Uma ocorrência por semana Esse é o número de boletins de ocorrência registrados de 2013 a 2024, diz o Conselho Federal de Medicina; em 10% delas houve lesão corporal
FOTO: Divulgação/PMSCS

O Grande ABC registrou, de 2013 a 2024, de acordo com o CFM (Conselho Federal de Medicina), 586 agressões contra médicos durante o exercício da profissão. O número representa, em média, um caso por semana. Os dados são baseados nos BOs (Boletins de Ocorrência) realizados no período. A cidade com maior número de casos foi São Bernardo (176), seguida de Santo André (167), Mauá (73), São Caetano (65), Diadema (63), Ribeirão Pires (38) e Rio Grande da Serra (4).
As ocorrências computam todos os tipos de agressões – física, verbais, materiais, entre outras. A maioria dos crimes cometidos contra médicos nos estabelecimentos de saúde da região ocorre por ameaça (20%), furto (19%), injúria (15%) e lesão corporal (10%). As demais ocorrências não foram especificadas. Em relação ao sexo e faixa etária das vítimas, 48% foram mulheres, com idade média de 39 anos, e 52% homens, com a média de 45 anos.
Apesar das agressões físicas apresentarem a menor porcentagem dos casos, somente no período de um mês, a região registrou ao menos dois casos. No último dia 5, de acordo com informações da SSP (Secretaria da Segurança Pública), uma paciente de 24 anos agrediu uma médica de 28 na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Alvarenga, em São Bernardo, por não receber um atestado que não se justificava clinicamente. O crime foi registrado como lesão corporal e ameaça no 3º Distrito Policial de São Bernardo.
Há aproximadamente um mês, em 14 de junho, no Hospital Infantil e Maternidade Márcia Braido, em São Caetano, houve uma ocorrência pela mesma motivação, a negação de um atestado médico. A assistente administrativa Natália Carvalho de Souza, 27, mãe de um paciente de 3 anos e 11 meses, agrediu as médicas, mãe e filha, Miriam, 60, e Gabriela Macul, 28. A agressora causou ainda um prejuízo de R$ 30 mil à unidade de saúde e vai responder criminalmente. Gabriela contou que a Natália estava muito alterada, a ponto de ninguém conseguir contê-la e até dois seguranças serem agredidos. As agressões duraram 40 minutos.
Ambas as médicas ficaram bastante machucadas, com fortes hematomas. “Agora estamos bem e retornamos às atividades, mas o medo e o trauma ficam. Está um absurdo, cada dia vemos mais casos assim com colegas”, diz.
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PUNIÇÃO
O 2º secretário do CFM, Estevam Rivello, ressalta a urgência para punições mais severas. “As agressões, que antes eram uma quebra de patrimônio público ou verbal, evoluíram para graves agressões físicas. Diante dessa situação, chamamos a atenção do Congresso Nacional para o endurecimento das penas”, afirma.
O Projeto de Lei 6749/2016, que foi aprovado na Câmara dos Deputados e segue agora para o Senado, propõe tipificar, de forma mais grave, os crimes de lesão corporal, contra a honra, de ameaça e de desacato, quando cometidos contra médicos e profissionais da saúde no exercício de sua profissão. A proposta classifica como crimes hediondos os casos de lesão corporal gravíssima.
O presidente do Sindmed ABC (Sindicato dos Médicos do Grande ABC), José Roberto Murisset, acredita que impunidade alimenta esse tipo de crime e ressalta a importância de um maior monitoramento das unidades de saúde. “A presença de seguranças inibe essas ações. Ter sistemas de acionamento rápido da polícia também ajuda. E acredito que quando a lei sair, os locais devem colocar placas avisando sobre as penas mais rigorosas para casos de agressão”, sugere.
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