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ABC compõe rota
contra ditadura militar

Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Regime faz 50 anos nesta segunda-feira; casa onde
Betinho morou e igrejas são os destaques no roteiro


Cynthia Tavares
Do Diário do Grande ABC

31/03/2014 | 07:00


Quem passa pela Avenida Presidente Castelo Branco, no Jardim Zaíra, em Mauá, não imagina que o endereço serviu de palco para a resistência contra a ditadura militar no Brasil. Hoje faz 50 anos em que os militares chegaram ao poder, após derrubarem o presidente João Goulart, o Jango (veja linha do tempo abaixo). Os anos de chumbo duraram até 1985.

A rua movimentada esconde marcos da luta contra a repressão. A primeira parada é numa viela que facilmente passa despercebida. Em 1970, o local estreito e escuro foi abrigo do sociólogo Herbert José de Sousa, o Betinho, por seis meses. “Tudo que era esgoto corria por aqui. Também não havia luz. Era fétido”, classificou Olivier Negri Filho, diretor de escola e ex-militante na luta contra o regime.

O responsável por providenciar o abrigo foi Olivier Negri, pai do educador. “Meu pai arrumou a casa, que pertencia a um casal de portugueses, e se ofereceu para ser avalista. O Betinho foi apresentado como Francisco de Carvalho”, contou o ex-militante. Atualmente, integrantes da família dos portugueses ainda moram no local.

A aproximação de Betinho com os Negri ocorreu porque o sociólogo ficou escondido durante um ano na casa deles, que também ficava na Avenida Presidente Castelo Branco. A mudança para a viela ocorreu para despistar os militares.

As igrejas católicas espalhadas pela região foram utilizadas como palco para reunir os militantes. A principal delas é a São Paulo Apóstolo, no Jardim Zaíra. Lá nasceu a AP (Ação Popular) em Mauá, que reuniu diversos militantes, inclusive Olivier Filho. “Usávamos o salão e a casa paroquial para fazer os encontros”, relatou.

O antigo militante destacou que o local continua bastante parecido. “Nossos colegas de luta ainda frequentam essa mesma igreja. Temos diversas memórias daqui”, afirmou.

Porém, outras pessoas que vão ao lugar toda semana não sabem que ali nasceram defensores da democracia. “Já achava maravilhosa a luta da Igreja contra o regime militar, mas é muito legal saber que a igreja que frequento toda semana teve participação nisso”, declarou a catequista e dona de casa Vivian Teles.

Outra capela importante para entender a luta contra a ditadura nas sete cidades é a igreja na Vila Palmares, em Santo André. Liderada pelo padre Emilio Rubens Chasseraux, a comunidade foi mobilizada contra a ditadura que imperava no País. O bairro andreense também foi abrigo para Betinho, antes de se exilar no Chile.

SINDICALISMO

A Igreja Matriz de São Bernardo virou o centro das atenções já no fim da ditadura militar. O então líder sindical – e futuro presidente da República – Luiz Inácio Lula da Silva usava o espaço, com autorização da Diocese de Santo André, para realizar as audiências com os companheiros. No dia 21 de julho de 1983, policiais invadiram a Igreja Matriz de São Bernardo atrás dos trabalhadores que aderiram à greve geral. A invasão culminou na explosão de bomba.

Na lista de outros locais importantes na luta contra a repressão também estão o antigo prédio do Doi-Codi e o Memorial da Resistência onde era a sede do Dops (Departamento de Ordem Política e Social), ambos na Capital.



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ABC compõe rota
contra ditadura militar

Regime faz 50 anos nesta segunda-feira; casa onde
Betinho morou e igrejas são os destaques no roteiro

Cynthia Tavares
Do Diário do Grande ABC

31/03/2014 | 07:00


Quem passa pela Avenida Presidente Castelo Branco, no Jardim Zaíra, em Mauá, não imagina que o endereço serviu de palco para a resistência contra a ditadura militar no Brasil. Hoje faz 50 anos em que os militares chegaram ao poder, após derrubarem o presidente João Goulart, o Jango (veja linha do tempo abaixo). Os anos de chumbo duraram até 1985.

A rua movimentada esconde marcos da luta contra a repressão. A primeira parada é numa viela que facilmente passa despercebida. Em 1970, o local estreito e escuro foi abrigo do sociólogo Herbert José de Sousa, o Betinho, por seis meses. “Tudo que era esgoto corria por aqui. Também não havia luz. Era fétido”, classificou Olivier Negri Filho, diretor de escola e ex-militante na luta contra o regime.

O responsável por providenciar o abrigo foi Olivier Negri, pai do educador. “Meu pai arrumou a casa, que pertencia a um casal de portugueses, e se ofereceu para ser avalista. O Betinho foi apresentado como Francisco de Carvalho”, contou o ex-militante. Atualmente, integrantes da família dos portugueses ainda moram no local.

A aproximação de Betinho com os Negri ocorreu porque o sociólogo ficou escondido durante um ano na casa deles, que também ficava na Avenida Presidente Castelo Branco. A mudança para a viela ocorreu para despistar os militares.

As igrejas católicas espalhadas pela região foram utilizadas como palco para reunir os militantes. A principal delas é a São Paulo Apóstolo, no Jardim Zaíra. Lá nasceu a AP (Ação Popular) em Mauá, que reuniu diversos militantes, inclusive Olivier Filho. “Usávamos o salão e a casa paroquial para fazer os encontros”, relatou.

O antigo militante destacou que o local continua bastante parecido. “Nossos colegas de luta ainda frequentam essa mesma igreja. Temos diversas memórias daqui”, afirmou.

Porém, outras pessoas que vão ao lugar toda semana não sabem que ali nasceram defensores da democracia. “Já achava maravilhosa a luta da Igreja contra o regime militar, mas é muito legal saber que a igreja que frequento toda semana teve participação nisso”, declarou a catequista e dona de casa Vivian Teles.

Outra capela importante para entender a luta contra a ditadura nas sete cidades é a igreja na Vila Palmares, em Santo André. Liderada pelo padre Emilio Rubens Chasseraux, a comunidade foi mobilizada contra a ditadura que imperava no País. O bairro andreense também foi abrigo para Betinho, antes de se exilar no Chile.

SINDICALISMO

A Igreja Matriz de São Bernardo virou o centro das atenções já no fim da ditadura militar. O então líder sindical – e futuro presidente da República – Luiz Inácio Lula da Silva usava o espaço, com autorização da Diocese de Santo André, para realizar as audiências com os companheiros. No dia 21 de julho de 1983, policiais invadiram a Igreja Matriz de São Bernardo atrás dos trabalhadores que aderiram à greve geral. A invasão culminou na explosão de bomba.

Na lista de outros locais importantes na luta contra a repressão também estão o antigo prédio do Doi-Codi e o Memorial da Resistência onde era a sede do Dops (Departamento de Ordem Política e Social), ambos na Capital.

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