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Camisinha: 96% sabem da eficácia, mas só 25% usam


Fabio Berlinga
Do Diário do Grande ABC

18/02/2007 | 21:41


Pesquisa do Instituto Oswaldo Cruz revela comportamento contraditório entre os brasileiros sexualmente ativos: apesar de 96% deles reconhecerem o uso da camisinha como a forma mais eficaz de prevenir a Aids e outras DSTs (Doenças Sexualmente Transmissíveis), apenas 25% afirmam usar o preservativo em todas as suas relações sexuais.

Foram ouvidas 6 mil pessoas entre 15 e 54 anos, sexualmente ativas, em todas as regiões do país, entre 2004 e 2005. Os dados foram atualizados em agosto do ano passado e cruzados com números do Programa Nacional de DST e Aids, do Ministério da Saúde, com indicadores do Programa Global de Aids no Brasil e dos Centros para Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos.

Na opinião dos pesquisadores, o resultado indica que a mentalidade da população em relação ao perigo de contágio pelo HIV ainda é parecida com a de quase 25 anos atrás, quando os primeiros casos da doença foram diagnosticados no Brasil.

“Por incrível que pareça, as pessoas ainda acreditam nos grupos de risco, que o mal só atinge os homossexuais etc. É aquela coisa do ‘não vai acontecer comigo’. Por isso, a incidência aumentou muito entre heterossexuais e mulheres”, explica o pesquisador Paulo Borges, do CICT (Centro de Informação Científica e Tecnológica da Fundação Oswaldo Cruz), responsável pelo levantamento.

Para Borges, essa situação prejudica não só a prevenção, como o tratamento dos soropositivos. Quase metade deles, cerca de 40%, descobre que está infectada depois de oito ou dez anos. “Aí é complicado porque os sintomas da doença já começaram a se manifestar”, lamenta. O pior é que essa mentalidade faz com que o indivíduo espalhe o vírus.

De acordo com o professor do Departamento de Infectologia da Unifesp Esper Kallas, estima-se que dos 600 mil infectados brasileiros, apenas metade está em tratamento. “Esse é o nosso maior desafio, trazer esses soropositivos para o sistema de saúde para evitar que desenvolvam a doença”.

A pesquisa ainda revela que, entre todos os entrevistados, 67% dizem se prevenir em relações com parceiros eventuais. Entre jovens de 15 a 24 anos, o índice aumenta para 74%.

Para Kallas, os números, apesar de não serem ideais, não são exatamente desoladores. “No Brasil, as campanhas pelo uso da camisinha estão na frente de vários países desenvolvidos, que têm políticas mais conservadoras de conscientização”. Ele explica que o governo dos Estados Unidos, por exemplo, prega o controle da proliferação por meio da abstinência sexual. “Não há financiamento público para propagandas que incentivem o uso de camisinha como no Brasil”.


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