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Um fim de ano sem terrorismo e culpa: você sabe como realmente se recuperar das festas de Natal e Ano Novo? Os cuidados começam já nesta virada (31). Para entender as melhores estratégias, o Diário conversou com o nutricionista de São Bernardo, Pedro van de Meer, que reflete sobre a importância do papel afetivo da alimentação e alerta sobre os cuidados nesta época quando o assunto é ‘efeito sanfona’ ou sucos detox.
Segundo o especialista, é indiscutível que nas datas comemorativas dois elementos sejam protagonistas: sentimentos e exageros. “Os alimentos nos proporcionam diversas reações, tanto bioquímicas quanto sentimentais. E isto é realçado na temporada porque, pelo próprio paladar, fazemos uma viagem no tempo - por exemplo, com o pavê de um familiar. Por isso, ao mesmo tempo, é tão importante apontar meios, não de restrição, mas de equilíbrio se considerarmos o costume”, reflete ao introduzir a pauta à mesa.
Um dos exemplos clássicos deste meio-termo é a presença habitual de proteínas nas ceias de fim de ano. Aves, como peru e chester, são normalmente acompanhadas por guarnições (arroz). “Por que comer peru com arroz nas festas seria ruim? Aí que está a questão, não é! (...) É apenas preciso aproveitar com cautela aquele doce da avó, como a rabanada ou o pavê que, combinados com o excesso, poderão deixar a sua dieta mais rica em calorias e pobre em qualidade”, esclarece.
Aliás, se por um lado o réveillon traz consigo nostalgia em cheiros, texturas e sabores no prato, as bebidas alcoólicas são em igual medida associadas à festividade. E a boa notícia, de acordo com Meer, é que vinhos e espumantes - os etílicos mais consumidos no período, por coincidência (ou sorte, para quem gosta de festejar), são as melhores opções. “O teor de álcool (principalmente nos espumantes) é menor quando comparado aos destilados. Assim, a desidratação causada no corpo será menor. E então é se lembrar de tentar sempre intercalar a dose com água”, sugere.
A recomendação do profissional é que a ingestão de água seja de 30 ou 50 ml por quilo corporal. Assim, com o corpo hidratado, os efeitos negativos do álcool devem ser minimizados e o funcionamento correto de órgãos (como os rins, que são gravemente afetados pelas bebidas) é assegurado. “Se possível, forneça ao corpo também vitaminas e minerais, comendo frutas e legumes, com bom potencial anti-inflamatório e antioxidante”, acrescenta.
O DIA SEGUINTE
Um sinal de que o corpo necessita de recuperação após a virada de ano, é a fadiga, por exemplo. “O nosso corpo sempre nos dá sinais. Quando estamos sobrecarregados, começamos a nos sentir mais indispostos do que o habitual. Além disso, destaco a imunidade como ponto de atenção. (...) Em geral, quando nosso corpo está sob forte estresse, começamos a ficar doentes com mais facilidade, porque as células de defesa estão reduzidas, devido à alimentação inadequada e estresse físico ou mental”.
Agora, para surpresa ou não dos preocupados com a saúde após ‘enfiar o pé na jaca’ no encerramento do ano, retomar a rotina é o segredo mais sábio para contingenciar os excessos da virada.
“O ideal é não fazermos mudanças bruscas na alimentação, principalmente as tais dietas de janeiro. Devemos voltar ao cotidiano gradativamente, entrando em uma dieta equilibrada, com uma boa ingestão de água”, aconselha o nutricionista.
Para quem não adere à paciência neste processo, a consequência pode ser o famoso ‘efeito sanfona’ - no qual, por mudanças bruscas na alimentação, o corpo pode sofrer uma grande perda de peso inicialmente, mas que é seguida na maioria dos casos da recuperação de todo o peso perdido ou em ainda mais kgs na balança. “Isto não é nada saudável para a homeostase. Os hormônios que controlam nossa fome e saciedade são afetados, e em casos mais extremos, podemos acabar com uma compulsão alimentar descontrolada”, indica.
Segundo o profissional, quando o assunto é saúde e alimentação, não há milagre, mas por felicidade há a constância. Os sucos detox, com ingredientes que prometem limpar o corpo após excessos, por exemplo, são complexos neste sentido.
“Virou moda nos últimos anos no Brasil e a verdade é que eles realmente são benéficos para o corpo, mas devem ser ingeridos dentro de um contexto adequado. Não dá para extravasar e tomar assim, esperando um quase milagre”, pondera.
Ao que explica, a opção pode ser melhor amiga da dieta ao longo do ano e do equilíbrio suado nas festividades, mas não produz por si só efeito isolado. “Neste caso, ele é bem-vindo pelas propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes. Mas lembro a vocês que, em nosso corpo, já temos um órgão maravilhoso chamado ‘fígado’ e que realiza a detoxificação constantemente. Por isso, sem neura: com uma alimentação saudável, podemos já manter o bom funcionamento desse órgão vital e, consequentemente, sofrer menos com os danos dos excessos nas datas comemorativas”, finaliza.
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