa era dominada por Admilson. E ele era manipulador, estrategista.”
Questionado sobre o porquê de não denunciar antes, o pastor justifica. “Tudo aconteceu muito rápido. Me culpei. Mas Deus sabe que fiz o que pude. Se alguém tivesse me avisado do que ele passou, eu teria agido. Nosso papel é proteger.”
Denúncia anônima
A Polícia Civil segue investigando o caso. O padrasto, Admilson, permanece preso temporariamente na delegacia de São Caetano. Segundo a titular do 8º DP (Distrito Policial) da cidade, delegada Liliane Doretto, uma denúncia anônima apontou que o acusado também teria matado um parente em Minas Gerais com ‘chumbinho’ para encobrir os abusos sexuais. A mesma substância também teria sido utilizada para envenenar Lucas.
“Há denúncias que ele matou um parente em Minas Gerais envenenado, supostamente porque essa pessoa tenha descoberto que ele abusava do Lucas e que na ocasião ele iria até a polícia. Sabendo que ele poderia denunciá-lo, ele teria envenenado. Isso é uma hipótese, uma denúncia anônima que recebemos”, afirmou a delegada. A possível conexão entre os dois crimes foi repassada à Polícia Civil de Minas Gerais.
Ainda segundo essa denúncia anônima, o pastor (Cleone Campos) sabia e era conivente com os abusos sexuais sofridos por Lucas. A Polícia Civil de São Bernardo apura as denúncias de violência sexual contra dois enteados e uma sobrinha.
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