Polêmica Grupo de 16 sacerdotes compareceu à Câmara de São Bernardo e pediram nomes ao vereador
Padre Jean Rafael Eugênio Barros na tribuna da Câmara (FOTO: Letícia Teixeira/CMSBC)

Em mais um desdobramento da declaração na qual associou a Igreja Católica dos Estados Unidos à seleção de pedófilos, o vereador de São Bernardo Luiz Henrique Watanabe (PRTB) foi cobrado por um grupo de 16 padres da região, que compareceu na manhã desta quarta-feira (9), na Câmara Municipal. Os sacerdotes cobraram provas por parte do parlamentar, que deu o polêmico pronunciamento há três semanas, durante o uso da tribuna.
Primeiro a usar a palavra na sessão, o padre Jean Rafael Eugênio Barros, presidente e vigário judicial do Tribunal Eclesiástico Diocesano de Santo André, dirigiu-se ao Watanabe, pontuando de que a instituição conta com uma comissão para tutela de menores e pessoas em situação de vulnerabilidade aos sete municípios da região. Em seguida, o clérigo sugeriu ao vereador para que apontasse os “supostos nomes de pedófilos existentes” na Igreja Católica.
“Nossa presença aqui hoje não é autodefesa, e nem justificativa, mas é profético, para poder dizer à sociedade que temos um posicionamento, convicção e que queremos sempre o melhor, pois lutamos por uma Igreja séria e comprometida com o Reino (de Deus), sem acobertar os erros e misérias. Mas ao respeitarmos, exigimos também respeito. Se há do conhecimento do senhor vereador Watanabe tal situação como esta, prove-nos para podermos agir”, cobrou o padre.
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Watanabe se dirigiu à tribuna logo depois, ponderando de que se referiu, na ocasião, a um estudo que “supostamente apontou, nos Estados Unidos e não no Brasil”, a formação do sacerdócio à prática de pedofilia. O parlamentar do PRTB reconheceu que a colocação foi “infeliz” e por essa razão pediu desculpas. No entanto, assegurou que houve uma má-interpretação de seu pronunciamento, visto que não teria a intenção de generalizar o posicionamento perante todo o sacerdócio.
“Eu não acusei os padres de forma generalizada de serem pedófilos. Até porque, quando tive dúvidas a respeito disso (de suspeita de prática de pedofilia), fiz o questionamento dentro dos termos do direito canônico vigente, que apesar de não ter dado resposta na ocasião, quero crer que tomou as providências cabíveis”, pontou o parlamentar.
REPERCUSSÃO
Na sessão de 19 de março, Watanabe atrelou a Igreja Católica dos Estados Unidos à seleção de pedófilos para a prática do sacerdócio. O vereador teria se baseado a um suposto trecho do relatório John Jay, encomendado pela Igreja Católica dos Estados Unidos e publicado em 2004, após investigar práticas de crimes sexuais cometidos por religiosos e acobertadas pela instituição
As palavras geraram repúdio da Diocese de Santo André e até de colegas da própria Câmara de São Bernardo no dia seguinte. Em nota, o bispo diocesano do Grande ABC, dom Pedro Carlos Cipollini, classificou as falas de Watanabe como “lamentáveis”, por disseminar preconceito e desinformação. O Legislativo, por sua vez, colheu assinaturas para se manifestar contrariamente ao colega, o que o fez retroceder e pedir desculpas em seguida.
Após as declarações em plenário nesta quarta-feira, outros vereadores comentaram o caso na tribuna, reforçando o posicionamento contrário às palavras anteriormente ditas, porém, lembrando de que o Watanabe se retratara. Os padres foram convidados a seguir para uma foto posada com os vereadores presentes em plenário, incluindo o parlamentar do PRTB.
Ao deixar o Parlamento, o padre Jean reforçou que a Diocese de Santo André não se exime de possíveis desvios de condutas, e por isso, possui tribunal próprio e canais de denúncias, por meio do Tribunal Eclesiástico. “Somos religiosos enquanto espirituais, mas somos cidadãos, pertencemos ao município, estamos sujeitos às normas. Isso é essencial para a vida humana. Direitos e deveres iguais para todos”, apontou o sacerdote.
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