Democracia Grande ABC marcou resistência durante o período; confira a participação regional
FOTO: Divulgação/EBC

O golpe civil-militar de 1964 completa 61 anos nesta segunda-feira (31). Relembrado por políticos do PT no Grande ABC, o período foi destacado nas redes sociais com mensagens "para que nunca mais se repita". A ditadura durou 21 anos,consolidando-se por meio da promulgação de sucessivos Atos Institucionais, que ampliaram os poderes dos militares. O mais severo foi o Ato Institucional Número Cinco (AI-5), de 1968, que suprimiu direitos civis e fortaleceu a repressão política, permanecendo em vigor por dez ano.
"Esse regime perseguiu deputados, senadores, sindicalistas, religiosos, estudantes e todos os brasileiros que se opunham ao governo liderado por militares. É um momento para refletir a fim de que nunca mais vivenciemos tempos de perseguição, censura, tortura e morte promovidos pelo Estado", destacou o vereador de Santo André Tiago Nogueira (PT).
O parlamentar utilizou um vídeo com discurso do deputado federal Rubens Paiva, um dia após o golpe, em 1º de abril de 1964. Torturado e assassinado pelo regime, Paiva teve a história adaptada ao cinema e repercutida mundialmente com o filme Ainda Estou Aqui - vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.
FIGURAS NACIONAIS
A ex-presidente e atual presidente do Banco dos Brics (grupo de países emergentes) Dilma Rousseff (PT) também foi exaltada por membros da legenda nas redes durante esta segunda-feira. Presa e torturada pelo crime de subversão em 1970, devido à participação na militância nos grupos de esquerda, Dilma apareceu nos perfis dos vereadores petistas de Diadema Patty Ferreira e Josa Queiroz, bem como da parlamentar de Ribeirão Pires, Fernanda Henrique.
No depoimento compartilhado pelos vereadores, Dilma rebate o ex-senador Agripino Maia (União Brasil), que a acusou em 2008 de mentir sobre o regime. "Na democracia se fala a verdade; diante da tortura, quem tinha coragem e dignidade falava mentira. Qualquer comparação entre a ditadura militar e a democracia brasileira só pode partir de quem não dá valor à democracia", defende em vídeo viral a petista.
Bete Siraque (PT), de Santo André, preferiu compartilhar vídeo com recortes fotográficos do período publicado inicialmente por Gleisi Hoffmann (PT), que assumiu recentemente o comando da Secretaria de Relações Institucionais.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também destacou a importância da data, mencionando as "ameaças autoritárias que, infelizmente, ainda insistem em sobreviver". O post foi realizado horas após posicionamento oficial também do STF (Supremo Tribunal Federal). As mensagens coincidem com a abertura da primeira ação penal desde a redemocratização a colocar no banco de réus o ex-presidente da República Jair Bolsonaro e mais sete denunciados pela PGR (Procuradoria-Geral da República) por tentativa de golpe de Estado.
Neste domingo, pelo menos dois políticos do Grande ABC estiveram em um movimento na Av. Paulista contra a anistia: o vereador de Santo André, Ricardo Alvarez (Psol), além da deputada estadual Ediane Maia (PT).
GRANDE ABC NA HISTÓRIA
Em especial aos 60 anos do golpe, no ano passado, o Diário compilou as principais participações da região no episódio. Para despistar militares, igrejas católicas reuniam militantes, como a paróquia São Paulo Apóstolo, no Jardim Zaíra de Mauá. Segundo os registros, a Nossa Senhora da Boa Viagem, a Igreja Matriz, em São Bernardo, também promovia assembleia dos trabalhadores em 1980.
Na região, a primeira grande greve do regime militar (e que era proibida à época) aconteceu em 1978, com metalúrgicos da Scania, em São Bernardo. Também de forma pioneira, o Diário foi um dos poucos jornais a chamar o regime de ''ditadura''.
"Enquanto a imensa maioria dos jornais do País classificava o movimento como revolução, este jornal estampou em sua manchete de 31 de julho de 1978: ''Brasil vive ditadura''. No ano seguinte, em Editorial, criticou a intervenção do governo federal nos sindicatos e as prisões de trabalhadores", destaca reportagem do Diário.
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