Emae fará substituição temporária da embarcação, que comporta 42 veículos, por uma de 23; moradores temem demora na travessia
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A Emae (Empresa Metropolitana de Águas e Energia S.A), operadora da Balsa João Basso, que faz a travessia entre Riacho Grande e o bairro Tatetos pela Represa Billings, confirmou na quinta-feira (2) que haverá a troca temporária da embarcação por outra de menor capacidade. O objetivo é realizar a manutenção da atual balsa, conforme orientações da Marinha do Brasil.
O anúncio foi feito por meio de faixas instaladas na entrada e dentro da balsa. Nelas, a empresa afirma que a substituição será feita na madrugada do dia 8 de janeiro, interrompendo a travessia de 0h às 5h. As faixas não informam quando a balsa atual será devolvida com as devidas manutenções, mas a Emae enviou um comunicado para o grupo de moradores do pós-Balsa informando que o prazo é de 45 dias. O folder informativo também diz que a embarcação provisória terá capacidade para 23 veículos e 300 passageiros. Hoje, a balsa comporta 42 veículos e 400 passageiros.
Questionada pelo Diário, a Emae confirmou ontem a troca e informou que esse “é um procedimento que ocorre a cada cinco anos e visa garantir a segurança e bem-estar dos passageiros”. A empresa afirmou ainda que “esteve em contato com a Prefeitura de São Bernardo e Secretaria de Transportes, bem como com as instituições envolvidas, para minimizar os possíveis impactos gerados”.
A possibilidade de redução já havia sido divulgada pelo Diário no dia 13 de dezembro, de acordo com relatos de moradores do pós-Balsa, alguns deles funcionários da empresa operadora, mas até então a empresa não tinha confirmado a informação. O deputado estadual Luiz Fernando Teixeira (PT) havia solicitado na época que a mudança fosse adiada para o período pós-festas, o que foi atendido. Em relação a outra demanda, sobre o tamanho da balsa substituta, o pedido não foi atendido.
ATRASO
O deputado ressaltou que a manutenção está atrasada e por isso a empresa não pode esperar a disponibilidade de uma balsa maior. “Estou indo ao Ministério Público denunciar a Emae. Eles deixaram vencer a licença. Isso poderia ter causado um problema maior, colocando a vida das pessoas em perigo”, alegou.
HORAS DE FILA
A preocupação dos moradores que precisam fazer a travessia diariamente é com o tempo de espera na fila nos horários de maior demanda. Elisa Teixeira, 41 anos, que mora há 17 no pós-Balsa, lembra que a embarcação atual opera desde 2018. Antes, faziam a travessia por uma balsa menor, como a que será utilizada temporariamente. “Lembro que no horário de pico demorávamos de quatro a cinco horas para conseguir atravessar.”
Elisa diz não acreditar no prazo de 45 dias, pois no passado viveu experiências em que a data extrapolou a promessa. “Falaram alguns meses e demorou cerca de dois anos com a balsa provisória”, contou.
A moradora Tatiana Bomfim Moreira, 46, também está preocupada com o tempo que levará para fazer a travessia. “Vamos aguardar o caos, e sabe-se lá por quanto tempo. Hoje já ficamos mais de duas horas, imagina agora. Serão quase cinco horas porque quando entra emergência de polícia e ambulância, ninguém mais entra. Agora é torcer para serem somente 45 dias”, lamentou.
Uma petição com mais de 300 assinaturas de moradores foi realizada para tentar impedir a situação. Eles sinalizam, em centenas de comentários, o quanto estão revoltados, com afirmações como “não aceitamos essa troca”, “será impossível ter uma balsa menor” e “por favor não façam isso”.
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