Conforme mostrou o ‘Diário’ em 2024, bairro sofre com racionamento e falta de abastecimento por dias, enquanto há desperdício nas intervenções
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Os moradores do bairro Capelinha, na região do Riacho Grande, em São Bernardo, continuam enfrentando sérios problemas relacionados à escassez de água. Como foi reportado pelo Diário em maio de 2024, após a conclusão de obras de urbanização, o fornecimento de água da área foi integrado ao sistema da comunidade Cocaia. No entanto, esse sistema já não consegue atender à demanda, resultando em racionamento ou até mesmo em dias sem abastecimento. Além disso, a intervenção prometida como solução pela Sabesp para janeiro deste ano foi adiada para dezembro, impactando cerca de 1.000 famílias.
De acordo com os moradores, após as obras de urbanização, a Sabesp determinou o fechamento dos poços existentes para conectar o fornecimento de água ao Sistema Isolado de Abastecimento, que inclui poço, estação de tratamento e reservatório. Contudo, o aumento da população, tanto no Capelinha quanto na Cocaia, fez com que a capacidade de vazão do sistema fosse insuficiente para atender à demanda. Os residentes do Capelinha relatam que continuam enfrentando racionamento, e em muitos casos, períodos de até quatro dias sem água.
Em uma nota técnica enviada ao MPSP (Ministério Público do Estado de São Paulo) neste mês, a Sabesp informou que foram realizados estudos emergenciais e que as fases de perfuração do poço e elaboração dos projetos já foram concluídas. A companhia agora estabeleceu o novo prazo para a conclusão da obra em dezembro de 2025, quase um ano após o prazo anterior. A conclusão do projeto, no entanto, depende da liberação de licenças da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) e da autorização para utilização de áreas pertencentes à Emae (Empresa Metropolitana de Águas e Energia) e a proprietários particulares. A informação foi reforçada em um comunicado.
DESCONTENTAMENTO
A equipe do Diário retornou ao local após quase um ano e verificou que, embora a obra tenha começado, ainda não foi concluída. O novo sistema já foi perfurado e continua liberando água durante o dia, com uma estimativa de até 100 mil litros por dia. Ao contrário de 2024, quando a água era despejada a céu aberto, agora ela é desviada para um matagal, onde é descartada de forma mais discreta.
“O sentimento é de tristeza, revolta. Eu, por exemplo, tenho minha mãe com 68 anos, ela está acamada. Ela já vem acamada há cinco anos e, de um tempo para cá, não temos nem água para dar banho nela. Temos que comprar lenços umedecidos para dar banho nela. É uma revolta”, afirma Gilcimar Almeida Campos, que tem 42 anos, sendo 37 destes vivendo no Capelinha.
Ele cita que o problema afeta cerca de 1.000 famílias do local. “Há pessoas que precisam sair da comunidade para comprar água, quem têm condições, e outras precisam buscar água fora para poder fazer a limpeza e a higienização da própria residência.”
Hoje uma das lideranças comunitárias, ele diz que não há retorno da Sabesp sobre a obra e cita que há moradores autistas, idosos e pessoas acamadas no Bairro Capelinha, o que prejudica ainda mais o cotidiano, não sendo possível realizar tarefas básicas, como lavar a louça e tomar banho. O sentimento é compartilhado pela dona de casa Robélia Maria Alves Souza, 40. A mãe de seis filhos, sendo que quatro moram com ela e um é autista, diz que quando falta água vai até a casa de vizinhos que ainda possuem para pedir e tomar banho ou, então, pede para alguém ir até a obra inacabada com baldes.
“Para uma criança que não tem nenhum problema de saúde, já é difícil. Imagina uma criança autista, que você tem de dar banho nela toda hora. É uma criança que sofre um pouco devido ao calor, e a gente chega a ficar seis dias sem água aqui. Ela acorda de manhã e já quer tomar banho, mas às vezes não tem água”, relata a mãe com tristeza.
O poço está localizado no fim do bairro, na parte baixa, próximo a uma quadra de futebol, localidade distante para grande parte do Capelinha.
Segundo a Sabesp, porém, a água do poço que foi perfurado não deve ser usada para consumo humano, pois não passou por processo de desinfecção.
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